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Infraestrutura: Estudo aponta que mudança na matriz energética reduz custo, mas sem benefício ao consumidor

Fonte alternativa atenuará gasto com térmica

O aumento da capacidade de geração de energia elétrica por fontes alternativas - biomassa, eólica e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) - e a antecipação do início da operação da usina de Santo Antônio, no rio Madeira, para dezembro de 2011, devem diminuir em R$ 4 bilhões o gasto com geração térmica no país até 2019.

A economia representa uma redução de 7,8% contra um cenário sem as fontes alternativas, segundo levantamento da consultoria Excelência Energética com base no Plano Decenal de Expansão de Energia 2019, da Empresa Pesquisa Energética (EPE). Isso porque, diferente das térmicas, essas usinas não requerem compra de combustível.

"Quando as usinas termelétricas são chamadas a operar, o gasto com combustível leva o preço da energia para patamares de R$ 600 o megawatt/hora, muito acima do preço das demais fontes, como a eólica, que foi vendida a R$ 130", diz Erik Rego, diretor da Excelência Energética. Apesar dessa economia, o gasto com energia termelétrica continuará subindo, com um crescimento médio de 5% ao ano. De 2010 a 2019, o estudo estima que devem ser gastos R$ 49 bilhões com a operação de térmicas. Sem as fontes alternativas, a despesa seria de R$ 53 bilhões.

Em dez anos, a geração de energia térmica deve crescer 100%, o que vai representar um aumento de participação na oferta total do sistema de 4,6% para 6,4%. O plano decenal de energia, ainda em consulta pública, prevê que a entrada de novas usinas a gás encerra em 2014, e a óleo, em 2013. A geração de energia elétrica por fontes alternativas crescerá 146% até 2019, com sua representatividade no sistema passando de 8% para 13%. A hídrica, por sua vez, cresce apenas 41% no período, e tem sua participação reduzida de 84% para 78%.

O movimento já era esperado, pois com a construção de usinas hidrelétricas a fio d'água (sem reservatórios), a tendência é haver maior necessidade de acionamento de outras fontes principalmente no período seco do ano (de maio a outubro).

O impacto sobre o custo da geração de energia térmica começará em 2012, com queda de 12%, reflexo da antecipação da usina hidrelétrica de Santo Antônio, com geração de 2.140 megawatts (MW) médios. A partir de 2013, a queda se acentua para um patamar de 20% com a entrada das fontes alternativas contratadas nos últimos leilões realizados em agosto. São 1159 megawatts (MW) médios de energia gerada a partir de PCHs, eólicas e biomassa a entrar no sistema a partir de 2013, gerados por 70 centrais eólicas, 12 termelétricas à biomassa e 7 (PCHs), um investimento de R$ 9,7 bilhões.

A redução no custo de geração térmica, porém, não deve representar alívio para os consumidores. A previsão, segundo Erik Rego, diretor da Excelência Energética, é de que o custo para o consumidor atendido pelas distribuidoras cresça entre 25% a 30% acima da inflação até 2015. De 2015 a 2019, sem a perspectiva de entrada em operação de novas termelétricas, a expectativa é de que o custo fique estável. "Essa evolução não considera o valor dos investimentos, o que significa que o impacto sobre as tarifas deve ser ainda maior", diz Rego.

Para Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, o uso das térmicas não deve ser visto como algo negativo. "A energia termelétrica faz parte do nosso sistema elétrico. Se ela é mais cara na geração, por conta do gasto com combustível, as demais têm os gastos com o investimento, que também influencia na tarifa", diz ele.

Segundo o planejamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a participação das hidrelétricas na capacidade instalada do sistema elétrica passará dos atuais 74% para 70% em 2019. O peso das térmicas por sua vez, crescerá de 14% em 2010 para 15% em 2019. A diferença é preenchida pelas fontes alternativas - de 10% para 13%, sendo que a nuclear permanece com 2% de representatividade.

Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, entidade que representa os grandes consumidores de energia, diz que o que interessa para a indústria é ver o preço final do insumo, o que envolve não só o custo da geração. "Além do combustível, temos o custo da transmissão, com a geração de energia em locais distantes, a venda de energia hidrelétrica mais barata no leilão sustentada por um preço maior no mercado livre ", diz o dirigente. Segundo ele, o setor está preocupado com o aumento de custo.

Flávio Neiva, presidente da Abrage, associação dos geradores de energia, critica a opção do governo em investir em usinas sem reservatórios. Segundo ele, essa escolha significa a redução da garantia fixa das hidrelétricas e a necessidade maior de uso de fontes mais caras. "Utilizar reservatórios traz vantagens como enfrentar períodos de hidrologia desfavorável e aproveitar outros usos, como o turismo", diz.

 

 

Aneel recomendou uso de usinas a óleo para garantir nível de reservatórios do NE

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recomendou sexta-feira, em reunião do Comitê do Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que as termelétricas movidas a óleo com custo de até R$ 456,00 por MWh fossem acionadas para garantir o nível mínimo dos reservatórios das hidrelétricas do Nordeste. As usinas da região estão cada dia mais secas em função do fenômeno La Niña. Mas o diretor-geral em exercício da Aneel na ocasião, Edvaldo Santana, foi voto vencido. O comitê decidiu não acionar as usinas, mesmo que isso signifique que o nível-meta de segurança seja violado.

A decisão foi tomada, segundo o Ministério de Minas e Energia, com base em uma nota técnica do Operador Nacional do Sistema (ONS), que entendeu que é possível esperar um período mais chuvoso no Sudeste e Centro-Oeste do país nos meses de novembro e dezembro. Com os reservatórios mais cheios nessas regiões, as térmicas a gás natural, que hoje estão a pleno vapor, poderiam continuar gerando para suprir a necessidade de preservar reservatórios no Nordeste.

A questão é que a decisão do CMSE pode afetar diretamente os preços de liquidação de diferenças (PLD), que seria o equivalente ao preço de mercado à vista da bolsa de valores. Pelas regras hoje estabelecidas, se o nível-meta dos reservatórios for violado o PLD é afetado pelo preço da última térmica acionada e isso pode significar uma explosão de preços do submercado Nordeste.

A conta seria paga pelos agentes expostos ao mercado à vista, inclusive pelos consumidores livres que possuem fábricas no Sudeste, mas compraram energia de hidrelétricas no Nordeste. O PLD nesta semana para a região ultrapassou R$ 254,00. No Sudeste, chegou a R$ 140,00. Se os preços subirem ainda mais, vão afetar todo o mercado livre.

Todos os procedimentos operativos indicam a necessidade do uso das usinas movidas a óleo combustível ou diesel com o custo de até R$ 456,00 por MWh, e segundo o Valor apurou foi por isso que a Aneel fez a recomendação de acionamento dessas térmicas. O ONS só pode acionar essas usinas com a autorização do CMSE. O ONS está preocupado com a falta de chuvas e já recomendou, informalmente, aos donos das usinas termelétricas do Nordeste, para manterem estoques suficientes do combustível com o objetivo de começar a operar em novembro, se for preciso. Isso significa que, no curto prazo, não existe risco de desabastecimento.

Alguns agentes temem que a decisão tenha um componente político. Acionar térmicas movidas a óleo combustível indica para o pior cenário, ou seja, de o período seco se estender para além de novembro e, com isso, provocar a falta de energia suficiente para atender a demanda.

