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Medidas cambiais têm sérios efeitos colaterais, diz ex-diretor do BC


SÃO PAULO - As medidas do governo para tributar o mercado de derivativos cambiais têm pouco grau de eficácia para evitar a valorização do real e traz sérios efeitos colaterais, diz o ex-diretor do Banco Central e sócio da Mauá Sekular Investimentos, Luiz Fernando Figueiredo. Um desses efeitos colaterais pode ser exportar o mercado brasileiro de derivativos, reduzindo a capacidade do governo de monitorar as posições das empresas e instituições locais, que passariam a fazer hedge no exterior.

Do lado da eficácia, a medida deve ter pouco efeito, como mostrou a cotação do dólar hoje, que disparou mas ao longo do dia caiu. Isso ocorre porque o que está derrubando o dólar são os investimentos, em portfólio ou diretos, junto com a antecipação de exportações e a postergação de importações, lembra Figueiredo. “O investimento financeiro já diminuiu barbaramente e, no caso dos derivativos, seu efeito é apenas na margem”, diz. A medida, portanto, pega apenas um pedaço do  balanço de pagamento que é muito pequeno. “Atiraram numa formiguinha e deixam o elefante, que são os investimentos, passar”, diz.

Segundo Figueiredo, a exportação do mercado de derivativos brasileiro pode dificultar o acompanhamento das posições das empresas, reduzindo a transparência. “Na crise de 2008, o problema maior foram contratos de derivativos feitos no exterior, não aqui”, diz.  Há ainda um aumento enorme do custo de transações para quem exporta ou precisa fazer hedge, lembra o gestor. “E as medidas tomadas após 2008 pelo governo e Comissão de Valores Mobiliários são boas o suficiente para que os problemas das empresas não voltem a acontecer.”

Ele acha também que não faz sentido o Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliar as margens de garantia dos mercados futuros. “Na crise de 2008, a BM&F elevou barbaramente as margens, não foi preciso medidas do governo”, lembra.

Figueiredo acredita também que, dependendo da forma como for regulamentada a medida, ela acabará com o mercado de opções de câmbio futuro — onde o impacto do novo imposto seria maior, quase o dobro do mercado futuro. Os gestores de recursos também devem deixar de operar no mercado futuro de câmbio ou reduzir expressivamente as posições, pois já começariam com um custo de 1%. “Além disso, se a cobrança do imposto for feita pela variação das posições, o gestor vai pagar imposto um dia quando o valor dos contratos subir e, no dia seguinte, quando os contratos caírem e ele perder, ele não vai poder compensar, uma situação absurda”, diz.

A medida atingirá também diretamente os fundos de investimento no exterior, que compram cotas de outros fundos fora do país. Muitos desses fundos fazem hedge, ou seja, se protegem no mercado futuro, vendendo dólar, para evitar que a variação cambial interfira nos ganhos obtidos no exterior. “O fundo vai começar já com uma perda de 1% na cabeça”, diz Figueiredo, lembrando que, ironicamente, esse tipo de carteira ajuda a segurar o dólar, pois investe no exterior.

 



Escrito por SALSFI às 07h27
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Ivo Ribeiro | Valor

Participação da CSN na Usiminas sobe e ultrapassa 10%

 

 

27/07/2011 20:52
Tex

 

Rodrigo Baleia/Folhapress

SÃO PAULO - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou hoje à noite, em comunicado, que elevou sua participação acionária no capital da concorrente Usiminas. Por meio de aquisições de papéis ordinários e preferenciais, passou a deter 10,84% de ações ON e 10,20% de títulos PN.

Tanto a CSN quanto a Usiminas são siderúrgicas fabricantes de aços planos no país e, juntas, detêm mais de 70% do mercado brasileiro desse produto.

No fato relevante, a siderúrgica controlada por Benjamin Steinbruch voltou a reiterar que “continua avaliando alternativas estratégicas com relação a seu investimento na Usiminas”. A empresa havia expressado essa intenção em fato relevante divulgado em 27 de janeiro deste ano.

O desejo de Steinbruch  é assumir o controle da Usiminas em algum momento ou ser um acionista com posição relevante, que possa interferir na gestão e poder extrair sinergias operacionais entre as duas empresas. A Usiminas é controlada por um consórcio japonês liderado pela Nippon Steel, pelos grupos brasileros Camargo Corrêa e Votorantim e, até 2016, pelo Clube dos Empregados da Usiminas (CEU).

Um próximo passo de Steinbruch deverá ser a exigência de indicação de um representante da CSN no conselho de administração da Usiminas dada à sua participação, que agora já representa mais de 10% do capital total da siderúrgica mineira.

(Ivo Ribeiro | Valor)



Escrito por SALSFI às 07h15
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