SALSIFI INVESTMENTS
   EDITORIAL

 
 
VALE É EXCEÇÃO EM AMBIENTE CONTURBADO
 
Salvador Sícoli Filho - 01/11/2008
 
Grandes ícones vulneráveis às armadilhas dos derivativos submergem no caos de operações discutíveis.
 
 
Como era presumível a Vale vem fazendo a readequação de suas atividades ao novo cenário mundial.
 
Este horizonte nublado, descortinado por nós pela primeira vez em artigo ao JB de 25/08/2007, foi taxado de terrorista por outros veículos  que refutaram na ocasião a sua publicação.
 
Esta nova perspectiva foi  caracterizada material e brutalmente a partir de 15/09/2008 quando um erro de cálculo do FED não impediu a quebra do Lehmann Brothers Corp, um dos maiores bancos de investimento do mundo e que gerou a explosão em cadeia do sistema financeiro mundial, ao contrário das operações bilionárias de salvamento do AIG Group e das instituições de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddy Mac.
 
A quebra do sistema bancário americano  carregou consigo ícones tradicionais do mercado mundial que somente respiram artificialmente hoje graças ao oxigênio maciço de governos americanos, europeus e asiáticos e seus respectivos BCs.
 
Nem os inexpugnáveis suíços escaparam da tormenta e os tradicionais axiomas de Zurich foram ignorados e sepultaram gigantes como o UBS e o CS.
 
A especulação desenfreada e a alavancagem irresponsável e criminosa conduziram à falência também algumas opulentas e repentinamente destroçadas empresas exportadoras brasileiras.
 
Muitas informações sonegadas. Algumas empresas que relutam em abrir a realidade nos balancetes do 3° trimestre, vitais para uma radiografia mais precisa de suas aplicações e contratos de operações financeiras.
 
Os exemplos de Aracruz e Sadia assustaram pelas proporções e pela surpreendente pouca transparência em abrir a caixa preta de suas exóticas ações especulativas.
 
Poucas escaparam. 
E os bancos usaram os mesmos ardis tanto para grandes empresas  quanto para pequenas com receita em dólar ou não atraindo-as para os contratos Target Forward firmados em mercados de balcão e repassados por eles ao mercado em operações na BMF & Bovespa. 
 
Neste tipo de operação os bancos atuaram comprados em dólar com limite de perdas e tinham como contrapartes empresas pactuadas na razão "dois para um" vendidas em dólare impedidas de operação inversa a não ser nas datas dos vencimentos,
 
Um verdadeiro e temerário, para dizer o mínimo, ato de suicidio financeiro corporativo, que põe em xeque não somente a austeridade mas própria idoneidade de executivos de primeira linha. E não há como se afastar da linha de raciocínio, a suspeição de algo pior só porque somos nativos e temos a eterna e despudorada mania de ajeitar e dar jeitinho nas coisas. Fraudes financeiras devem ser punidas com multas altas e até prisão dos responsáveis.
 
A fatura está muito alta para dividir entre desavisados acionistas que acreditaram em símbolos, investiram em empresas sólidas de setores que seriam altamente beneficiados com o fim da fantasia do real hiper-valorizado e acabaram descobrindo micos travestidos de hedge funds especulativos.
 
Ao contrário do que disse nossa sumidade maior, estas empresas apostaram na ilusória e inexpugnável fortaleza do real valorizado, não o contrário.
 
Assim e mais uma vez, o bravo sr. Henrique Meireles tão elogiado pelos distraídos e despreparados cidadãos que curtem a ociosidade no Congresso, e as bravatas governamentais deu a vitória por nocaute esmagador ao sistema financeiro inaugurando para o mundo o nosso sub-prime tupiniquim.
 
A extorsão de incautos por contratos feitos com ponderação indevida e onde o único hedge era o do "contraparte bancária" correndo ilimitado o risco da "contraparte empresa".
 
Contratos de nulo pleno direito gerado pelo desequilíbrio conceitual intestino!
 
Até agora não se compreende a ausência de intervenção do Governo, do BC, da CVM e o porque de as empresas - com raras e honrosas exceções - não terem recorrido contra contratos ilegítimos em sua origem e predatórios e inequânimes em seu conceito perante tribunais ou cortes de arbitragem.
(vide artigo nosso a respeito em www.salsificonsult.zip.net)
 
Estas fantásticas operações alavancadas chegaram segundo a CETIP ao nível de US$ 90 bilhões, quase a metade das nossas tão propagandeadas reservas cambiais, na verdade tão parcas e frágeis que tiveram de ser reforçadas nesta semana pelo aporte de US$ 30 bilhões do FED americano.
 
Assim no vaivém das bolsas pelo mundo, continua a via crucis dos atordoados investidores apequenados em sua desdita com a falta de regulação dos mercados aliviados pela inação principalmente do governo americano que de há mais duas décadas patrocina a farsa dos juros baixos e isenções fiscais para seus vorazes consumidores, conduzindo a déficits fiscais e na balança comercial que cada vez mais sinalizavam para o réquiem de uma economia prestes a decretar sua bancarrota.
 
Roga-se à  China, assentada e incentivada pelo governo americano, a não desmanchar suas reservas assustadoras de US$ 1, 8 trilhões, o que poderia dizimar de vez o sistema financeiro mundial malgrado a farta e monumental aberração das emissões de países pelo mundo a imprimir dinheiro para salvar bancos e endividar contribuintes.
 
Não se vislumbram hoje milagres à vista.


Escrito por SALSFI às 18h12
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   --- Em sex, 31/10/08, Vale Investor Relations <rio-vale@infoinvest.com.br> escreveu:
De: Vale Investor Relations <rio-vale@infoinvest.com.br>
Assunto: Vale ajusta sua produção ao cenário econômico global
Para: "SALVADOR SÍCOLI FILHO" <salsificonsulting@yahoo.com.br>
Data: Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008, 8:21

Vale ajusta sua produção ao cenário econômico global

 
Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2008 -
 
A Companhia Vale do Rio Doce (Vale) informa que está adotando medidas para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global.
 
A intensificação da crise financeira global a partir de setembro deste ano aprofundou de maneira substancial seu impacto recessivo sobre a economia global. 
 
Uma das conseqüências desse processo é o forte efeito negativo sobre a produção do aço, tendo em vista sua relevância para a produção industrial e a construção civil. Desse modo, a indústria siderúrgica em diversas regiões do mundo vem anunciando significativos cortes de produção, estimados em aproximadamente 20% da produção global em 2007, e com implementação imediata.
 
 
Tendo em vista que a única utilização do minério de ferro é na fabricação do aço, sua demanda sofreu direta e imediatamente o efeito da retração da produção siderúrgica. Ao mesmo tempo, a produção de minério de ferro, realizada em grande escala e que por isso demanda estreita integração mina-ferrovia-porto-transporte marítimo, torna inviável sua destinação para a formação de estoques na expectativa de recuperação da demanda. Não há simplesmente espaço físico disponível para a acumulação de estoques envolvendo dezenas de milhões de toneladas de minério de ferro.
 
A contração da produção industrial global também afetou consideravelmente a demanda por metais básicos, como o níquel e o alumínio, já tendo resultado em significativa acumulação de estoques.
 
O novo cenário global exige, portanto, que a Vale ajuste seus programas de produção em diversos países, o que implicará em redução de ritmo relativamente aos níveis praticados até setembro de 2008.  Acreditamos que esta decisão neste momento contribuirá para minimizar riscos de maiores danos no futuro, sobretudo no que diz respeito aos nossos empregados e as comunidades onde possuímos operações.
 
Nesse contexto, a Vale decidiu diminuir a produção de minério de ferro em volume equivalente a 30 milhões de toneladas métricas anuais. Para isso, paralisaremos a partir do dia 1 de novembro de 2008 as atividades de algumas minas, produtoras de minérios de menor qualidade, localizadas nos Sistema Sul e Sudeste, no estado de Minas Gerais.
 
Estas unidades apresentam maior custo e produzem minérios de qualidade inferior relativamente aos demais produzidos pela Vale.
 
No futuro, esses minérios poderão enfrentar dificuldades de colocação, tendo em vista a redução de demanda já verificada. Portanto, essa é uma ação que visa adequar a oferta da Vale à situação de mercado, evitando a estocagem desnecessária de produtos.
 
Assim, como decorrência das paralisações acima mencionadas, nossos empregados nessas unidades entrarão em férias coletivas.
 
Duas plantas de produção de pelotas, representando cerca de 20% de nossa capacidade nominal de produção de pelotas, farão parada para manutenção a partir do mês de novembro.
 
Nossas atividades produtivas de minério de manganês e ferro ligas no Brasil estarão paralisadas durante os meses de dezembro de 2008 e janeiro de 2009. 
 
Na França, a planta de ferro ligas de Dunkerque permanecerá desativada até abril de 2009, enquanto que na Noruega, na planta de Mo I Rana, a parada para a reforma de um forno se estenderá até junho de 2009. 
Dessa forma, haverá redução de produção de 600.000 toneladas métricas de minério de manganês e 90.000 toneladas métricas de ferro ligas relativamente ao programado para o primeiro semestre de 2009.
 
Na Indonésia, estamos deixando de utilizar energia de geração termoelétrica e de custo mais elevado, o que levará a corte na produção de níquel da ordem de 20%, representando 17.000 toneladas métricas. Adicionalmente, a refinaria de níquel em Dalian, na China, se manterá operando a 35% de sua capacidade nominal de 60.000 toneladas métricas anuais.
 