Além disso, as térmicas a óleo geram encargos ao consumidor. Os níveis dos reservatórios não param de cair e nesta semana o ONS pediu que a usina de Angra II, que gera cerca de 1.300 MW, adie para 1º de novembro a data de uma manutenção programada para acontecer neste fim de semana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por SALSFI às 14h42
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   Secretário do Tesouro dos EUA quer regras que ajudem a conter déficits comerciais

Geithner: 'Nós gostaríamos que os países caminhassem em direção a um conjunto de normas para a política cambial'

Damian Paletta e David Wessel | The Wall Street Journal
21/10/10
2010
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, diz que espera usar o encontro dos ministros econômicos do G-20, no fim de semana, para avançar no esforço de "reequilibrar" a economia mundial, de modo que ela se torne menos dependente dos consumidores americanos, para caminhar em direção à criação de "normas" para uma política cambial e para convencer os outros de que os EUA não têm como objetivo desvalorizar sua moeda como meio de conseguir prosperidade.

 

Em uma entrevista ao "Wall Street Journal", Geithner disse que o mundo precisa muito chegar a um acordo de diretrizes para uma política cambial. "No momento, não existe uma noção estabelecida sobre o que é justo", disse ele.

Ele também falou que os EUA estão pressionando o Grupo de 20 nações industriais e em desenvolvimento para adotar padrões numéricos para julgar se déficits ou superávits comerciais individuais são "sustentáveis", uma forma de medir o progresso em direção à meta de um crescimento global mais equilibrado.

Geithner vai se reunir com seus colegas do G-20 na Coreia do Sul neste fim de semana, num momento de amplo ceticismo em relação à capacidade de uma organização de economias tão diferentes entre si, como a Argentina, a França e os EUA, para desativar tensões cambiais.

O ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, alertou para "uma guerra cambial internacional". O primeiro-ministro da Índia, Mammohan Singh, disse que está "preocupado com a situação global". O presidente do Banco da Inglaterra (BC), Mervyn King, alertou para o risco de protecionismo a menos que "a necessidade de agir pelo interesse coletivo" seja reconhecida.

As autoridades americanas minimizaram as chances de um comunicado oficial importante depois do encontro de ministros no sábado. Os coreanos preferiram segurar qualquer grande anúncio para o encontro de líderes do G-20, em Seul, em novembro.

"As pessoas estão tentando descobrir o que é de seu interesse", disse Geithner. "Não é um teste que você resolve em duas semanas. Vai levar de 3 a 5 anos. Queremos fazer do G-20 uma instituição mais promissora."

Sobre o câmbio, Geithner disse: "Nós gostaríamos que os países caminhassem em direção a um conjunto de normas para a política cambial".

Autoridades dos EUA dizem que as condições ainda não estão maduras para um acordo cambial global como o Plaza, de 1985, para reduzir o valor do dólar. O objetivo, disse aos repórteres uma outra autoridade de alto escalão do Tesouro americano, é um acordo para "busca de uma estratégia cooperativa" que, mesmo sem promessas explícitas, levaria a China e outros países menores a permitir a valorização de suas moedas.

Geithner dividiu as moedas mundiais em três grupos. Em um, ele coloca países com moedas "subvalorizadas por qualquer medida", especialmente a China. Ele disse, entretanto, que se o ritmo de apreciação visto desde setembro for sustentável, isso ajudará a corrigir a subvalorização. Outros países emergentes também têm um papel nisso, disse.

"Se a China soubesse que se agisse mais rapidamente outros países também acompanhariam, seria mais fácil para ela fazer isso", disse Geithner.

Em um segundo grupo, ele coloca "países emergentes com regimes de câmbio flexíveis que intervêm ou impõem taxas para tentar reduzir os riscos de valorização significativa, de bolhas ou pressões inflacionárias". Os EUA não se opõem a esses esforços.

No terceiro grupo, ele põe "as principais moedas, que basicamente estão alinhadas agora", sugerindo que ele não vê a necessidade de que o dólar caia mais do que já caiu em relação ao euro ou ao iene. Geithner enfatizou que os EUA não estão perseguindo uma política deliberada de desvalorização do dólar. Esta semana, falando em Palo Alto, na Califórnia, ele disse que nenhum país pode "desvalorizar como um meio para conseguir prosperidade e competitividade".

