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   O alto risco de um efeito dominó da tragédia grega

O alto risco de um efeito dominó da tragédia grega

Editorial de Valor -04/02/10

É disfarçável o preconceito embutido na sigla Piigs, formada pelas iniciais em inglês de Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, grupo de países da zona do euro.

Os Piigs (porco em inglês) estão em péssima situação fiscal e ameaçam o futuro da União Europeia (UE), bloco de 27 membros lançado em 1999. Eles se contrapõem aos Bric (que lembra "brick", tijolo), das economias mais ascendentes da atualidade, Brasil, Rússia, Índia e China.

A Grécia, que entrou para a UE em 2001, é a bola da vez. No ano passado, o déficit público grego chegou a 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB), mais de quatro vezes a meta da União Europeia de 3%. Mas sua situação não é única. Para enfrentar a crise, salvar bancos, irrigar o mercado e bombear recursos para ativar a economia, os mais diversos governos tiveram que se endividar. Outro membro dos Piigs, a Itália, tem um déficit de 12,2%; a Espanha, de 11,4%; e Portugal, de 9,3%.

Mas alguns países têm uma situação mais vulnerável por depender mais do financiamento externo para bancar sua dívida. A taxa média de poupança dentro da União Europeia é de 20% do PIB. Espanha e Irlanda estão perto dessa faixa. Já a Grécia, com uma poupança de apenas 7,2% do PIB, e Portugal, com 10,2%, contam mais com o investidor estrangeiro, que se retraiu e passou a exigir juros mais elevados para comprar os títulos da dívida desses países.

Os governos da zona do euro tomaram €110 bilhões dos mercados até agora neste ano, volume recorde, pressionando mais as taxas. Na semana passada, os bônus gregos atingiram a taxa mais elevada em 10 anos, chegando a 7,25% ao ano; a taxa recuou depois para 6,2%, 3,44 pontos acima do juro pago pela Alemanha. O bônus português chegou a 4,21%. O "credit default swap" (CDS) da Grécia, que sinaliza a possibilidade de calote do país, atingiu 400 pontos. Alguns desses países passaram a ser considerados mais arriscados do que mercados emergentes. A taxa do CDS do Brasil, por exemplo, está abaixo de 150 pontos.

A União Europeia chegou a discutir um plano de salvamento da Grécia, no estilo do resgate de Abu Dhabi pelos demais emirados árabes. Uma voz relutante é a da Alemanha. Há dúvidas jurídicas se o Tratado de Maastricht, que estabeleceu as bases da UE, permite o salvamento de um membro pelos demais. Uma alternativa da Grécia seria recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que tem mecanismos de condicionalidades e supervisão.

A situação pode melhorar agora que a Grécia apresentou um plano de ajuste fiscal considerado mais consistente, que recebeu apoio da Comissão Europeia, ontem. A Grécia promete reduzir o déficit para 2% em 2012, abaixo dos 3% exigidos por Maastricht. Mas terá que fazer um ajuste forte, combinando corte de salários do setor público e aumento da arrecadação, o que depende da confirmação de expectativas consideradas otimistas demais de recuperação econômica. Esse ponto não caiu bem uma vez que a Grécia está com a reputação comprometida por ter recentemente maquiado grosseiramente informações de suas contas públicas.

Outros Piigs também prometeram ajustes recentemente, mas não tão fortes quanto a Grécia. A Espanha anunciou que vai reduzir o déficit para a meta de 3% do PIB em 2013. O governo português quer cortar o déficit para 8,3% neste ano e levá-lo abaixo de 3% em 2013. Os planos podem ser dificultados pela desaceleração econômica. A previsão é que a economia portuguesa deve crescer 0,7% neste depois de ter encolhido 2,7% em 2009. A França tem um programa de estabilização que promete reduzir o déficit a 3% do PIB a partir de 2013, passando por 8,2% neste ano; 6% em 2011 e 4,6% em 2012. A projeção embute a expectativa de crescimento de 2,5%.