No alumínio, decidimos reduzir as atividades de nossa subsidiária integral Valesul Alumínio S. A. (Valesul), no Estado do Rio de Janeiro, que opera com custos relativamente elevados, especialmente em função do alto custo de energia elétrica, insumo extremamente importante para a produção do metal. Tendo em vista a necessidade do cumprimento de obrigações contratuais, a produção da Valesul será limitada a 40% de sua capacidade nominal de 95.000 toneladas métricas anuais.
 
O comportamento da demanda por caulim para revestimento de papel nos impõe a desaceleração de nossas atividades. Conseqüentemente, a produção de caulim em nossa subsidiária CADAM S. A., localizada no estado Amapá, respectivamente, será reduzida em 30% relativamente à sua capacidade nominal de produção.
 
Dada sua confiança nos fundamentos de longo prazo dos mercados de minérios e metais, a Vale implementará o plano de investimentos para 2009 conforme anunciado em 16 de outubro de 2008, o que certamente contribuirá para a geração de milhares de empregos no futuro.


Para mais informações, contactar:
+55-21-3814-4540
Roberto Castello Branco: roberto.castello.branco@vale.com
Alessandra Gadelha: alessandra.gadelha@vale.com
Marcus Thieme: marcus.thieme@vale.com
Patricia Calazans: patricia.calazans@vale.com
Theo Penedo: theo.penedo@vale.com
Tacio Neto: tacio.neto@vale.com
Esse comunicado pode incluir declarações que apresentem expectativas da Administração da Companhia sobre eventos ou resultados futuros. Todas as declarações quando baseadas em expectativas futuras e não em fatos históricos envolvem vários riscos e incertezas. A Companhia não pode garantir que tais declarações venham a ser corretas. Tais riscos e incertezas incluem fatores relativos à economia brasileira e ao mercado de capitais, que apresentam volatilidade e podem ser afetados por desenvolvimento em outros países; relativos ao negócio de minério de ferro e sua dependência da indústria siderúrgica, que é cíclica por natureza, e relativo a grande competitividade em indústrias onde a Vale opera. Para obter informações adicionais sobre fatores que possam originar resultados diferentes daqueles estimados pela Companhia, favor consultar os relatórios arquivados na Comissão de Valores Mobiliários - CVM e na U.S. Securities and Exchange Commission - SEC, inclusive o mais recente Relatório Anual - Form 20F da Vale.



Escrito por SALSFI às 17h59
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Juros mais baixos são apenas um paliativo
Daniele Camba30/10/2008
 

 
Aconteceu o que o mercado já esperava: o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) cortou os juros em meio ponto percentual, caindo para apenas 1% ao ano, a menor taxa desde junho de 2004. Não havia uma única alma que acreditava que a queda poderia ser menor, já que, mais do que qualquer outro governo, o americano precisa fazer tudo que estiver ao seu alcance para minimizar os reflexos da crise financeira na economia real, já bastante combalida. Além do Fed, o BC da China ontem também cortou os juros em 0,27 ponto percentual, o terceiro corte em seis semanas.

Na expectativa da decisão do Fed, a Bovespa passou o dia em alta, embora bastante volátil. Assim que o corte dos juros americanos foi divulgado a alta da bolsa brasileira ameaçou perder força, juntamente com o mercado dos EUA, mas no fim dos negócios voltou a subir, com o Índice Bovespa fechando com valorização de 4,37%, aos 34.845 pontos. Segundo os analistas, a alta só não foi maior porque, quando a bolsa fechou, os investidores ficaram com as barbas de molho, esperando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) com relação a taxa básica de juros do Brasil.

Conhecendo bem o nível elevado de ortodoxia do BC local, a torcida dos investidores era para que a Selic fosse mantida nos atuais 13,75% ao ano, o que de fato aconteceu. "Se isso ocorrer, a Bovespa amanhã (hoje) tem grandes chances de abrir em alta, refletindo o fato de o BC ter percebido que a desaceleração que deve afetar o mundo é muito mais importante do que qualquer meta de inflação", dizia o diretor de uma corretora antes da decisão.

Até o fim da semana que vem, o que se espera é que uma série de outros bancos centrais espalhados pelo mundo vá na mesma direção do Fed, com o intuito de fazer algo para amenizar o tombo das economias. Amanhã, por exemplo, a expectativa é de que o Banco do Japão reduza os juros em 0,25 ponto percentual. Depois deve ser a vez do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra também fazerem o mesmo.

Bancos reativos

Se todas essas quedas de juros se concretizarem é possível que o mercado abandone de uma vez por todas o atual e acentuado movimento de desvalorização, engatando uma nova tendência de alta? A resposta, infelizmente, é não. Esse corte coordenado de juros não será a tábua de salvação do mundo. Ele servirá apenas de paliativo na desaceleração. "Os BC estão agindo de forma reativa e não pró-ativa, isso irá no máximo estancar as grandes quedas dos mercados, mas dificilmente deflagrará um novo processo de alta das ações", diz o gerente de renda variável da Modal Asset Management, Eduardo Roche.

Sobram incertezas de como será a queda da atividade econômica, mas as expectativas não são nada animadoras. Não há como uma possível recessão americana não atingir a Europa e os países emergentes. A exceção é a China, mas que deve deixar de crescer os estupendos 10% ao ano para algo como 5%, acredita Roche. É exatamente por essas projeções no mínimo sombrias que a alta das ações dos últimos dias tem muito mais o perfil de um repique de curto prazo do que de uma tendência mais consistente. "Da mesma forma que já ocorreu quatro ou cinco vezes desde que a bolsa começou a subir, em 2003, esta é uma correção entre 20% e 30% e, quando atingir esse percentual de alta, o melhor a se fazer será vender, já que as ações voltarão a cair", diz o sócio da Pentágono Asset Management Marcelo Ribeiro.

Ele acredita que o processo atual de queda das ações só deve terminar depois que realmente o Produto Interno Bruto (PIB) da China tiver caído para a casa dos 5% ao ano. A partir daí, dificilmente o mundo verá notícias tão negativas. "Esse fundo do poço deve ocorrer em algum momento do ano que vem, o mercado ficará de lado em 2010 e só em 2011 engatará uma nova alta consistente", estima Ribeiro.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

E-mail: daniele.camba@valor.com.br



Escrito por SALSFI às 01h10
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Cortar taxas, o incentivo necessário

 

John Berry - 30/10/2008
 

 
Durante dois anos depois que os preços das moradias começaram a cair e um ano depois que o estouro daquela bolha se transformou numa crise financeira, os consumidores perseveraram. Mês após mês, seus gastos, o sustentáculo da economia, continuaram aumentando.

Agora, pela primeira vez em 17 anos, a diminuição no crescimento da renda, o crédito mais escasso e a perda de patrimônio resultante da queda livre nos preços das ações - junto com os preços das moradias, que continuam caindo - levaram os consumidores a apertar os cintos. O resultado é o princípio de uma recessão, cuja profundidade ainda ninguém consegue avaliar. Várias áreas do governo, tendo o Federal Reserve (ou Fed, BC dos EUA) à frente, adotaram uma série de medidas sem precedentes para lidar com a crise financeira. É preciso, porém, uma ação mais agressiva para ajudar a restaurar a confiança dos consumidores e dos empresários e permitir às famílias e governos municipais e estaduais elevar os gastos. Esta é a melhor forma de manter a depressão o mais breve e superficial possível.

Um pouquinho de ajuda a caminho é um reajuste de 5,8% do índice de custo de vida nos benefícios mensais da Seguridade Social a partir de janeiro, o maior aumento em mais de um quarto de século. A Administração da Seguridade Social disse há alguns dias que elevará o benefício para o trabalhador aposentado médio em US$ 63 ao mês, ou um valor cumulativo de US$ 36 bilhões no próximo ano. O Fed reduziu a sua meta para a taxa básica dos juros em meio ponto percentual, para 1,5%, em 8 de outubro. A Comissão Federal do Mercado Aberto fez o mesmo mais uma vez na sua reunião de ontem, para 1%. Esta atitude já era amplamente aguardada nos mercados financeiros.

Os líderes do Congresso também estão planejando realizar uma sessão de fim de mandato após as eleições de 4 de novembro, para considerar a aprovação de um pacote de estímulo fiscal, ampliando a verba de US$ 168 bilhões passada em fevereiro, que estipulou devoluções de imposto de renda para a maioria dos contribuintes. Outra dose de estímulo é urgentemente necessária, embora deva ser muito bem elaborada. Algumas idéias em discussão, como um corte nos impostos sobre ganhos de capital, reduziriam a receita federal sem oferecer muita ajuda imediata à economia.

Dada a grave situação econômica e a necessidade de adotar uma ação imediata, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain deveriam instruir os seus assessores para começarem a planejar uma transição presidencial, para que ela possa ser posta em prática assim que o resultado da eleição se tornar conhecido.

Por exemplo, até o dia da eleição, eles deveriam saber quem desejam para secretário do Tesouro, presidente do Conselho de Assessores Econômicos e chefe do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, ou seja como for que seu equivalente possa ser chamado na próxima administração. Se possível, suas escolhas deveriam estar disponíveis poucos dias após a eleição, para assessorar o presidente eleito e o Congresso assim que começar o debate do pacote de estímulo.

Em 15 de outubro, o presidente do Fed, Ben S. Bernanke, e seu vice, Donald L. Kohn, disseram que todas as medidas tomadas até então - incluindo a injeção de US$ 250 bilhões de capital novo nos bancos dos EUA - não liberarão imediatamente os mercados de crédito congelados nem restabelecerão o crescimento econômico rapidamente. "A estabilização dos mercados financeiros é um primeiro passo critico porém, mesmo se eles se estabilizarem, como esperamos, a recuperação econômica mais ampla não acontecerá imediatamente", disse Bernanke ao Clube Econômico, em Nova York. O Tesouro está atuando o mais rápido que pode para incentivar bancos adicionais a aceitar uma infusão de capital do governo para que estes possam expandir as suas concessões de empréstimos. O departamento está atuando velozmente também para começar a comprar os problemáticos ativos atrelados a financiamentos imobiliários das instituições financeiras, no propósito de retirá-los dos balanços patrimoniais dos bancos e também para estipular preços a ativos que ainda não têm mercados prontos.