No fim das contas, uma economia global sólida exige esforços para conter os superávits comerciais de países voltados para a exportação, como a China, e para reduzir os déficits de países ávidos por importações, como os EUA.

"O resto do mundo quer que nós poupemos mais - e isso significa menos demanda dos EUA para o resto do mundo. A demanda terá que vir de outras fontes."

Os países do G-20 concordaram com normas para uma política fiscal no seu encontro em Toronto. Agora, os EUA estão buscando medidas com a mesma amplitude para os fluxos comerciais e saldos de conta corrente.

"Nós estamos encorajando nossos parceiros a colocar mais carne no esqueleto de um compromisso de reequilibrar", disse Geithner. "Estamos verificando se é possível que concordemos com o compromisso de manter os desequilíbrios externos em níveis mais sustentáveis, fazendo concessões para os diferentes tipos de países, como os produtores de commodities."

As autoridades americanas estão esperançosas de que a China, que projeta que seu déficit em conta corrente ficará ao redor de 4% do produto interno bruto nos próximos anos, acompanhe. Mas um porta-voz do Ministério do Comércio chinês, Yao Jian, disse na semana passada: "Outros países não têm o direito de comentar qual o nível razoável do superávit comercial de um país".



Escrito por SALSFI às 14h13
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Guerra cambial e doença holandesa

Luiz Carlos Bresser-Pereira |
14/10/2010 

Depois do colapso do regime de Bretton Woods, a palavra de ordem foi câmbio flutuante. O resultado foi grande aumento da frequência e intensidade das crises financeiras. Depois de 2008, a palavra da vez não é "guerra cambial", que teria sido começada pelos Estados Unidos quando procuraram desvalorizar o dólar, mas que só ganhou esse nome quando o Japão, recentemente, interviu violentamente no mercado do iene para sustar sua valorização. Agora os ministros da economia do G-7 querem que o Fundo Monetário Internacional (FMI) formule novas normas que impeçam a guerra cambial. Para isso, seus economistas deverão abandonar o pressuposto de que o mercado controla bem as taxas de câmbio e admitir que elas voltem a ser administradas, mas no quadro de um acordo que buscaria equilibrar as contas correntes dos países, fazendo-as girar em torno de zero.

Se esse acordo é difícil entre os países ricos, entre eles e os países em desenvolvimento é praticamente impossível. A causa dessa dificuldade está clara para poucos, mas já é intuída pelos governos dos países em desenvolvimento. Esses países têm interesse em receber empresas multinacionais que lhes tragam tecnologia, mas, como acontece com a China, não precisam nem devem incorrer em déficits em conta corrente. O verdadeiro equilíbrio de suas economias não é consistente com esses déficits, como sempre se supôs, nem mesmo com conta corrente zerada, mas com superávit em conta corrente. Não precisam de "poupança externa" para crescer. Déficits em conta corrente apenas levam à sobreapreciação da taxa de câmbio, a mais consumo e geralmente a pouco aumento do investimento.

A explicação para essa asserção contraintuitiva está no fato de que praticamente todos os países em desenvolvimento sofrem, ainda que em graus diferentes, da doença holandesa. Sua taxa de câmbio é definida por commodities que usam recursos naturais abundantes e baratos cujas exportações são lucrativas com uma taxa mais apreciada do que aquela necessária às demais indústrias de bens comercializáveis utilizando tecnologia no estado da arte. Isso vale também para os países asiáticos dinâmicos que, ao invés de recursos naturais abundantes e baratos, contam com mão de obra barata e um diferencial de salários muito maior do que nos países ricos. Se esses países não administrarem sua taxa de câmbio, ela será definida pelas indústrias manufatureiras de baixa tecnologia que utilizam mão de obra não especializada; em consequência, os setores industriais mais sofisticados, que usam mais engenheiros e trabalhadores qualificados, tornam-se não competitivos internacionalmente mesmo que utilizem a tecnologia mais moderna.