Um final feliz para a tragédia grega não parece fácil uma vez que os investidores estão retraídos e demandam garantias dos outros membros da UE. A própria UE precisa armar-se para administrar crises internas. Até porque os países não estão isolados. Reino Unido e Irlanda têm em carteira 23% da dívida grega; a França, 11%; a Itália 6%; a Alemanha, Áustria e Suíça concentram cerca de 9%; e os três países do Benelux, mais 6%. Daí a preocupação com um efeito dominó. Não é por outro motivo que o mercado voltou-se contra os títulos portugueses ontem, enquanto os juros dos papéis gregos cediam.



Escrito por SALSFI às 07h23
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Dividendo da Eletrobrás abre rombo nas contas do governo


Josette Goulart e Beatriz Cutait, de São Paulo -0 4/02/2010

A decisão de antecipar o pagamento de dividendos, anunciada ontem pela Eletrobrás, holding de energia estatal, vai fazer com que o Tesouro Nacional tenha que arrumar R$ 2,5 bilhões para manter o superávit fiscal entre fevereiro e junho deste ano, pois não contava com a saída dos recursos antes de junho.

O representante do Tesouro Nacional no conselho da administração da Eletrobrás não gostou da decisão, segundo revelou uma fonte da empresa ao Valor. Mas os conselheiros entenderam que uma vez que foi decidido pagar os dividendos não há mais por que esperar para fazer o pagamento.

O motivo alegado pela empresa para antecipar o pagamento é que o custo de carregamento da dívida dos dividendos pela Eletrobrás (de taxa Selic mais 8,75% ao ano) é mais alta do que o seu próprio custo de captação no mercado financeiro. A ideia, entretanto, ainda é a de usar o próprio caixa da companhia para fazer o pagamento.

A antecipação foi divulgada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e ontem a Eletrobrás confirmou a informação, por meio de comunicado enviado ao mercado. Diz o comunicado que a companhia vai pagar a primeira parcela dos dividendos no dia 26 deste mês. A previsão inicial era de que o pagamento fosse feito somente no dia 30 de junho.

A companhia informou ainda que as datas de pagamento das demais parcelas estão mantidas para os dias 30 de junho de 2011, 2012 e 2013. Mas acrescentou que também essas poderão ter o pagamento antecipado.

Ao anunciar no fim de janeiro o pagamento do saldo da reserva especial de dividendos, uma conta que ultrapassa R$ 10 bilhões, a Eletrobrás pôs fim a uma pendência de mais de 30 anos.

No caso das ações ordinárias (com voto), o valor do dividendo corresponderá a R$ 11,36 por papel e cada parcela anual será de R$ 2,84 por ação. A PNB, que dá direito a R$ 0,1824, terá parcela de R$ 0,045. A PNA pagará R$ 3,61 por ano, completando R$ 14,44. Segundo a companhia, antes da data de pagamento, será divulgado um aviso aos acionistas com os valores atualizados pela taxa Selic.

Na bolsa de valores, ação preferencial (sem direito a voto) PNB fechou ontem em queda de 5%, cotada a R$ 31,35. No ano, a queda acumulada é de 0,64%. A ação ordinária caiu 4,56% ontem, para R$ 27,20. No ano, acumula alta de 4,51%.

A decisão de antecipar o pagamento de dividendos, anunciada ontem pela Eletrobrás, holding de energia estatal, vai fazer com que o Tesouro Nacional tenha que arrumar R$ 2,5 bilhões para manter o superávit fiscal entre fevereiro e junho deste ano, pois não contava com a saída dos recursos antes de junho.

O representante do Tesouro Nacional no conselho da administração da Eletrobrás não gostou da decisão, segundo revelou uma fonte da empresa ao Valor. Mas os conselheiros entenderam que uma vez que foi decidido pagar os dividendos não há mais por que esperar para fazer o pagamento.

O motivo alegado pela empresa para antecipar o pagamento é que o custo de carregamento da dívida dos dividendos pela Eletrobrás (de taxa Selic mais 8,75% ao ano) é mais alta do que o seu próprio custo de captação no mercado financeiro. A ideia, entretanto, ainda é a de usar o próprio caixa da companhia para fazer o pagamento.