As iniciativas da Sociedade Federal de Seguro de Depósito (FDIC na sigla em inglês), de ampliar a cobertura do seu seguro e assegurar novas emissões de dívida feitas pelos bancos, e pelo Fed, para começar as aquisições de parte dos "commercial papers" diretamente dos subscritores, também demandará tempo para ajudar a liberar recursos para concessão de empréstimos.

Em suma, este é um período inoportuno para muitas dessas iniciativas de estabilização. Elas foram anunciadas, mas ainda não foram implantadas, e seus detalhes ainda não foram acertados, portanto é impossível saber que impacto terão. Qualquer que seja o pacote de incentivo a ser discutido no Congresso em fim de mandato, ele deveria se concentrar em itens que podem oferecer ajuda imediatamente. Os cortes de impostos da classe média, de US$ 500 para indivíduos e US$ 1 mil para casais, proposto por Obama, poderá se enquadrar neste anteprojeto de lei. Assim como a sua idéia de conceder US$ 25 bilhões em subvenções a governos municipais e estaduais, parte dos quais - como Virgínia e Maryland - estão falando sobre dispensas de funcionários e outros cortes orçamentários em meio à queda na arrecadação.

Mais dinheiro para investimentos em infra-estrutura, também proposto por Obama, seria menos eficaz. A proposta de McCain, de usar US$ 300 bilhões dos US$ 700 bilhões do plano de resgate para comprar hipotecas a valor de face e conceder hipotecas garantidas pelo governo aos proprietários, refletindo o menor valor das residências, poderia oferecer uma enorme receita inesperada aos cedentes de empréstimos.

A sugestão de Obama, de conceder US$ 3 mil para cada empregado que uma empresa agregar, para além de um certo patamar de empregados, não é uma má idéia. Há demasiado reboliço no mercado de trabalho mesmo em tempos normais para as autoridades tributárias saberem com certeza que as empresas não manipulam os números. E se um posto de trabalho for acrescentado em um lugar e outro cortado num outro?

Não será fácil conceber um plano coerente que realmente ajude. O presidente eleito e o Congresso precisam fazer isso acontecer.



Escrito por SALSFI às 01h04
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Hora certa para o Copom pôr fim à alta de juros
Editorial
29/10/2008

 

 
O Comitê de Política Monetária deveria interromper o ciclo de alta de juros a partir de agora. Os motivos que justificariam a cautela das autoridades monetárias ficaram para trás, diante da maior crise financeira global em mais de sete décadas. A perspectiva de um aquecimento da economia, com o crescimento da oferta correndo atrás da demanda e provocando inflação, deixou de existir. Os indicadores positivos continuam prevalecendo porque os efeitos da crise eram irrelevantes até setembro. Os sinais do que o futuro reserva para o Brasil mudaram de direção.

A rapidez com que o governo tem agido indica uma grave deterioração do cenário internacional, com repercussões domésticas importantes. O abrupto e inesperado aperto no crédito fará mais para conter a demanda do que a elevação dos juros fez até agora. Não se trata apenas de uma seletividade maior na concessão de empréstimos para pessoas físicas e jurídicas, comuns em toda virada de ciclo econômico. Os grandes bancos deixaram de repassar dinheiro para os pequenos e médios e a liberação de uma montanha de compulsórios, reivindicação perene das instituições financeiras, serviu de muito pouco até agora para aliviar a interrupção parcial da circulação do dinheiro. Além disso, desta vez não são apenas as pequenas empresas e consumidores que encontram dificuldades para obter recursos para suas atividades cotidianas, mas também as grandes empresas. Desde meados de setembro o encolhimento do crédito, ainda não totalmente mensurado, foi significativo.

Se a reação do governo à crise é um indicador importante dos riscos que ameaçam a economia, há inequívoca perspectiva de um razoável desaquecimento. Ele acenou com um pacote de recursos para as construtoras, que estariam sem capital de giro para tocar obras depois de um período de exuberante crescimento. As fontes de capitalização secaram, as do crédito encolheram e os investimentos no setor vão despencar. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acenou ontem com um inesperado e pouco crível aumento do prazo de pagamento de tributos federais, o que, como sinal, aponta um agravamento da crise além do previsto. A indústria automobilística já se adapta a um nível de demanda bem menor, depois de bater recordes de produção.

O mercado interno perdeu parte do dinamismo porque os canais de crédito emperraram. O setor exportador sofreu um baque com o corte drástico das linhas de financiamento, em um movimento que depois levou ao encarecimento do dinheiro doméstico. Por outro lado, o preço das commodities está em franco recuo e o petróleo voltou aos preços, ainda altos, de agosto de 2007. Não há mais qualquer fator que aponte para um risco inflacionário impulsionado pela demanda.

A disparada do dólar teria um potencial inflacionário importante se a economia continuasse crescendo vigorosamente. Esse não é mais o caso e a transmissão aos preços será baixa se o país diminuir seu passo para algo em torno de 2%, hipótese que se tornou plausível a partir da crise de crédito interna. É certo que o desaquecimento não será forte nem imediato e que os preços das importações, na média, estão caindo menos que o das exportações. Como as importações eram um seguro contra a alta de preços internos, haveria um perigo inflacionário à vista. Entretanto, as chances de que se materializem não são grandes. Se os investimentos encolherem - e bens de capital eram um dos maiores itens importados - e a economia desacelerar, as compras externas virão abaixo e, mesmo com a desvalorização do real, a cadeia de transmissão aos preços será substancialmente enfraquecida.

O Banco Central tomou medidas excepcionais e rápidas nos últimos dias, reconhecendo que a situação é também excepcional. Elevar os juros diante dos riscos óbvios de esfriamento da economia não fará sentido e não resolverá nenhum dos problemas imediatos que a economia enfrenta. Já é suficiente entrar em uma crise financeira internacional de proporções históricas com a maior taxa de juros do mundo - a esta altura uma triste relíquia.



Escrito por SALSFI às 07h35
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Prioridade é evitar um colapso global

 

Martin Wolf - 29/10/08
 

 
É preciso dar crédito a quem de direito: Nouriel Roubini, da Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova York, estava certo. Em 20 de fevereiro de 2008, escrevi uma coluna intitulada "Apocalipse Now" (Valor de 20/02), baseada na sua análise dos 12 passos até o desastre. Infelizmente, os EUA não só deram esses passos, como também - com a ajuda de outros, incluindo o Reino Unido - arrastaram o mundo atrás de si.

Em nota mais recente, o professor Roubini prevê uma combinação de estagnação e deflação (The Coming Global Stag-Deflation [A vinda da estag-deflação global], 25 de outubro de 2008, www.rgemonitor.com). Ao fazê-lo, ele aponta, com certo júbilo, para a mais recente análise do panorama global do JPMorgan Chase, que já esteve entre os analistas mais otimistas. Agora, sob a rubrica - "Péssima semana no inferno", o JPMorgan afirma que: "Mais uma vez, cortamos as projeções de crescimento de curto prazo para o mundo desenvolvido e provavelmente prosseguiremos com revisões adicionais para baixo para as economias emergentes nas próximas semanas. Agora mesmo, as nossas projeções indicam que o Produto Interno Bruto global se contrairá a uma taxa anual de 1% no quarto trimestre de 2008 e no primeiro trimestre de 2009".

O JPMorgan estima o encolhimento neste trimestre a uma taxa anualizada de 4% nos EUA, 3% no Reino Unido e 2% na zona do euro. Ele está projetando crescimento global de 0,4% em 2009, com as economias avançadas encolhendo 0,5% e as emergentes, em 4,2%.

Dada a quase desintegração do sistema bancário ocidental, a fuga rumo a ativos seguros, o aperto do crédito para a economia real, o colapso nos preços das ações, turbulência nos mercados cambiais, contínuas quedas acentuadas nos preços das moradias, o veloz saque de recursos dos fundos de hedge e o colapso em andamento do chamado "sistema bancário paralelo", essas projeções até parecem ser bem otimistas. O resultado no próximo ano poderá ser muito pior.

Se os governos ocidentais não tivessem feito intervenções para garantir e recapitalizar os sistemas bancários, a situação certamente teria sido pior. Apesar disso, mesmo isto não parou a confusão. Consideremos apenas duas estatísticas: a capitalização dos mercados acionários mundiais caiu à metade; além disso, segundo o mais recente "Relatório sobre a Estabilidade Financeira" do Banco da Inglaterra, as perdas a marcação de preços de mercado em instrumentos de dívida vulneráveis agora equivalem a imponentes US$ 2,8 trilhões (www.bankofengland.co.uk).

Então, o que deve ser feito? Alguns dirão: absolutamente nada. Existe uma opinião muito generalizada, especialmente nos EUA, de que o mundo precisa fazer uma grande purificação dos excessos do passado. As recessões, por essa linha de pensamento, são benéficas. As pessoas que detêm esta opinião também sustentam que os governos causaram todos os erros. Os mercados, eles insistem, seriam incapazes de cometer os erros que testemunhamos. Para eles, a confissão de Alan Greenspan na semana passada, de que "eu cometi um erro ao supor que o interesse próprio das organizações, especificamente de bancos e outros, era de tal ordem que eles seriam os mais capazes de proteger os seus próprios acionistas" foi tão bem-vinda quanto foi o punhal de Brutus para Cesar.