Os economistas deverão abandonar o pressuposto de que o mercado controla bem as taxas de câmbio

Para que esses países diversifiquem suas economias e se industrializem, precisam neutralizar essa grande falha de mercado. Precisam deslocar a taxa de câmbio do equilíbrio "corrente" para o "industrial" - para o nível que viabiliza indústrias utilizando a melhor tecnologia. Essa neutralização é feita com o controle completo da taxa de câmbio, como faz a China, ou então por meio de um imposto sobre a exportação do bem que dá origem à doença holandesa. Para os países produtores de petróleo cujo custo de exploração é muito baixo, o imposto necessário pode ser superior a 95% em relação ao valor da exportação. Para países com doença holandesa menos grave, como é o caso do Brasil (devido a recursos naturais) ou da China, devido à mão de obra barata e ao leque salarial grande, o imposto necessário deve girar em torno de 20% a 25%.

Considerado constante o preço internacional da commodity, um imposto proporcional à gravidade da doença holandesa neutraliza essa sobreapreciação porque desloca para cima a curva de oferta do bem em relação à taxa de câmbio e, assim, a leva do equilíbrio corrente para o industrial. Suponhamos que a taxa de câmbio de equilíbrio corrente no Brasil (aquela que equilibra intertemporalmente a conta corrente do país) seja de R$ 2,00 por dólar, e que a taxa de câmbio estivesse nesse equilíbrio.

Nesse caso, se o governo concluísse que a taxa de câmbio de equilíbrio industrial (aquela que tornaria competitivas indústrias utilizando a melhor tecnologia mundial sem qualquer outro auxílio ou proteção) fosse de R$ 2,60 por dólar, e se a soja fosse o único bem que originasse doença holandesa, um imposto sobre a exportação de R$ 0,60 por dólar exportado levaria os exportadores de soja a se recusarem a continuar produzindo e exportando a essa taxa de câmbio porque essa lhes daria prejuízo. Sua recusa continuaria até que a taxa de câmbio subisse para R$ 2,60. Estariam, assim, deslocando para cima sua curva de oferta. Em consequência, a taxa de câmbio se deslocaria para o equilíbrio industrial, e a doença holandesa estaria neutralizada.

Quando um país desloca sua taxa de câmbio do equilíbrio corrente para o industrial ele necessariamente realiza um superávit em conta corrente. Se todos os países que enfrentam a doença holandesa compreenderem esse fato (como começaram a compreender) e a neutralizarem (o que não é fácil), todos terão um superávit em conta corrente, e, em consequência, os países ricos terão um déficit em conta corrente. Um déficit que terão que pagar transferindo a propriedade de ativos (títulos, ações, imóveis) para residentes dos países em desenvolvimento.

Portanto, a tendência é que os países em desenvolvimento transfiram capitais para os países ricos, e não o inverso como parece mais natural. Os grandes superávits que diversos países em desenvolvimento estão experimentando e os fundos soberanos que estão criando já refletem esse fato. É necessário um acordo mundial sobre taxas de câmbio, e esse acordo só será alcançado se forem feitas concessões mútuas. Mas não é provável que os países em desenvolvimento concordem em fazer acordos para zerar seus superávits em conta corrente.

Luiz Carlos Bresser-Pereira economista, é professor da FGV/SP



Escrito por SALSFI às 13h35
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Contratação Rápida Eleva Gravidade dos Acidentes de Trabalho

Marta Watanabe | De São Paulo -  28/10/2010
As empresas tiveram mais dias de trabalho perdidos em 2009 por conta de acidentes de trabalho. Também houve elevação do custo médio de cada acidente. Os dois dados indicam que aumentou a gravidade dos acidentes.