A antecipação foi divulgada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e ontem a Eletrobrás confirmou a informação, por meio de comunicado enviado ao mercado. Diz o comunicado que a companhia vai pagar a primeira parcela dos dividendos no dia 26 deste mês. A previsão inicial era de que o pagamento fosse feito somente no dia 30 de junho.

A companhia informou ainda que as datas de pagamento das demais parcelas estão mantidas para os dias 30 de junho de 2011, 2012 e 2013. Mas acrescentou que também essas poderão ter o pagamento antecipado.

Ao anunciar no fim de janeiro o pagamento do saldo da reserva especial de dividendos, uma conta que ultrapassa R$ 10 bilhões, a Eletrobrás pôs fim a uma pendência de mais de 30 anos.

No caso das ações ordinárias (com voto), o valor do dividendo corresponderá a R$ 11,36 por papel e cada parcela anual será de R$ 2,84 por ação. A PNB, que dá direito a R$ 0,1824, terá parcela de R$ 0,045. A PNA pagará R$ 3,61 por ano, completando R$ 14,44. Segundo a companhia, antes da data de pagamento, será divulgado um aviso aos acionistas com os valores atualizados pela taxa Selic.

Na bolsa de valores, ação preferencial (sem direito a voto) PNB fechou ontem em queda de 5%, cotada a R$ 31,35. No ano, a queda acumulada é de 0,64%. A ação ordinária caiu 4,56% ontem, para R$ 27,20. No ano, acumula alta de 4,51%.



Escrito por SALSFI às 07h16
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OGX prevê até 900 milhões de barris em poço na Bacia de Campos

Valor - 03/02/10




Escrito por SALSFI às 07h11
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Neoenergia se beneficia de atuação no Nordeste


    Vera Saavedra Durão, do Rio
    29/01/2010

Vera Saveedra Brandão - 29/01/10

Uma forte alta no lucro no quarto trimestre e o bom momento econômico vivido pelo Nordeste ajudaram a Neoenergia, controlada por Previ, Banco do Brasil e pela espanhola Iberdrola, a fechar 2009 com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, montante 7,6% maior que o ganho apurado em 2008.

Dona da concessão de três distribuidoras no Nordeste - Coelba (BA), Celpe (PE) e Cosern (RN) -, uma térmica em Pernambuco e detentora de participações societárias em 14 hidrelétricas, a Neoenergia teve receita líquida de R$ 6,9 bilhões, 10,7% superior aos R$ 6,2 bilhões de 2008. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) somou R$ 2,6 bilhões e a empresa fechou o ano com R$ 2,7 bilhões em caixa para realizar investimentos e aquisições. Isso depois de ter distribuído R$ 600 milhões em dividendos aos acionistas em 2009.

O lucro líquido do quarto trimestre, que colaborou muito para o resultado positivo do balanço do ano, foi de R$ 518 milhões, 26% maior que no último trimestre de 2008. O lajida trimestral somou R$ 830,1 milhões, 20,6% acima do apurado no quarto trimestre do ano anterior.

O presidente da Neoenergia, Marcelo Corrêa, atribuiu o aumento do lucro líquido e do lajida da companhia ao crescimento de 3,6% no volume de energia distribuída aos consumidores das três distribuidoras nordestinas. Embora a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tenha apurado queda de 1,1% no consumo de energia no país em 2009, houve alta no Nordeste. Além disso, as distribuidoras da Neoenergia tiveram um avanço de 4,4% na base de clientes por conta do Programa Luz Para Todos.

No ano passado, a Neoenergia investiu R$ 1,7 bilhão em distribuição e ampliação de seus ativos de geração. Em 2010 deverá continuar a focar em geração e estudar aquisições em ativos que possam dar retorno dentro de limites fixados pelos acionistas. Em 2009, a Neoenergia chegou a estudar a compra de participação na CPFL, mas desistiu. Em 2007, mostrou interesse pela AES Eletropaulo, mas o leilão foi suspenso pelo BNDES.

Este ano, Corrêa confirma que o grupo estuda participar de um consórcio para disputar a usina de Belo Monte. Negou, porém, que Vale, CPFL e Neoenergia já tenham fechado consórcio para disputar o negocio. Também confirmou que permanece nos planos dos acionistas da Neoenergia abrir capital na bolsa. "Mas isso só será feito se precisarmos reforçar nosso caixa para adquirir algum ativo. O que ainda não ocorreu."