Curiosamente, o "Relatório sobre a Estabilidade Financeira" do Banco oferece algum respaldo a essa opinião: nos idos de 1900, os bancos dos EUA possuíam quatro vezes mais capital, relativo a ativos, do que detêm hoje. Igualmente, a liquidez dos ativos detidos pelos bancos do Reino Unido desmoronou ao longo do meio século que passou. Garantias implícitas e explícitas de governos realmente tornaram o sistema mais perigoso do que antes. A combinação dessas garantias com desregulamentação comprovou ser letal. O risco moral está longe de ser insignificante.

Apesar disso, a noção de que uma recessão rápida purificaria o mundo dos excessos passados é ridícula. O perigo é, ao contrário, o de ocorrer um colapso, à medida que uma montanha de dívida privada - nos EUA, igual a três vezes o PIB - desaba e se transforma em falência em massa. A espiral descendente começaria com uma deterioração adicional dos sistemas financeiros e continuaria através da desconfiança generalizada, desaparecimento do crédito, fechamento de grande número de empresas, desemprego ascendente, preços de commodities despencando, quedas progressivas nos preços das ações e despejos em alta. A globalização semearia a catástrofe por todos os lugares.

Grande parte das vítimas seria inocente dos excessos passados, ao passo que os mais culpados reteriam os seus ganhos obtidos de forma ilícita. Esta seria a receita, não para um ressurgimento to "laissez-faire" do século XIX, mas para xenofobia, nacionalismo e revolução. Nessas circunstâncias, estas conseqüências são concebíveis. Optar por arriscar um desfecho assim seria como decidir deixar uma cidade arder para punir alguém que tenha fumado na cama. Arriscar enormes prejuízos agora na esperança de diminuir o risco moral mais tarde é insano.

Todo o possível deve ser feito para evitar que a inescapável recessão se transforme em algo pior. Um grande número destas ações necessárias foi apresentado na coluna de Jeffrey Sachs, da Universidade de Colúmbia, anteontem (Valor, Finanças, 26 de outubro de 2008). Eu destacaria cinco pontos.

Primeiro, como argumenta John Muellbauer da Universidade de Oxford, a deflação é um perigo real ("The folly of the central banks of Europe" [a insensatez dos bancos centrais da Europa], 27 de outubro de 2008, www.voxeu.org). A deflação, porém, é letal para as economias endividadas. Hoje, as taxas de juros de curto prazo parecem demasiado elevadas na zona do euro e no Reino Unido. Os bancos centrais precisam reexaminar as suas economias e reduzir taxas em pelo menos um e, idealmente, em dois pontos percentuais.

Segundo, a única forma de deixar o setor privado se desalavancar, sem falências em massa e enormes quedas nos gastos, é substituindo o ativo que todos querem: dívida do governo. Ao contrário do professor Sachs, acredito que cortes de impostos são de fato parte da solução.

Terceiro, é crucial que a concessão de empréstimos seja mantida tanto dentro como entre economias. Depois de terem passado por tantos problemas para recapitalizar os bancos, os governos deveriam insistir que seus recursos sejam usados para suprir linhas de crédito aos mais propensos a permanecer solventes. Se os bancos se recusarem a fazer isso, os bancos centrais deverão substituí-los, como o Federal Reserve está fazendo agora.

Quarto, está no vital interesse próprio dos países de alta renda afetados manter as duramente castigadas economias emergentes solventes durante a crise.

Por fim, é igualmente evidente que o mundo não voltará ao equilíbrio se países em sólidas posições financeiras não ampliarem a demanda interna. O dia das bolhas habitacionais e de enormes déficits em conta corrente nos gastadores países de alta renda acabou. Aqueles que dependem de superávits em conta corrente para sustentar a demanda precisam pensar de novo.

Decisões tomadas ao longo dos próximos meses provavelmente moldarão o mundo por uma geração. A legitimidade da própria economia de livre mercado pode estar em risco. Aqueles que consideram a liquidação dos excessos passados como a solução não compreendem os riscos. O mesmo se aplica aos que sonham com novas ordens mundiais. Atravessemos primeiro essa crise. O perigo continua imenso e o tempo é curto.



Escrito por SALSFI às 07h10
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Zona do perigo do real
Paulo Tenani - 29/10/2008
 
 
As notícias não são de forma nenhuma positivas. Mas, com a crise financeira global, aqueles fundamentos que determinam o comportamento da moeda brasileira já se deterioraram de tal maneira que uma bolha especulativa no mercado de câmbio é uma possibilidade que não pode mais ser descartada. Não que a depreciação recente do real seja resultado de uma bolha especulativa. Pelo contrário, ela pode ser plenamente justificada pela deterioração dos fundamentos da moeda brasileira e por algumas variáveis técnicas (de curto prazo). Porém, de agora em diante, os fundamentos do real encontram-se em uma região de dinâmica particularmente perigosa, onde os riscos de a taxa de câmbio adquirir vida própria e depreciar-se independentemente dos fundamentos podem aumentar rapidamente.

Na verdade, todas as variáveis fundamentais, sejam elas oriundas do mercado de ativos ou do mercado de bens, apontam na direção de um real mais fraco. Pelo lado do mercado de ativos, a situação é crítica. Devido à diminuição do crédito global, a taxa de Risco Brasil saltou para 6% ao ano, de um mínimo de 1,6% em 2007, elevando as taxas de juros em dólares da dívida externa soberana brasileira - os chamados "yields" - para acima de 9%. Nestas circunstâncias, e aqui vem um detalhe curioso, uma Selic a 13,75% é insuficiente para compensar por todos os custos e riscos de investir na moeda brasileira. É uma situação que está em forte contraste com aquela que o Brasil vivenciou até julho de 2008, quando os "yields" estavam na casa dos 6% e uma Selic de 13,75% compensava generosamente o risco cambial. Pois este cenário mudou radicalmente. Como os "yields" em 10% ao ano, os fundamentos do real entraram na zona do perigo da taxa de câmbio, onde um movimento especulativo que dê vida própria à moeda brasileira não pode mais ser descartado. Esta dinâmica é ainda mais prejudicada pela natureza da crise atual, em que os bancos estão fragilizados e o Banco Central do Brasil talvez encontre limitações para aumentar suficientemente a taxa juros. A moeda brasileira vive, neste sentido, um momento bastante delicado.

Mas existe uma boa notícia, pelo menos em comparação com a crise de 2002. A taxa de juros real de equilíbrio - aquela que resulta, por arbitragem, destes "yields" próximos a 9% - ainda permanece compatível com uma dinâmica da dívida pública estável. Ou seja, com "yields" a 9% ao ano, uma relação dívida/PIB de 40%, crescimento econômico de 3% ao ano e um superávit primário de 3,75% do PIB, a dinâmica da dívida pública deve permanecer estável no Brasil. Além do mais, a dinâmica de transição - aquela que resulta da desvalorização cambial - é altamente favorável para a relação dívida/PIB. O que acontece é que agora, com 100% da dívida líquida denominada em reais, uma desvalorização cambial, enquanto aumenta o PIB nominal (através da inflação), mantém também a dívida líquida inalterada. Neste sentido, a recente depreciação do real deve, nos próximos meses, materializar-se em uma relação dívida/PIB abaixo dos 40% do PIB. Portanto, enquanto uma bolha especulativa no mercado de câmbio é uma possibilidade a ser considerada, o mesmo não ocorre com a Taxa de Risco Brasil. Ou seja, a experiência de 2002, com duas bolhas especulativas - uma no câmbio e outra no risco - realimentando-se mutuamente é, desta vez, uma impossibilidade.

Uma segunda força importante, vinda do mercado de ativos, também aponta na direção de um real mais fraco: a movimentação do dólar no mercado global. Na verdade, até o primeiro trimestre deste ano, a maior parte do ajuste do déficit em conta corrente americano ocorreu por meio da depreciação do dólar perante as moedas de taxas flexíveis, sobretudo o euro e a libra esterlina, mas também o real. Tanto o PIB real dos Estados Unidos quanto as moedas asiáticas - todas com câmbio fixo ou controlado - quase não contribuíam para o ajuste da conta corrente, que acabou, portanto, ocorrendo mais do que proporcionalmente por meio da depreciação do dólar perante as moedas flexíveis. Este "overshooting" do euro, da libra e do real já está no meio de seu processo de reversão. Na verdade, com os Estados Unidos entrando em recessão, e, portanto crescendo menos que a economia mundial, o lado real da economia americana finalmente veio em socorro do dólar no ajuste do déficit em conta corrente. O mesmo ocorre com as taxas de câmbio dos países asiáticos que, devido a uma inflação desconfortavelmente alta, já estão também se apreciando em termos reais. Assim, na medida em que o PIB real dos Estados Unidos e as taxas de câmbio da Ásia começaram a contribuir com o ajuste da conte corrente americana, aquela pressão excedente sobre as moedas flexíveis - que até agora fizeram a maior parte do ajuste - passa a se extinguir. Portanto, no atual cenário global, o dólar deve continuar a se apreciar perante o euro, a libra esterlina e o real, enquanto se deprecia perante as moedas asiáticas. Ou seja, mais uma força fundamental oriunda do mercado de ativos apontando na direção de um real mais fraco.

Quanto aos fundamentos do real vinculados ao mercado de bens, em termos da paridade do poder de compra, o Brasil há muito deixou de ser um país barato e, mesmo com a depreciação recente, a moeda brasileira pode ainda estar 20% acima do seu valor justo. Isto não é um cenário confortável para um país cuja baixa produtividade não lhe permite, pelo menos durante muito tempo, deixar de ser um país barato. O índice BIC Mac, da revista "The Economist", ilustra este ponto. Segundo o índice, uma taxa de câmbio a 2,10 BRL/1USD seria aquela que equalizaria o preço do Big Mac no Brasil ao dos Estados Unidos. Mas, ajustando pela produtividade, quanto um Big Mac no Brasil deveria custar a menos que nos Estados Unidos? É justamente este o dilema do Brasil: sem ganhos de produtividade, o país esta destinado a ter um câmbio consideravelmente mais fraco.