Essa é uma das conclusões de levantamento da Marsh Risk Consulting, em pesquisa com 86 empresas, 540 locais de trabalho e um total de 193,7 mil trabalhadores. Segundo o estudo, em 2009, o conjunto das empresas pesquisadas perdeu 31.894 dias por conta de afastamento de trabalhadores por acidentes no local de serviço. O número significa alta de 35% em relação ao ano anterior.

Para Sergio Duarte Cruz, consultor responsável pela pesquisa, o dado é preocupante. "O crescimento foi maior do que o acréscimo de 30,5% no número de trabalhadores pesquisados, " diz.

O levantamento foi realizado com empresas das áreas de metalurgia, alimentos, papel, varejo, além de fabricantes de produtos químicos e têxteis. A pesquisa leva em consideração acidentes no local do trabalho e de trajeto. Não entraram na contabilização as doenças ocupacionais.

Com o aumento no número de dias afastados, houve elevação no custo médio de cada acidente. No ano passado, o desembolso estimado por acidente foi de R$ 3,9 mil, o que significa um aumento de 68,5% em relação a 2008. No ano passado, foram registrados 2.213 acidentes, o que significa alta de 11% em relação ao ano anterior.

Para Cruz, a elevação de gravidade está relacionada ao aumento dos acidentes de trajeto e também com a necessidade de rápida contratação por causa do mercado aquecido. Isso, explica o consultor, aumenta o nível de terceirização e reduz o tempo de treinamento e integração dos funcionários.

Os acidentes de trabalho têm tido repercussão maior na carga tributária das empresas. O estudo da Marsh também verificou o impacto do nível de sinistralidade no Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Segundo pesquisa com 64 empresas de médio e grande porte, 80% delas tiveram aumento nas alíquotas da contribuição ao Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) desde janeiro de 2010, quando entrou em vigor o novo cálculo do FAP.

O FAP é uma forma de cálculo utilizada para bonificar empregadores que tenham feito melhorias nas condições de trabalho e apresentado menores índices no número de acidentes. Ao mesmo tempo, a equação eleva a carga do SAT para empresas com nível de acidentes superior à média de seu setor econômico. O FAP varia ano a ano e é calculado levando em conta os dois últimos anos. Trata-se de um cálculo feito por empresa.

Para Cruz, o resultado surpreende, já que poucas empresas conseguiram reduzir as alíquotas do SAT. Das 64 companhias analisadas pela seguradora, explica, 31 empresas tiveram aumento acima de 31% nas alíquotas da contribuição, enquanto seis empresas sofreram elevação entre 21% e 30%. Outras 16 empresas tiveram acréscimo de até 20%.

Atualmente, o SAT é pago pelos empregadores nas alíquotas básicas de 1%, 2% e 3% sobre a folha de salários. Com o FAP, porém, a alíquota efetiva passa a ser definida pelo desempenho de cada empresa. As empresas que melhorarem os índices de acidentes em relação ao seu segmento econômico podem ser beneficiadas com redução de até 50% em suas alíquotas, enquanto os empregadores com desempenho negativo podem sofrer elevação de carga de até 100%.



Escrito por SALSFI às 13h14
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Eleições: Críticas do presidente da Petrobras à gestão anterior levantam debate sobre governança corporativa

Acionistas reagem a Gabrielli em campanha

Graziella Valenti | De São Paulo - 21/10/2010
Gabrielli: presidente da Petrobras alega que defendeu modelo de negócios e não se envolveu na campanha
Protagonista nas campanhas presidenciais de 2002 e 2006, a Petrobras voltou ao centro do debate eleitoral este ano, mas com um ingrediente inédito. A própria empresa, na figura de seu presidente, José Sergio Gabrielli, expôs-se na defesa da candidatura Dilma Rousseff (PT). O executivo saiu publicamente em campanha, ao atacar a administração da estatal durante a gestão do PSDB e defender a administração atual . É a primeira vez que o executivo-chefe da maior empresa brasileira expõe-se no debate eleitoral.


Escrito por SALSFI às 12h57
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