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   Preço da Energia dispara

 

Impacto das Térmicas

 

O religamento das termelétricas também impactou diretamente o PDL recorde. Tais usinas garantem, hoje, a oferta de energia no país, uma vez que o Brasil tem dificuldades em aumentar sua capacidade de armazenamento nas hidrelétricas. Contudo, o custeio das térmicas requer gastos altíssimos — especialmente para as que funcionam à base de óleo diesel. “O mercado já está incorporando no PDL o uso das termelétricas mais caras”, afirmou Rego, da Excelência Energética.


Durante todo o ano passado, a geração de energia por usinas térmicas foi 75% maior que em 2012. O custo do acionamento ficou em aproximadamente 9 bilhões de reais. Com as distribuidoras em dificuldades financeiras para arcar com esse rombo – elas só repassam uma vez no ano o aumento de custos ao consumidor – o Tesouro Nacional atuou como 'caixa forte' da conta de luz e cobriu o montante com dinheiro público injetado na Conta de Desenvolvimento Energética (CDE).

Tal valor não foi dado às empresas, mas financiado. Isso significa que em 2018 o contrato vencerá e as distribuidoras terão de repassar integralmente ao consumidor seus gastos com as térmicas. Assim, na melhor das hipóteses, o desconto imposto pela presidente Dilma Rousseff será retirado aos poucos nos anos que virão. Na pior, será retirado de uma só vez, penalizando ainda mais o consumidor e impactando a inflação.



Escrito por SALSFI às 17h38
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   Preço de energia dispara

FALTA DE PLANEJAMENTO do SETOR ELÉTRICO

Essa elevação inédita significa que o mercado está apostando em um quadro nada otimista para o setor elétrico em 2014 — que beira a calamidade, mesmo com os reservatórios de água das usinas hidrelétricas acima dos níveis registrados em janeiro do ano passado. O cálculo do PLD é feito com base em projeções que levam em conta o cenário atual de abastecimento. Tal alta reflete, segundo especialistas ouvidos pelo site de VEJA, fatores climáticos, o aumento da demanda e a falta de planejamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Com as altas temperaturas registradas em dezembro e janeiro, é natural que se gaste mais energia com refrigeradores, ventiladores e aparelhos de ar condicionado — o que impacta diretamente a demanda. Ao mesmo tempo, os reservatórios são penalizados devido à rápida evaporação da água e falta de chuvas. Além disso, as perspectivas climáticas para 2014 não são animadoras – previsões usadas no cálculo da PLD apostam em menos precipitações em relação a anos anteriores. Assim, as usinas terão dificuldades em conseguir preencher o déficit em seus reservatórios e, talvez, nem mesmo compensar os gastos do ano, no cenário mais pessimista. Hoje, o reservatório do Sudeste/Centro Oeste usa 40,57% de sua capacidade de armazenamento, contra 37,46% em janeiro de 2013.

Leia mais: 
Preço da energia de curto prazo atingirá recorde na próxima semana  
Residências impulsionam consumo de energia no Brasil em novembro 

Falta de planejamento - Problemas no planejamento energético do governo também tiveram papel crucial na subida dos preços — e podem fazer com que os consumidores paguem mais caro pela energia em 2015. Ocorre que as distribuidoras vêm tendo de comprar mais energia no mercado livre, justamente onde os valores estão batendo recordes. Tais empresas são abastecidas, geralmente, por leilões públicos de energia organizados pela EPE. Contudo, nas últimas licitações, a estatal fixou preços muito abaixo dos padrões de mercado, o que fez com que muitas geradoras optassem por não comercializar seus megawatts/hora, impactando a oferta energética. “Há um problema muito sério de planejamento e forma como o modelo (do sistema elétrico) está programado”, disse Mariana Amim, diretora jurídica da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace).