Ainda em termos do mercado de bens, nos últimos 12 meses, a conta corrente brasileira saltou de um superávit de 0,56% do PIB, em setembro de 2007, para um déficit de 1,64% do PIB em setembro de 2008 - ou seja, uma variação de 2,2 pontos percentuais em apenas um ano. Nesta velocidade, um déficit em conta corrente de 3% do PIB em 2009/2010, acompanhado de um déficit na balança comercial, é uma possibilidade concreta. Estes são números preocupantes, especialmente quando levamos em consideração a queda de 40% no preço das commodities ocorrida desde Julho. Alguns cálculos são ilustrativos. Com um déficit em conta corrente na direção de 3% do PIB e uma propensão marginal a importar de 10% e 50% do PIB de bens transacionados internacionalmente, qual a taxa de câmbio que eventualmente traria este déficit de volta ao equilíbrio? Talvez 3.0 BRL/1USD?

Dadas todas estas forças, o cenário para o real brasileiro é de apreensão. Não apenas todas as variáveis fundamentais apontam na direção de um real mais fraco como também os fundamentos do real se deterioraram para dentro da zona do perigo no mercado de ativos - onde a existência de uma bolha especulativa no mercado de câmbio não pode mais ser descartada. Dada a natureza da crise financeira global - que talvez limite o poder do Banco Central brasileiro para aumentar a taxa de juros - o que irá dar sustentação ao real?

Paulo Tenani é professor de Finanças Internacionais da Fundação Getúlio Vargas e autor do livro "Human Capital and Growth"



Escrito por SALSFI às 07h06
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Entre bons fundamentos e algumas ilusões
Edward Amadeo
29/10/2008
 

 
A economia global descarrilou. É cedo para tirar lições, melhor tentar entender o que aconteceu. Tudo começou com a queda dos preços das casas nos Estados Unidos. As instituições que tomaram empréstimos para comprar hipotecas passaram a ter dificuldades para se refinanciar.

A primeira avaliação das autoridades foi de falta de liquidez. Mas, a linha divisória entre iliquidez e insolvência é apenas conceitual. Quando não há compradores para os ativos, ou a volatilidade dos seus preços é elevada, ou a sua dinâmica parece fugir dos fundamentos, é difícil saber se os seus detentores estão ilíquidos ou insolventes.

Muito antes de a dúvida ser dirimida, as instituições enfrentam saques. Para fazer face a eles, os bancos vendem ativos, cujos preços caem abaixo do que se supunha serem os seus fundamentos. E esses mesmos fundamentos pioram quando a crise passa a corroer o patrimônio dos consumidores e empresas.

O que começou como iliquidez, caminhou para insolvência. E os governos não tinham alternativa senão comprar eles mesmos os ativos. E se, aos preços de mercado, as instituições continuavam insolventes, tinham que comprar suas ações. Isso é o que acontecendo nos EUA e na Europa nas últimas duas semanas.

Demorou dez anos para que o governo japonês decidisse comprar as ações dos bancos e estancasse a deflação de ativos. Dessa vez, demorou menos de dez meses antes que os governos tomassem a mesma decisão. O mundo aprendeu com o Japão.

Assim como na década de 1930, demorou dez anos para que John Maynard Keynes convencesse os governos que quando a demanda não reage ao aumento de liquidez, eles têm que aumentar seus gastos para reativar a economia. O mundo aprendeu com Keynes.

Esses vinte anos, dez mais dez, nós economizamos agora. Os aprendizados da crise em curso são desconhecidos ainda. Espera-se apenas que a combinação das lições do passado seja capaz de minimizar os seus estragos.

Sabe-se que para evitar uma crise maior, os governos vão garantir a sobrevivência dos bancos e aumentar os gastos para compensar a queda do consumo. Em um incêndio, os jatos d'água dos bombeiros têm um efeito devastador. Mas é melhor que deixar o fogo lamber tudo. No curto prazo, o objetivo é estancar o pânico, a crise de confiança e trazer de volta os fundamentos.

Que estragos trarão os jatos d'água? As dívidas dos governos deverão ser financiadas, o que implicará juros e impostos mais altos e menor crescimento econômico.

Para apagar o incêndio e fazer o seu rescaldo, será preciso devolver um pedaço dos ganhos dos anos de ouro. De fato, talvez uma parte desses ganhos fosse mesmo indevida. Nos anos recentes, houve um aumento da relação entre riqueza e renda agregadas (gráfico). E agora, há uma volta a patamares históricos.

A pergunta é por que a riqueza cresceu tanto. Uma hipótese é que, ao projetarmos no futuro juros mais baixos e produtividade mais elevada, tínhamos um aumento do valor descontado da renda futura, que é a riqueza. Essas projeções talvez fossem muito otimistas. O pior é que se baseavam em bons fundamentos - e algumas ilusões.

Os fundamentos são a força produtiva e deflacionária da China e da globalização, que ensejaram um conflito mais brando entre crescimento e inflação e, assim, juros reais menores. Mas talvez os efeitos China e globalização venham a se mostrar apenas temporários.

Entre as ilusões estavam a pulverização dos riscos e a prudência financeira devido às regras de Basiléia, aos modelos de risco e a ação das agências de rating. Na verdade, os bancos estavam avalizando operações fora dos seus balanços, tornando os limites de capital irrelevantes, e os reguladores, os modelos e as agências se mostraram ultrapassados pela engenhosidade dos produtos estruturados. Na macro, havia a ilusão de que o modelo de câmbio fixo da China e o financiamento de suas vendas para os EUA eram sustentáveis.

Essas crenças deverão ser revistas e se, de fato, o mundo ficou mais pobre do que se imaginava, a demanda crescerá menos nos próximos anos. Fica o aprendizado de que situações de rápido crescimento da riqueza devido ao aumento dos preços dos ativos devem ser vistos com cautela. Mas talvez seja pedir muito da racionalidade humana, e mais ainda de decisões políticas.

Edward Amadeo é sócio da Gávea Investimentos. Escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: eamadeo@terra.com.br



Escrito por SALSFI às 07h00
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Desmonte de operações cambiais alivia mercado

 

Cristiane Perini Lucchesi e Daniele Camba, de São Paulo
29/10/2008
 


 
As empresas brasileiras já desmontaram a maior parte de suas posições vendidas especulativas em dólar registradas no mercado interno, o que tem permitido a redução das cotações da moeda a cada sinal de melhoria no mercado internacional. Ontem, o dólar caiu mais 2,5%, para R$ 2,188. O Banco Central vendeu menos de US$ 500 milhões no mercado futuro. Em dois dias, a queda foi de quase 6%.

Após ampla análise das mais diferentes estruturas utilizadas pelos bancos para registrar derivativos de câmbio, Jorge Sant'Anna, superintende da Cetip, notou que as posições vendidas em dólar das empresas, que chegaram a atingir US$ 40 bilhões em 30 de setembro, caíram a US$ 7 bilhões no dia 24. "Provavelmente as maiores posições mais especulativas já foram desmanchadas", disse Sant'Anna.

Pela Cetip passam 85% das operações do mercado de balcão no Brasil, mas empresas maiores registraram a maior parte de suas posições no mercado externo. A Aracruz, segundo bancos credores, ainda não liquidou todos os seus contratos. Estaria esperando câmbio mais favorável. Pode ter suas perdas de US$ 2,5 bilhões reduzidas em US$ 1 bilhão se desmontar suas posições com o dólar abaixo de R$ 2,10, segundo os bancos.

A divulgação de balanços dos bancos - ontem foi a vez do Santander - ajudou a acalmar o mercado de câmbio, assim como um forte otimismo externo justificado pela expectativa de corte de 0,5 ponto percentual, para 1% ao ano, nos juros básicos americanos na reunião do Fed. O índice Dow Jones, das ações mais negociadas em Nova York, subiu 10,88%. A Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou e subiu 13,42%, para 33.386 pontos.

Os analistas continuam a apostar na manutenção dos juros básicos em 13,75% ao ano na reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom). Mas crescem as apostas na queda da taxa na reunião de dezembro. Seria uma forma de dar um sinal positivo ao mercado. Os juros despencaram no mercado futuro, com os contratos para vencimento em janeiro de 2012 passando de 17,785% ao ano para 17,095%.



Escrito por SALSFI às 06h53
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Operações de hedge cambial: proteção ou especulação?
Roberta Nioac Prado, Doutora em Direito Empresarial pela USP e professora da Escola de Direito da FGV - 28/10/2008
 

 
A utilização do hedge como proteção cambial é prática corriqueira por parte de companhias expostas a variações do câmbio, em geral importadoras e exportadoras. Podemos dizer que assumir posições em derivativos é uma forma diligente de a empresa se defender, no futuro, quando do pagamento de contratos indexados em dólar, de oscilações cambiais bruscas que podem vir a comprometer a sua liquidez e seu fluxo de caixa.

O fato é que, via de regra, a assunção dessas posições deve estar em consonância com a real necessidade de proteção e limitação de risco da companhia. Ou seja, resultados positivos ou negativos oriundos dessas operações devem ser compensados por variações de receita, investimentos, custo ou de dívidas em dólares, assumidos pela empresa em posições financeiras "na direção oposta".

Nos casos atualmente divulgados pela mídia, o que pode ser complicado para a administração justificar é uma posição financeira especuladora e extremamente alavancada em derivativos.