Ao divulgar ontem os números do grupo em 2009, Corrêa evitou comentar informações que circularam no mercado de que a companhia estaria na mira de grupos nacionais interessados em seus ativos. Ele limitou-se a dizer que "a Neoenergia não está à venda". Para analistas do setor de energia, quem quiser dar um lance pelo grupo terá que estar disposto a desembolsar no mínimo R$ 20 bilhões.

No momento, a Neoenergia está trabalhando em duas frentes de novos projetos de geração. A companhia aguarda licença ambiental do Ibama e do órgão ambiental do Estado do Paraná para iniciar obras da hidrelétrica de Baixo Iguaçu, com potência de 350 MW, que ganhou em disputa com a Copel em 2008. Como a licença ainda não foi liberada, a Aneel ainda não assinou o contrato de concessão da obra. Para julho, Marcelo Corrêa prevê a entrada em operação da hidrelétrica de Dardanelos, em Mato Grosso, com potência de 261 MW, uma das maiores da Neoenergia.



Escrito por SALSFI às 08h59
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Câmbio, poupança e os vendedores de ilusão

Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso - Valor 29/01/10

Muitos economistas têm defendido a adoção de uma taxa real de câmbio desvalorizada como estratégia de desenvolvimento, no intuito de preservar a competitividade de vários setores industriais nacionais ameaçados pela valorização cambial. Como exemplo de sucesso a ser copiado apresentam os países asiáticos, onde o acelerado crescimento econômico vem acompanhado de uma taxa real de câmbio competitiva, sem pressão inflacionária. Teria o Brasil condições de emular a estratégia asiática, sem provocar a elevação da inflação?

A resposta à pergunta acima é categoricamente negativa, pois o modelo asiático está calcado em uma alta taxa de poupança doméstica, inexistente no Brasil. É importante compreender por que, de posse de uma poupança doméstica elevada, os bancos centrais asiáticos conseguem facilmente manter a taxa real de câmbio desvalorizada sem provocar inflação. Um banco central que decida manter a taxa real de câmbio mais desvalorizada do que o determinado pelo mercado precisará comprar dólares dos exportadores. Se as compras forem pagas com emissão monetária, cedo ou tarde surgirão pressões inflacionárias. A fim de evitar a inflação, a emissão monetária decorrente da acumulação de divisas terá que ser esterilizada mediante venda de títulos do próprio banco central - ou de títulos do governo que estejam em seu ativo. Quando a poupança doméstica é alta, esses títulos são facilmente colocados no mercado interno, mesmo a taxas de juros baixas, pois há poupadores dispostos a comprá-los. Entretanto, diante de uma poupança doméstica baixa, o banco central não consegue neutralizar a pressão monetária provocada pela acumulação de divisas, gerando inflação.



Escrito por SALSFI às 08h35
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 Como exemplo de comparação com o caso brasileiro, tome-se a China, país cuja poupança doméstica - pública mais privada - alcança 45% do PIB, enquanto no Brasil ela é de apenas 17%. A poupança pública chinesa é elevada por dois motivos. Primeiro porque o governo não precisa arcar com elevadas despesas previdenciárias, pois lá não existe um programa previdenciário em regime de repartição deficitário como aqui. No Brasil, diferentemente, apesar de sua população relativamente jovem, os gastos com aposentadorias e pensões - INSS e servidores públicos -, transferem a gigantesca fração de 12% do PIB às famílias, equivalente a um terço da enorme carga tributária de 36% do PIB brasileiro.

O segundo motivo é o fato de que, nos principais setores da economia chinesa, há uma empresa hegemônica estatal que, por operar como monopolista - ou quase isso - tem alta margem de lucro, que contribui para a poupança pública. Vale lembrar que, num país com mercado de capitais em estágio embrionário, é natural que as empresas estatais chinesas dependam de lucros retidos para financiar seus investimentos. Ademais, num regime politicamente fechado como o chinês, o governo desconsidera pressões populares por redução de margens de suas estatais. O mesmo fenômeno se observava na década de 1970 no Brasil. No Brasil democrático atual, as estatais são frequentemente chamadas a dar sua contribuição para a redução das pressões inflacionárias, reduzindo a poupança pública.



