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Estratégia: Meta é fornecer a cliente de softwares até equipamentos

Oracle avança em esforço para tornar-se 'tudo em um'

João Luiz Rosa | De São Paulo
01/07/2011
Ana Paula Paiva/Valor



Escrito por SALSFI às 16h40
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Luiz Meisler, vice-presidente da Oracle: "Ao adquirir uma empresa de software, você compra capital humano"

Quando a Oracle começou a acelerar sua política de aquisições, em meados da década passada, não faltaram críticas à companhia. Desde 2005, a fornecedora americana de software gastou mais de US$ 42 bilhões em compras - o que incluiu lances surpreendentes como a aquisição da Sun Microsystems, em 2009, por US$ 7,4 bilhões. Entre os clientes, o temor era de que a Oracle interrompesse de uma hora para outra as linhas de produtos herdadas, obrigando-os a comprar tudo novo, da própria Oracle. No caso específico da Sun, esse receio era reforçado por uma curiosidade: por que, afinal, uma companhia de software compraria uma fabricante de equipamentos, algo raro no setor, ainda mais considerando a situação difícil da Sun?

Agora, passada a fase de absorção da maioria das empresas compradas, o desenho que emerge da Oracle responde a essas dúvidas ao marcar com traços fortes um modelo até então só delineado - o de se transformar em uma fornecedora de toda a infraestrutura tecnológica de que as grandes companhias precisam, incluindo servidores, os computadores que administram os recursos das redes empresariais.
"Ao adquirir uma empresa de software, o que você está comprando é seu capital humano", diz Luiz Meisler, vice-presidente-executivo da Oracle para a América Latina. Em outras palavras, isso significa ter acesso não só aos produtos existentes, mas aos cérebros capazes de garantir as inovações futuras, um ativo essencial em um setor que vive de novidades.
Com as aquisições, a Oracle montou, pedaço a pedaço, um portfólio de programas que vão de seus conhecidos bancos de dados - destinados a empresas de quaisquer áreas de atividade - até softwares específicos, com aplicação dirigida a setores como telecomunicações, serviços públicos, varejo e bancos, entre outras áreas muito dependentes de tecnologia da informação (TI).
Desde 2005, companhia investiu mais de US$ 42 bilhões em aquisições para reforçar portfólio
O esforço parece estar surtindo efeito. No trimestre mais recente, encerrado em maio, as vendas globais de novas licenças de software - um indicador importante porque antecipa vendas futuras - aumentaram 19%, para US$ 3,74 bilhões, superando as expectativas de analistas e ficando no topo das projeções da própria Oracle. Entre os analistas, a estimativa média era de algo em torno de 13,5%.
Em vez de desaparecer, como se temia, as empresas compradas acabaram crescendo ao funcionar como divisões internas da Oracle, diz Meisler. O segredo, afirma o executivo, foi manter "intocadas" três atividades que as caracterizavam: vendas, desenvolvimento de produtos e suporte técnico. "A Siebel [de software para gerenciar clientes, comprada em janeiro de 2006] tinha 20 funcionários na América Latina; hoje, tem mais de 300, com um faturamento dez vezes superior", afirma.
O medo de que os produtos fossem descontinuados também parece afastado. A Oracle adotou uma política de contratos ilimitados, diz Meisler. O cliente pode usar o produto adquirido por quanto tempo quiser - e, enquanto isso, a Oracle se compromete a dar suporte técnico. Ao mesmo tempo, a companhia periodicamente lança produtos diferentes, desenhados pelas equipes das empresas compradas. "Com isso, temos novos aplicativos Oracle, mas com cara de PeopleSoft [comprada em 2005], por exemplo", explica o executivo.
Agora, com a experiência de integrar companhias de software, a Oracle pode dedicar-se a seu maior desafio recente: ser bem-sucedida no mercado de equipamentos, no qual ingressou com a Sun Microsystems, conhecida por ser a criadora da linguagem de programação Java.
As principais armas para desafiar concorrentes experientes e poderosos no setor, como a IBM e a Hewlett-Packard (HP), atendem pelos nomes de exadata e exalogic. O primeiro é um servidor com memória flash - uma maneira de acelerar o acesso à informação -, que pode ser vendido separadamente ou junto com a crescente variedade de softwares da companhia. O exalogic é o integrador de aplicativos, a ponte para interligar um programa a outro.
Mais de mil servidores exadata, uma das principais armas da empresa, já foram vendidos no mundo
Desde que lançou o exadata, no ano passado, a Oracle instalou mais de mil sistemas no mundo. Para atrair o interesse dos clientes, a companhia acena com a chance de economizar no custo de manutenção dos equipamentos. Os preços variam bastante, mas a empresa enfatiza a possibilidade de fazer a chamada consolidação, trocando muitos equipamentos por um número menor deles, mais eficientes. "Na Europa, uma empresa substituiu 34 servidores comuns por apenas quatro exadatas", diz Meisler.
Na América Latina, a lista de clientes inclui o banco Santander, o Pão de Açúcar e a Piraquê. O Santander decidiu usar o exadata depois da integração com o banco Real. Os problemas incluíam do crescimento do volume de dados à falta de espaço físico nos centros de dados. Em menos de dois meses, informa o banco, 25 ambientes críticos - conjuntos de sistemas essenciais - passaram a adotar a tecnologia da Oracle. A redução do tempo para fazer cópias de segurança caiu de 20 para 2 horas, segundo o Santander.
A estratégia da Oracle de oferecer de tudo se contrapõe à postura da arquirrival alemã SAP. No início do ano, em entrevista ao Valor, Jim Snabe, coexecutivo-chefe da SAP, disse achar que essa é "fundamentalmente a direção errada". A posição da SAP, ao contrário, é permanecer focada nos programas de gestão, que controlam atividades como vendas, recursos humanos etc.
A lógica para a SAP é que com a computação em nuvem - o modelo pelo qual programas e dados ficam armazenados em centros de dados, sendo acessados via internet - não faz sentido tentar posicionar-se como um fornecedor único, já que o ambiente é marcado pela diversidade tecnológica.
A nuvem também interessa à Oracle, mas sob uma abordagem diferente. "Um dia, tudo irá para a nuvem, mas não sei quando isso vai ocorrer", diz Meisler. "Por enquanto, vamos ter um meio-termo." A ideia é que muitas empresas ainda vão preferir ter seus próprios centros de dados, numa espécie de nuvem particular.
Não importa a velocidade com que a nuvem se imponha, nem quem controle os centros de dados, a Oracle também enxerga a oportunidade de vender servidores para as companhias que prestam os serviços. É essa parte da estratégia, no entanto, que a companhia ainda tem de provar.
Na semana passada, a Oracle divulgou nos Estados Unidos que suas vendas de equipamentos caíram 6% no trimestre, para US$ 1,16 bilhão, o que decepcionou o mercado - a previsão feita pela companhia em março era de um aumento entre 6% e 12%. Como consequência, as ações caíram e Wall Street, nervosa, voltou a se perguntar se o preço pago pela Sun não foi excessivo.

A resposta depende da reação do mercado nos próximos meses. A Oracle já calou o ceticismo dos críticos mais de uma vez anteriormente. Se fará isso de novo é o que todos querem saber.

 



Escrito por SALSFI às 16h39
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