Como levantou recentemente um analista de mercado, referindo-se a uma empresa atualmente sob o escrutínio da mídia e dos investidores: Qual afinal é a sua atividade, seu o objeto social? A sociedade é operadora de frigorífico ou de tesouraria?

Faz parte das atribuições da administração gerir o caixa da sociedade. E a política de investimento, inclusive do caixa, também é de competência da administração. Em um sistema de boa governança esta política deveria, em princípio, ser diligentemente discutida no conselho de administração, ou em comitês específicos do conselho e, depois de aprovada, implementada pela diretoria, no caso, pelo diretor financeiro, e com ampla transparência ao mercado.

Se a política de investimento de caixa é mais conservadora ou mais arrojada e mais alavancada, isso faz parte do "layout" da empresa, da maneira como ela se mostra ao mercado. Digamos assim, faz parte do seu "jeitão". Mas, sempre, ao menos duas questões devem ser observadas: 1ª) diligência dos administradores na assunção de risco, sempre considerando o objeto social da empresa e; 2ª) a transparência da operação.

A diligência é um dever legal do administrador, seja ele do conselho de administração ou da diretoria, previsto no artigo 153 da Lei das Sociedades por Ações. É um "padrão de comportamento", o "duty of care" americano. Implica em que as tomadas de decisão sejam feitas de maneira fundamentada e transparente.

Não pode o administrador agir de forma abusiva ou negligente, por exemplo, assumindo riscos financeiros além da capacidade da empresa, riscos que possam comprometer seriamente o seu fluxo de caixa e liquidez.

A dificuldade maior é como mensurar esse risco. Até porque a obrigação do administrador é uma obrigação de "meio" e não de "fim", de resultado. Ou seja, se ele age diligentemente e o resultado é desastroso por fatos alheios a sua capacidade de prever o futuro, paciência...

Em relação à abertura da informação cabe ressaltar que a política empreendida deve sempre ser clara, o mais transparente possível, tanto para o investidor, quanto para o mercado em geral. Aí, no melhor dos mundos, cada um escolhe livre e conscientemente onde quer investir.

Assim, sendo tais premissas verdadeiras, devemos, antes de afirmar se há ou não responsabilidade pessoal por parte dos administradores envolvidos nessas operações, com fulcro no artigo 158 e 159 da Lei das S.A., averiguar três pontos em cada situação específica:

1º) Faltou diligência, prudência, por parte dos administradores ao assumir tais posições em derivativos? 2º) Faltou adequada divulgação da operação ao mercado? Se a empresa não divulgou a operação, porque não o fez? Ou a divulgou de forma obscura e o mercado não entendeu? E, finalmente; 3º) faltou controle interno? Faltou governança? Ou seja, quem discutiu a operação? Como foi aprovado o investimento? Com base em quais critérios?

Pode ocorrer também, em outro sentido, que se apure que as administrações foram diligentes, deram transparência mas, ainda que tacitamente, o próprio mercado lhes deu aval. Até porque essas operações com derivativos, alavancadas ou não, vinham historicamente proporcionando ganhos expressivos para as companhias, criando uma onda de "apostar no dólar fraco". E o fato é que, quando tudo está indo bem, e a companhia está obtendo ganhos financeiros, ninguém costuma reclamar. Mas, ao surgir qualquer problema, e especialmente da dimensão histórica que o mercado financeiro enfrenta atualmente, tudo muda de figura.

Não há como, até onde eu conheça, e tampouco me parece viável, criar normas cogentes e taxativas de "quanto uma empresa pode assumir de risco". Isso faz parte da política da administração de cada companhia, da política que os gestores querem imprimir na empresa que gerem.

Em termos regulatórios, recentemente, em 17 de outubro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou a Deliberação 550, dispondo sobre a apresentação de informações acerca de instrumentos derivativos em notas explicativas às informações trimestrais (ITR).

Na verdade, essa Deliberação apenas esmiúça, traz mais detalhadamente, o que já era previsto na Instrução CVM 235/95. Assim, diz a Deliberação, que as companhias devem informar qualitativa e quantitativamente todos os instrumentos financeiros derivativos que possui. Sendo que tal informação deve ser feita em linguagem clara, concisa, objetiva, e de forma completa e consistente.

Adiante, a Deliberação sugere uma "forma" e um exemplo de como as companhias abertas devem apresentar tais informações (anexos I e II): 1º) identificando os riscos dos instrumentos financeiros derivativos; 2º) estimando o impacto desses riscos no fluxo de caixa da companhia; 3º) definindo três cenários: provável (o esperado), possível (menos positivo), e de estresse. Além de informar os respectivos impactos desses três cenários na liquidez da companhia. Com isso, a CVM reafirma a necessidade de deixar o mais claro possível qual a política de investimento da empresa, o risco assumido, o objetivo e a estratégia da operação.

Não podemos afirmar se essa providência vai solucionar 100% problemas futuros. A CVM, ao que parece, está discutindo a possibilidade de tornar tais disposições obrigatórias, e não simples recomendações.

Na verdade, não acho que a obrigatoriedade em grande parte dos casos seja a forma ideal de evitar desastres. Como se sabe, o substancial da governança corporativa é de adesão voluntária. Até porque é consenso que regras cogentes, taxativas, em forma jurídica crua, muitas vezes não retratam a essência econômica de operações de mercado. Por isso se diz que em termos de governança, não basta divulgar, tem que querer divulgar.

A governança deve ser fundamentalmente um compromisso voluntário assumido pela companhia que enxerga na adoção dessas regras vantagens na avaliação de suas ações, e menor custo de captação de recursos. Governança é um processo de confiança, sem fim: é bom que comece e que nunca termine. Sendo assim, ajustes serão sempre necessários. Mesmo porque, confiança não se cria por decreto, ela é uma construção contínua que decorre de reiteradas atitudes.



Escrito por SALSFI às 01h47
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Amec, IBGC e Apimec pedem mais detalhes sobre derivativos
Por Graziella Valenti, de São Paulo -28/10/2008
 

 
O problema dos derivativos superalavancados de câmbio, que já trouxeram perdas a empresas e insegurança aos investidores, uniu as principais organizações do mercado brasileiro em busca de maior transparência das companhias. Nenhum tema anterior levou a tal coordenação entre os agentes nacionais.
Anna Carolina Negri / Valor
Luiz Fernando Figueiredo, presidente da Amec: assimetria entre ganhos e perdas dos contratos chama muita atenção

A Associação dos Investidores do Mercado de Capitais (Amec), com apoio do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e da Associação dos Profissionais de Investimento (Apimec Nacional), pede que as empresas dêem mais informações e sugere que os acionistas cobrem ativamente as companhias, tanto solicitando dados como participando das assembléias que venham a ser convocadas sobre esse assunto.

Além de dar detalhes sobre os contratos envolvendo derivativos, a Amec defende que as empresas divulguem, por iniciativa própria, as suas estruturas de controle e gestão de riscos financeiros, incluindo as alçadas e o monitoramento dos fatores de riscos. Com isso, ficaria mais claro para os analistas e investidores quem são os responsáveis pela gestão de cada tema, além do conhecimento sobre como as decisões são tomadas.

"O que chama a atenção nessas operações é a assimetria entre o ganho e as perdas possíveis", ressaltou Luiz Fernando Figueiredo, presidente da Amec. Para obter lucros limitados, as empresas se expuseram a riscos de prejuízos ilimitados. No cenário de prejuízo, as perdas por esses contratos eram exponenciais, enquanto os lucros tinham limites pré-estabelecidos.

Outro ponto destacado pela Amec foi a iniciativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de obrigar que as empresas divulguem detalhadamente as operações com derivativos, incluindo uma análise de sensibilidade.

Na avaliação da associação, tal obrigação já existia para as companhias, prevista tanto na Lei das Sociedades por Ações, como em instruções e ofícios anteriores do órgão regulador.

Figueiredo, da Amec, ressaltou que a preocupação com esse ponto não se refere apenas ao momento atual, em que o assunto se disseminou no mercado. Para ele, trata-se de algo que as companhias deveriam ter se preocupado em deixar transparente no momento em que contrataram tais operações.

"Não é uma discussão apenas sobre o dever de informar, mas sobre a vontade de informar", disse Mauro Rodrigues da Cunha, presidente do conselho de administração do IBGC, que apóia a deliberação da Amec.

Para Figueiredo, não é surpreendente que as companhias tenham feito operações com derivativos, mas a alavancagem a qual ficaram expostas. Esse é o risco que não estava bem tratado no mercado.

"Ninguém que lesse cuidadosamente os balanços trimestres de março e junho poderia imaginar que estava exposto a essas operações", destacou Cunha, do IBGC.

Álvaro Bandeira, presidente da Apimec Nacional, afirmou que o momento atual "é crítico". Dessa forma, a questão da informação é ainda mais sensível ao mercado. Ele acredita que, daqui para frente, esse tema receberá maior atenção dos analistas de investimentos, que buscarão mais dados não apenas sobre os contratos cambiais em geral, como também sobre a política de gestão dessas operações. "Os analistas acreditavam, até então, que o hedge das empresas tinha a função de proteção. Ninguém imaginava que as companhias tinham saído de seu foco de negócios."

O presidente da Amec acredita que a experiência com os derivativos trará uma lição ao mercado que não se perderá depois que os problemas gerados por esses instrumentos forem solucionados.

A associação de investidores também está apoiando a Previ, caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, que busca reunir um grupo de acionistas para solicitar assembléia para avaliar os problemas da Aracruz e uma possível ação de responsabilidade contra os administradores, em prol da empresa - a exemplo do que a fundação já fez na Sadia, na qual tinha o mínimo exigido pela Lei das S.A. para tal iniciativa.