Escrito por SALSFI às 08h28
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Quanto à poupança privada chinesa, ela é alta porque a inexistência de um sistema previdenciário público estimula a poupança pessoal. Diante da perspectiva de insuficiência de renda na velhice, o chinês humilde que migrou do interior para trabalhar nas grandes cidades opta voluntariamente por poupar metade de sua renda do trabalho. Como consequência, o consumo pessoal chinês é de apenas 35% do PIB, cerca de metade da fração observada no Brasil.

Os chineses poupam muito e os brasileiros muito pouco. Isso não ocorre porque os brasileiros são intrinsecamente diferentes dos chineses, mas porque reagem a incentivos econômicos muito distintos. Um trabalhador brasileiro de baixa renda, caso atue no setor formal, não tem estímulo a poupar, pois receberá aposentadoria integral do INSS. Se estiver no setor informal, terá direito ao LOAS, um benefício mensal de um salário mínimo - equivale a mais de um terço da renda per capita nacional -, mesmo que nunca tenha contribuído para o INSS. No caso do trabalhador de classe média, se for servidor público, não terá incentivo a poupar, pois receberá aposentadoria integral. Somente os trabalhadores da classe média alta do setor privado têm incentivos a poupar, pois receberão do INSS uma renda mensal inferior ao salário pré-aposentadoria.

Os dólares comprados pelo banco central chinês são aplicados no exterior, sobretudo em títulos da dívida pública norte-americana, o que explica as gigantescas reservas internacionais chinesas. Do ponto de vista macroeconômico, o banco central chinês atua como um intermediário financeiro entre o poupador chinês e o tesouro norte-americano. Isso significa que, no futuro, quem pagará a aposentadoria do trabalhador chinês que hoje poupa metade de sua renda será o contribuinte norte-americano das próximas décadas.

O Brasil só poderia cogitar uma estratégia de crescimento do tipo asiática se adotasse medidas destinadas a aumentar significativamente a poupança doméstica. Mas isso exigiria um novo pacto intergeracional completamente distinto daquele fixado pela Constituição de 1988. As gigantescas pressões pelos aumentos de gastos sociais observados nas duas últimas décadas, a resistência à reforma de nosso sistema previdenciário concentrador de renda, o tabu em relação à cobrança de mensalidade no ensino superior público, para citar apenas alguns exemplos de compromissos constitucionais do Tesouro, refletem a opção da sociedade brasileira por um modelo de desenvolvimento distinto do asiático.

O espetacular crescimento dos tigres asiáticos baseou-se na conjugação de enorme taxa de poupança doméstica, elevado investimento em educação e em infraestrutura, e economia aberta ao comércio internacional. Ao benefício do crescimento acelerado e baixa inflação correspondeu o sacrifício do adiamento do consumo, o esforço educacional e a resistência aos lobbies protecionistas.

Os entusiastas do modelo de crescimento econômico asiático deveriam apresentar também seus custos. Não podem vender ilusões à sociedade brasileira. Além da valorização cambial, há outras dificuldades enfrentadas diariamente pelos empresários brasileiros, como a voracidade tributária do Estado, o cipoal de regulações impostas por diversos órgãos das três esferas de governo, os achaques de fiscais que vendem facilidades criadas por aquelas regulações, a má qualidade da mão de obra, a lentidão da Justiça, o elevado spread bancário, para citar apenas algumas.

Por que eleger a taxa de câmbio a solução miraculosa de toda essa gama de distorções resumida na expressão Custo Brasil? Em vez de apresentarem o câmbio real desvalorizado como o ovo de Colombo do crescimento, a fórmula mágica e indolor que geraria crescimento sem sacrifícios, eles deveriam defender as eternamente adiadas reformas estruturais destinadas a aumentar a poupança pública e privada no Brasil.

Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso são professores da EPGE-FGV/RJ



Escrito por SALSFI às 08h15
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Escrito por SALSFI às 07h54
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