As distribuidoras são impedidas de negociar livremente com as geradoras, mas, se os pleitos organizados pelo governo não forem suficientes para preencher sua demanda, elas são obrigadas a compensar seu déficit comprando energia no mercado livre e pagando o preço do PDL. Erik Rego, diretor da consultoria Excelência Energética, disse ao site de VEJA que as distribuidoras precisaram contratar 7,5% de toda sua energia ofertada neste mercado neste início de ano, o equivalente a 3,5 mil MWh. Isso significa um impacto aproximado de 1 bilhão de reais em seu caixa, levando em consideração um preço médio de 393 reais/MWh em janeiro. “Elas (distribuidoras) terão de pagar até a segunda semana de fevereiro essa conta. E se o PDL se mantiver em seu preço máximo (822 reais/MWh), essa conta pode passar de 2 bilhões de reais no pagamento de março”, afirma.



Escrito por SALSFI às 17h31
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   Preço da Energia dispara

 

Leia também: 


Governo federal busca saída para caixa da Eletrobras  
Aneel publica aviso do leilão das linhas de Belo Monte

Ao invés de deficitárias, as distribuidoras devem acumular sobras de 3% a 5% de oferta de energia para conseguirem sustentabilidade econômica. Mas, com os últimos leilões frustrados, a conta não fechou e é possível que elas continuem precisando de ajuda do Tesouro para arcar com suas contas. Este cenário piora ao se constatar que 2014 indica dificuldade fiscal e necessidade de corte de gastos. “O Tesouro precisará cobrir o custo das térmicas ligadas e o preço alto no mercado livre. Dificilmente vai repassar para o consumidor porque é ano eleitoral. Mas, depois das eleições, um aumento da conta de luz será inevitável”, comentou Adriano Pires, consultor de energia e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). “Tudo isto está acontecendo por um erro de política do governo, que resolveu que tinha de baixar o preço (da energia) e que controlava a lei da oferta e da demanda do setor”, acrescentou. Para ele, o governo "quebrou" a Eletrobras — empresa mais prejudicada pela promessa de desconto da conta de luz.

Impacto das térmicas - O religamento das termelétricas também impactou diretamente o PDL recorde. Tais usinas garantem, hoje, a oferta de energia no país, uma vez que o Brasil tem dificuldades em aumentar sua capacidade de armazenamento nas hidrelétricas. Contudo, o custeio das térmicas requer gastos altíssimos — especialmente para as que funcionam à base de óleo diesel. “O mercado já está incorporando no PDL o uso das termelétricas mais caras”, afirmou Rego, da Excelência Energética.

Durante todo o ano passado, a geração de energia por usinas térmicas foi 75% maior que em 2012. O custo do acionamento ficou em aproximadamente 9 bilhões de reais. Com as distribuidoras em dificuldades financeiras para arcar com esse rombo – elas só repassam uma vez no ano o aumento de custos ao consumidor – o Tesouro Nacional atuou como 'caixa forte' da conta de luz e cobriu o montante com dinheiro público injetado na Conta de Desenvolvimento Energética (CDE). Tal valor não foi dado às empresas, mas financiado. Isso significa que em 2018 o contrato vencerá e as distribuidoras terão de repassar integralmente ao consumidor seus gastos com as térmicas. Assim, na melhor das hipóteses, o desconto imposto pela presidente Dilma Rousseff será retirado aos poucos nos anos que virão. Na pior, será retirado de uma só vez, penalizando ainda mais o consumidor e impactando a inflação



Escrito por SALSFI às 17h28
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   Preço de Energia dispara

Nem na época do racionamento em 2011 a energia no mercado livre estava tão cara



Escrito por SALSFI às 17h27
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Setor elétrico

Governo federal busca saída para caixa da Eletrobras

Opções na mesa são o empréstimo de R$ 2,6 bilhões da Caixa Econômica, que havia sido cancelado ano passado, e a venda das distribuidoras de energia

Eletrobras poderá vender distribuidoras à iniciativa privada

Eletrobras poderá vender distribuidoras à iniciativa privada (Adriano Machado/Bloomberg)

O governo federal pretende solucionar a situação financeira da Eletrobras no primeiro trimestre. A estratégia da equipe econômica e da direção da estatal envolve a retomada de um empréstimo de 2,6 bilhões de reais da Caixa à estatal, que será usado para sanar dívidas com o fundo setorial Reserva Global de Reversão (RGR). Outra medida em estudo é uma solução para as distribuidoras de energia ligadas ao grupo, que podem ser vendidas.