De acordo com fonte próxima aos trabalhos, é possível que ainda nessa semana a Previ consiga reunir 5% do capital da companhia de papel e celulose, para pedir a convocação da assembléia. O apóio da Amec diz respeito a divulgação dos esforços da fundação aos associados, mas a decisão de apoiar é de cada administrador.



Escrito por SALSFI às 01h42
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Aracruz aceita travar suas perdas pelo câmbio atual
Vanessa Adachi, de São Paulo28/10/2008
 
 
Depois de longas reuniões com bancos credores que atravessaram o fim-de-semana e terminaram por volta das 5 horas de ontem, quando já amanhecia, a Aracruz concordou finalmente em começar a desfazer as suas posições em derivativos que levaram a empresa a um prejuízo bilionário por apostarem na valorização do real. Ao câmbio atual, a perda da companhia é estimada em US$ 2,5 bilhões.

Entre as grandes empresas que admitiram perdas desse tipo, Sadia e grupo Votorantim já haviam tomado a decisão de desmontar suas posições, travando as perdas. Mas a Aracruz insistia em manter as posições em aberto, provavelmente esperando por uma queda do dólar, que só fez subir. Tal decisão amplificou os prejuízos da companhia.

O Valor apurou que os bancos concordaram em dar um prazo de três dias - que começou a contar ontem e termina amanhã - para que a fabricante de celulose faça operações de hedge ou compre dólares para travar suas perdas no nível atual do câmbio. Nesse período, nenhum dos credores tomará qualquer ação contra a devedora.

A Aracruz deverá desfazer apenas parcialmente suas posições. Por dois motivos. Primeiro porque os próprios bancos já vinham fazendo hedge para defender-se das perdas nos contratos com a empresa, já que o risco de crédito fica em seus balanços, diante da insistência da Aracruz em não encerrar tais operações. Segundo porque seria difícil para a companhia desfazer todas as posições num curto prazo. Por conta disso, a expectativa é de que a movimentação da Aracruz nestes dias não provoque grande impacto no mercado de câmbio.

O resultado das reuniões parece indicar um início de entendimento entre a Aracruz e o grupo de credores, que inclui Itaú BBA, Santander, Merrill Lynch, JP Morgan, Citi, Goldman Sachs, Deutsche, Calyon, BNP Paribas, ING e Barclays.

Os termos da renegociação da dívida ainda não foram acertados. A idéia é passar a essa etapa depois que as posições forem desfeitas e o tamanho da perda efetivamente definido.

De acordo com um executivo que acompanha as conversas, a exposição total vendida em dólar da empresa está atualmente em US$ 10 bilhões. Desse total, cerca de US$ 2 bilhões são referentes a derivativos vinculados a operações de pré-pagamento de exportações. Todo o restante é de contratos de empréstimo com "target forward". Pela política da empresa, sua exposição em dólar não deveria superar as receitas de um ano de exportação, algo como US$ 2 bilhões. Por esse critério, hoje a empresa extrapolou seu limite em quatro vezes.

A perda da empresa - ou seja, o que efetivamente deve aos bancos - estaria em US$ 2,5 bilhões. Há pouco mais de um mês, quando os problemas da empresa com derivativos de câmbio vieram à tona, as perdas estavam em torno de US$ 1 bilhão. Tiveram seu valor multiplicado por causa da variação do câmbio no período. Depois que o dólar superou determinadas taxas de câmbio fixadas nos contratos, as perdas da Aracruz foram multiplicadas por dois. Era o que previam tais operações. A Aracruz tinha ganhos limitados em caso de queda do dólar, mas prejuízos multiplicados em caso de alta, cenário com o qual não contava. Nos empréstimos acoplados aos chamados "target forward", a empresa vendia uma opção de compra de dólar ao banco a determinada cotação, a partir da qual as perdas da empresa seriam multiplicadas por dois. A vantagem para a empresa é que essas opções tinham um preço alto, que o banco pagava a ela, o que acabava por baratear o custo do empréstimo tomado.

Até a semana passada, a proposta de renegociação da Aracruz aos bancos incluía fixar a taxa de câmbio para liquidar as posições entre R$ 2,03 e R$ 2,07. Só isso já representaria um desconto de 30% na dívida ("hair cut", no jargão do mercado financeiro). E, além disso, a empresa propunha parcelar a dívida em quinze prestações anuais com juros abaixo dos de mercado. Segundo os cálculos apresentados por um executivo, esses dois ingredientes somados reduziriam o valor presente da dívida a menos da metade ("hair cut" de mais de 50%).

Os bancos não aceitaram e querem negociar outros termos. Eles defendem que, mesmo com tamanha perda, a Aracruz não está em situação de insolvência.



Escrito por SALSFI às 01h32
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A agenda de "um novo Bretton Woods"
José Eli da Veiga28/10/2008
 
 
Foi somente em 1950 que o crescimento econômico virou objetivo supremo das políticas governamentais. Ruptura forjada por rápido convencimento prévio de que só ele seria capaz de engendrar pleno emprego, objetivo até então preferido por todos os que haviam aderido ao keynesianismo. E uma ruptura para a qual foi decisiva a combinação das idéias de Sir Roy Forbes Harrod, na Inglaterra em 1939, com as de Evsey Domar, nos EUA em 1946, no persuasivo modelo Harrod-Domar. Em plena Guerra Fria, a panacéia foi inevitável: fosse qual fosse o contexto, não haveria mazela social que pudesse resistir a uma boa dose de crescimento econômico. Nem mesmo as desigualdades.

As críticas não demoraram a surgir. Basta lembrar que em 1958 foi lançada a primeira edição do clássico "A Sociedade Afluente" de John Kenneth Galbraith. Embora tenha sido ignorado pela maioria dos economistas, por considerarem o autor no máximo um bom comentarista político, nada de parecido poderia ter ocorrido com Ezra J. Mishan ao publicar, em 1967, uma obra-prima sobre os custos do crescimento econômico (traduzida no Brasil com título tragicamente equivocado). O longo e acirrado debate entre Mishan e Wilfred Beckerman inaugurou a controvérsia científica sobre o crescimento como dogma.

Entretanto, foram posteriores os mais incisivos ataques contra aquilo que passou a ser chamado de "mania" ou "fetiche" do crescimento. E menos motivados pelos custos apontados por Mishan, do que pelo avanço da consciência sobre seus limites socioambientais. Particularmente nas obras pioneiras publicadas na década de 1970 por William Kapp, Kenneth Boulding e Herman Daly. Que, por incrível que pareça, nada pesaram no processo de emergência da noção "desenvolvimento sustentável". O famoso documento da ONU "Nosso Futuro Comum", mais conhecido como Relatório Brundtland, mostra bem como era forte em 1987 a miragem de uma "nova era de crescimento econômico baseada em políticas que sustentem e expandam a base de recursos naturais".

Ocorreu o avesso. O que ficou cada vez mais evidente ao longo dos últimos dois decênios foi a irresponsável temeridade de se aceitar a dependência de energias de origem fóssil. Não apenas pela necessidade de se combater o aquecimento global, que agora se mostra incontornável. Também porque não poderiam ser mais sombrias as conseqüências geopolíticas das desigualdades de acesso às jazidas de petróleo, carvão e gás. E o que é pior: sem que qualquer promessa de inovação científico-tecnológica permita vislumbrar a saída. Por isso, é claro que os problemas ambientais globais deveriam dominar a pauta da eventual reunião de cúpula que talvez se imponha por outra razão: o cenário recessivo que brota de uma das mais sórdidas crises financeiras de que se tem notícia.

Só que esse hipotético "novo Bretton Woods" de pouco serviria se não engendrasse firme cooperação internacional para promover efetivas decolagens em cerca de 70 dos países mais periféricos, nos quais o crescimento econômico é condição necessária, e até suficiente, para que se desenvolvam. Exatamente o inverso do que ocorre nos países centrais, onde o mito do "crescimento sustentável" continuará a causar muito mais prejuízos do que benefícios. E se tal virada fosse bem arquitetada, certamente poderia amortecer os impactos sociais causados por reestruturações no Norte, assim como os ambientais resultantes de mais dinamismo no Sul.

A grande incógnita estaria na semi-periferia. Mas não apenas em quatro "BRIC", ou em punhado de "emergentes". Em 72 países cujas trajetórias de crescimento fazem com que tenham emissões de gases estufa que ultrapassam as de países centrais. Principalmente um grupo de 20 que já causa estrago bem maior que o dos dez maiores emissores do núcleo central. E sem que possam sequer admitir uma ínfima dúvida sobre a necessidade de crescimento de suas economias. Continuariam inteiramente à mercê do surgimento de inovações que descarbonizassem suas matrizes energéticas.

O maior obstáculo, contudo, talvez nem fosse esse, e sim a dificuldade de se admitir que os países mais desenvolvidos já possam dispensar o crescimento econômico. Daí a importância de três claros sinais de que começa a sair do gueto o movimento intelectual que pretende caminhar nessa direção.

O primeiro é um livro cujo próprio título enfatiza ser muito melhor reduzir o crescimento de propósito do que ter de encará-lo por desastre: "Managing Without Growth - Slower by Design, Not Disaster", do professor Peter A. Victor, da Universidade de York do Canadá (Edward Elgar: 2008). Com a ajuda de simulações econométricas, mostra os possíveis resultados de um decrescimento bem administrado da economia canadense com a meta de atingir uma condição estacionária por volta de 2030. Os benefícios socioambientais e econômicos não poderiam ser superiores: pleno emprego, eliminação da pobreza, mais lazer, considerável redução das emissões de gases-estufa, e tudo com equilíbrio fiscal.