Afetada pela perda de receita com a renovação das concessões de geração e transmissão de energia em 2012, no âmbito da redução da conta de luz, a Eletrobras foi uma das empresas que mais perderam valor de mercado nos últimos meses. Recuperar parte dessa perda é um dos objetivos do governo, já que ela é responsável por boa parte dos investimentos do setor no país.

Aprovado pelos conselhos de administração da Eletrobras e da Caixa Econômica Federal no fim do ano passado, o financiamento de 2,6 bilhões de reais foi suspenso pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em dezembro depois que a operação foi avaliada pelo mercado como outra manobra na área fiscal.

No fim do ano passado, o presidente do Conselho de Administração da Eletrobras, Márcio Zimmermann, também secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, disse que o financiamento poderia ocorrer em 2014. Segundo ele, as condições da operação são vantajosas para a companhia.

Leia mais: Empréstimo da Caixa para Eletrobras pode sair em 2014​
Eletrobras contrai dívida bilionária para pagar dividendos à União  

O primeiro passo para a retomada do empréstimo foi dado nesta terça-feira. Em despacho publicado no Diário Oficial da União, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cobrou da Eletrobras o ressarcimento, nos próximos 30 dias, de uma dívida de aproximadamente 2 bilhões de reais com a RGR, acumulada entre 1998 e 2011. "A fiscalização da Aneel detectou uma diferença entre os valores financiados aos agentes do setor elétrico e devolvidos à Eletrobras e que não foram repassados à conta da RGR", explicou o órgão regulador.

A operação é vantajosa ao governo. A RGR é um dos pilares que sustentam uma das principais medidas do governo Dilma, a redução da conta de luz. Sem recursos desde maio do ano passado, o fundo tem sido abastecido pelo Tesouro Nacional, que vende papéis no mercado para levantar o dinheiro. Com o empréstimo, o volume de títulos poderia ser reduzido neste ano.

Da parte da Caixa, não haveria nenhuma dificuldade em liberar o empréstimo: não haverá entraves para o desembolso, desde que sejam preservadas as condições já aprovadas. Segundo uma fonte a par das negociações, "até o momento", o banco estatal não recebeu pedido da Eletrobras ou do Tesouro para retomar a operação. A Eletrobras não comentou o assunto.

Leia ainda: Tesouro emite R$ 1,5 bilhão em títulos para custear desconto na conta de luz  
Lobão diz que nova regra de tarifa de conta de luz foi adiada a pedido da Aneel

Distribuidoras - No governo, a visão consensual é de que a estatal deveria concentrar sua atuação em geração e transmissão de energia e reduzir sua atuação na área de distribuição, que são as empresas que vendem energia diretamente ao consumidor.

No caso da Eletrobras, essas unidades acumulam prejuízos e contam com graves problemas de gestão e pioram o balanço geral da empresa. Deveriam, por isso, ser vendidas, segundo integrantes do governo. Mas há dúvidas se há interesse do mercado nessas empresas. Por isso, outro caminho avaliado é encontrar um sócio privado e deixar o controle das empresas.


Na visão do governo, se o balanço da Eletrobras for divulgado sob a égide do plano de privatização das distribuidoras, aliado ao empréstimo com a Caixa, a reação do mercado poderá ser positiva. Questionada sobre isso, a estatal informou que a situação das distribuidoras está em análise e que nenhuma possibilidade pode ser descartada no momento.



Escrito por SALSFI às 17h21
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