O segundo está no dossiê "A estupidez do crescimento", que ocupou 15 páginas da edição de 18/10 da revista britânica "NewScientist", com merecido destaque para Herman Daly. Ele reconhece que, além de radical, o anseio de abolir a obsessão pelo crescimento parece politicamente inviável. Mas também pede que se admita quão absurda é a idéia oposta, de crescimento além dos limites biofísicos da Terra. E lembra que seus limites econômicos já estão patentes, pois os benefícios de mais crescimento são cada vez mais excedidos pelos custos.

O terceiro foi a realização da primeira conferência internacional sobre "decrescimento econômico para a sustentabilidade ambiental e a equidade social" (www.degrowth.net). Nem tudo chega a ter razoável qualidade na salada de textos que ocupa as mais de 300 páginas de seus anais. Mas há ali algumas pérolas, como a demonstração proposta pelo mestre holandês Roefie Hueting de que não há conflito entre emprego e conservação, por mais que a sustentabilidade seja incompatível com o permanente aumento da produção.

José Eli da Veiga, professor titular do departamento de economia da FEA-USP e pesquisador associado do "Capability & Sustainability Centre" da Universidade de Cambridge, com apoio da Fapesp, escreve mensalmente às terças. Página web: www.zeeli.pro.br



Escrito por SALSFI às 01h25
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As novas condições macroeconômicas para 2009
Luiz Carlos Mendonça de Barros27/10/2008
 
 
A piora da crise financeira em outubro levou a uma nova revisão para baixo do crescimento mundial em 2009. As previsões mais recentes apontam para um quadro grave, de recessão profunda, inclusive no mundo em desenvolvimento. Os mercados de ações finalmente arbitraram as expectativas de lucros das empresas para este cenário de crescimento e continuaram em queda vertiginosa. O ano novo vai se iniciar sob o impacto de uma destruição nunca vista de riqueza financeira no mundo.

Esta revisão abrupta das perspectivas de crescimento mundial mudou o cenário para os países emergentes, causando um colapso de confiança no mercado de títulos de crédito. Depois da venda agressiva de ações estamos assistindo agora uma fuga a qualquer preço dos instrumentos de dívida privada e soberana de países como o Brasil. Os títulos soberanos estão sendo negociados com um prêmio de risco de 7% e no caso de empresas privadas - inclusive nossos grandes bancos - este prêmio chega a 9%. Na prática, isto significa que não existe mais a possibilidade de acesso a estes mercados em 2009.

Além disso, a grande correção no valor do dólar das últimas semanas levou a uma desvalorização de mais de 40% nas moedas dos países emergentes como o Brasil. Foi um movimento geral e que atingiu inclusive moedas fortes como o euro e a libra. Outra face deste movimento do dólar é o fato de que os preços internacionais das principais commodities exportadas pelo Brasil, bem como das principais matérias primas por nós importadas, caíram quase na mesma proporção. Ou seja, em reais os preços estão relativamente constantes. Além disso, é um movimento de apreciação da unidade de conta global contra todas as moedas (menos o yen), o que implica (além do efeito deflacionista global) que em relação a nossos parceiros comerciais a desvalorização do real é bem menor.

Estes fatos novos não estão sendo considerados por muitos analistas, que continuam raciocinando como se o choque externo gerado pela queda do real tivesse o mesmo efeito inflacionário das experiências passadas. Por exemplo, o modelo de inflação construído pelo Banco Central do Brasil tem este defeito - ou "flaw" para usar um termo recente de Alan Greenspan - e que pode levar a uma superestimação da inflação em 2009.

É claro que há riscos inflacionários importantes, mas é preciso entendê-los corretamente. O efeito macroeconômico mais importante para a inflação decorre da redução de nossos termos de troca com o exterior. Tal redução deriva da queda dos preços dos principais produtos primários de exportação, que será apenas em parte mitigada por menores preços das matérias-primas que importamos em volume expressivo. A conseqüência desta redução dos termos de troca é uma menor capacidade de importar da economia brasileira.

Ora, o aumento continuado e expressivo de nossas importações era o elemento mais importante que vinha permitindo um crescimento da absorção interna pelo menos 3 pontos percentuais acima do PIB potencial sem criar grandes tensões inflacionárias. Tudo o mais constante, portanto, será necessária nos próximos meses uma forte redução do consumo das famílias, do investimento privado e dos gastos totais do governo, de modo a alinhar o crescimento da demanda doméstica com o PIB. Se isto não ocorrer, a inflação vai se acelerar de forma vigorosa. É aí que está o risco inflacionário principal.

Outra razão para este alinhamento é o ambiente global hostil que enfrentaremos em 2009. Neste mundo mais pobre e menos brilhante em termos de movimento de capitais, não mais será possível incorrer em déficits crescentes na conta corrente, como foi o padrão brasileiro em 2007 e 2008. Se esta situação persistir poderemos enfrentar muito rapidamente questionamentos quanto a nossa solvência externa, problema que não temos ainda hoje.

Neste cenário, como o governo não dá sinais de redução de seus gastos, todo o ajuste de demanda deverá ser suportado pelo setor privado. Se as condições fossem normais, a conclusão inescapável seria um forte ajuste de juros pelo Banco Central. Mas as condições não são normais, por uma razão muito simples: está ocorrendo um fenômeno importante de descontinuidade no mercado de crédito no Brasil. Em função da grave crise de confiança na economia, os bancos brasileiros, depois de pelo menos dois anos de expansão de quase 30% no volume de crédito ofertado, pisaram de forma violenta nos freios. Não por opção, mas por necessidade.

Preocupados com os efeitos de uma rápida desaceleração da economia em função da crise externa os bancos estão adotando - corretamente - uma posição extremamente conservadora em sua política de operações. Contribuiu para isto o problema gravíssimo criado pelas perdas com derivativos cambiais incorridas por um grupo grande de empresas brasileiras. Em resumo, o crédito ficou mais escasso e caro em um momento em que empresas e consumidores operavam com grande entusiasmo e confiança no futuro. O resultado será uma queda expressiva da atividade econômica, dos investimentos e do consumo, em linha com o que será preciso que ocorra para o ajuste macroeconômico em 2009. Em outras palavras, a interrupção do canal de crédito fará grande parte, senão todo o trabalho de contenção de demanda, que em outra situação deveria estar a cargo da política monetária.

Na próxima semana o Copom vai realizar sua penúltima reunião do ano enfrentando um de seus maiores desafios. Como decidir em um ambiente de muitas incertezas quanto ao futuro da economia no Brasil e no mundo? Além disso, os distúrbios chegaram ao comportado mercado de DI na BM&F que já precifica mais de 17% a.a. nas operações de juros futuros. Na prática já ocorreu um aumento brutal do custo do dinheiro para as empresas brasileiras.

Por tudo, me parece que a decisão mais correta e sensata será uma parada no processo de aumento dos juros pelo menos até a próxima reunião em dezembro. O profundo corte na oferta de crédito bancário e comercial pode ser suficiente para reduzir a demanda interna e ancorar as expectativas de inflação.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, engenheiro e economista, é diretor-estrategista da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações. Escreve mensalmente às segundas.



Escrito por SALSFI às 06h49
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SADIA, ARACRUZ NÃO É.

 

 

Salvador Sícoli Filho - 25/10/08

 

 

Para os não versados em operações com derivativos cabe uma explicação que não tem o condão de esclarecer infelizmente o que tramaram os dirigentes da Votorantim.

 

A Sadia já encerrou, segundo informou suas operações com derivativos.

 

Havia apostado na continuidade da valorização do real. (exatamente o contrário que um certo entendido em tudo propagou pelo traseiro como diria o Giuseppe Brandoni)

 

A Aracruz que estava vendida em dólar (quem conhece o mercado de opções sabe que equivale a uma venda a descoberto que os bancos não permitem desde que Nagi Nahas quebrou a Bolsa do Rio).

 

Mas a Aracruz já dominada pelo grupo Votorantim um dos mais poderosos do país e que se recusou a pagar aos minoritários o que iria pagar ao Sr. Lorentzen, fez o inimaginável mesmo para os versados.

 

Teria concordado com os termos de um contrato espúrio que, de um lado, garantia ao banco encerrar sua posição caso o real se valorizasse mais de 15%, mas que impedia e na razão de coeficiente dois , que a exportadora fechasse sua posição perdedora se o valor da apreciação do dólar fosse maior que o básico combinado mais 15%, por exemplo.

 

Ou seja, a bondosa ou mancomunada diretoria da Aracruz ao invés de encerrar a  operação nem que fosse por um expediente judicial, mandato de segurança, intervenção do BC e da CVM obrigando a diabólica BMF a encerrar compulsoriamente as posições, assistiu passivamente o dólar sair de R$1,71 - aproximadamente a sua base de equilíbrio a até R$2,52.

 

A empresa retardou seus balanços – era, diga-se de passagem, a primeira a entregar resultados no mundo - e noticiou um falso e pequeno prejuízo de R$ 1,950 bi em 30/09/08 e que na verdade hoje deve estar na faixa de US$ 4 bi graças ao descortino de sua diretoria.

 

Em 30 de setembro perdia o equivalente a uma fábrica de celulose de 700 mil ton/ano. Hoje perde 3 fábricas de 1 milhão de ton/ano.

 

É pouco?

 

Enquanto isto os imbecis do governo viajam e dizem pelos fundilhos que é marolinha o vulcão que escorrega ladeira abaixo recobrindo toda a economia brasileira.

 

Deveria ser muito duro a um presidente estrangeiro puxar tapete vermelho para tamanha estupidez.

 

Comprova-se agora que vivemos realmente a era da mediocridade no mundo em que até os magos das finanças, entorpecidos pelos lucros fantásticos que engordaram seus cofres durante anos, estão amarfanhados em montanhas de papel sem valor.

 

E ainda não cogitaram o dia em que o dólar vai quebrar...



Escrito por SALSFI às 00h19
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