SALSIFI INVESTMENTS
  

Escassez de informações alimenta boatos e aumenta nervosismo do mercado

 

Graziella Valenti, Silvia Fregoni, Ana Paula Ragazzi e Daniele Camba, de São Paulo
09/10/2008

 
 
Há outra escassez no mercado, além de crédito: a de informações. Desde que Sadia e Aracruz divulgaram perdas gigantescas com operações de derivativos de dólar, persiste o mal-estar e as especulações correm soltas, na ausência de dados seguros sobre a situação.
Rogerio Pallatta / Valor
Jairo Saddi, professor do Ibmec: quando os controles internos empresas falham, sobra para a CVM investigar

O assunto ganhou grandes proporções, a ponto de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentá-lo no fim de semana. Na terça-feira, foi a vez dos congressistas tratarem do tema durante a sabatina de Eliseu Martins, professor da Fipecafi, para a diretoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Especialista em contabilidade, Martins foi questionado pelo senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) sobre quais medidas poderiam ser adotadas pelo órgão para obrigar as empresas a divulgarem com maior transparência suas operações financeiras, evitando operações especulativas.

A resposta do professor foi que isso não se resolve somente com mais exigências de informações ao mercado. A questão é muito mais de "governança corporativa".

Muitas empresas, diante do temor que se instalou na Bovespa, correram para afirmar que não tinham operações com derivativos e não teriam prejuízos. Adiantou pouco. Até agora, o mercado continua a procura de quem mais teria esses contratos, já que se sabe que os bancos ofereceram em grande escala esses produtos.

Enquanto não se sabe onde estão esses contratos, já se vêem os problemas concretos de liquidez no mercado. As companhias que tiveram de honrar margens na BM&F, em alguns casos sacaram suas aplicações, especialmente, dos bancos médios.

As tensões são generalizadas. Há comentários de que o Banco Central checa diariamente a liquidez dos bancos médios e os diretores financeiros das empresas estão sofrendo pressões e investigações de seus presidentes e dos conselhos das companhias.

Mas as esperanças de que as informações venham à tona por decisão das empresas está se esgotando. Passada uma semana do fechamento do trimestre, parece que os investidores terão de buscar esses dados nos balanços trimestrais, que serão observados com lupa.

Até mesmo de Aracruz e Sadia faltam dados relevantes. A companhia de papel e celulose não deixou claro por que optou por manter aberta a posição de derivativos. Já a empresa de alimentos ignorou ao questionamento dos analistas e não explicou quais operações especificamente foram tão danosas ao negócio.

Herbert Steinberg, sócio da Mesa Consultoria, ressaltou que as companhias deveriam prestar informações claras sobre seus riscos. "Mas fica fácil falar isso depois que os problemas já aconteceram." Para ele, as empresas não relatavam adequadamente seus riscos assim, como os investidores não estavam tão preocupados com o tema. "Em tempos bons, todo mundo baixa a guarda e foi isso que aconteceu."

A temporada dos resultados do terceiro trimestre foi inaugurada na terça-feira pela Localiza, que tomou da Aracruz o lugar histórico da abertura das divulgações. Por conta das perdas, a empresa adiou a publicação para dia 17. A companhia anunciou que seu prejuízo potencial com os derivativos de dólar são de R$ 1,95 bilhão.

Antonio Castro, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) admite que as informações só ficarão claras depois da divulgação dos balanços do terceiro trimestre. Ele disse que a entidade não tem idéia sobre a extensão do problema.

O temor dos investidores é que esses casos sejam só a ponta do iceberg. O desempenho negativo da Bovespa é atribuído mais ao receio sobre as perdas das companhias do que à crise. O Índice Bovespa tem a maior perda na América Latina, de 33% desde 1º de agosto. Nesse período, o dólar também mostrou alta mais intensa aqui do que no restante da região: 48% .

O desconforto vem da percepção de que a demanda por dólar continua forte e que o Banco Central está reagindo a problemas internos. Isso vem trazendo desconfiança de que há mais companhias com problemas semelhantes aos de Sadia e Aracruz, em busca de dólar no mercado.

Na segunda-feira, quando a Bovespa sofreu duas paralisações por ter atingido a perda máxima, no auge do estresse, falava-se que as perdas poderiam chegar a dezenas de bilhões e que atingiam companhias abertas e fechadas.

Além do clima de desconfiança, há um sentimento de indignação com a decisão das empresas de especular com o caixa, fugindo de sua atividade principal. Há uma aposta generalizada de que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) irá investigar os casos.

Apesar do sentimento de inconformismo, o tema é complexo. Jairo Saddi, professor do Ibmec São Paulo, ressaltou que uma decisão errada da administração não significa, necessariamente, algo irregular. Mesmo fazendo todas as quanto a delicadeza do assunto, Saddi explicou que quando os controles internos todos das empresas falham acaba sobrando para a CVM investigar. "Se não for a CVM, não tem quem seja."

Marcos Pinto, diretor da autarquia, explicou que não é possível comentar casos específicos. Assim, a CVM não informa se pretende investigar as problemas nas companhias. A despeito disso, o diretor explica que o regulador pode, por decisão própria, abrir investigações, ou seja, não há necessidade de um questionamento externo.

A CVM pode avaliar em que medida os riscos aos quais as companhias se expõe estão adequadamente apresentados ao mercado. Além disso, é possível verificar se a atuação no mercado financeiro fugiu ao objeto social da companhia e, por fim, se os administradores foram negligentes na gestão.



Escrito por SALSFI às 02h04
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Fábricas que viraram pó
Maria Clara R. M. do Prado - 09/10/2008
 

 
Um leitor assíduo da coluna pediu que o espaço de hoje fosse dedicado a explicar como uma empresa do mundo real da economia - produtora de bens físicos ou mesmo de serviços - pode perder no mercado financeiro de câmbio o valor equivalente a uma fábrica inteira, de um dia para outro.

Aceito o desafio. Alguns dos poucos especialistas em câmbio ainda existentes foram ouvidos. Muitas formas podem ter as operações derivativas de câmbio, mas todas partem do tradicional princípio da trava cambial.

Trata-se, como o nome diz, de amarrar (ou travar) a taxa de câmbio em determinados níveis nas operações de futuro. O objetivo é amenizar possíveis perdas com a variação da taxa de câmbio para aqueles que têm despesa em dólar (caso dos importadores ou devedores em moeda estrangeira) ou para aqueles que têm receita em dólar (caso dos exportadores ou credores em moeda estrangeira).

A preocupação é óbvia: quem tem dólares a receber, não quer correr o risco da taxa de câmbio cair abaixo de determinado piso (teme o aprofundamento de uma contínua apreciação do real); já quem tem dólares a pagar, tem medo do risco de um processo agudo e contínuo de desvalorização da moeda nacional face ao dólar.

Com a frouxidão dos últimos anos, não apenas as autoridades e instituições reguladoras optaram por acreditar "nas forças do mercado", mas também as empresas atuaram de maneira complacente com a forma como vinha sendo aplicado o dinheiro de seus caixas. Essa displicência abriu espaço para "arriscados jogos" no mercado financeiro. A tal ponto chegou a ousadia que, dependendo da soma envolvida, tornou-se perfeitamente possível a uma empresa perder de uma tacada só o investimento de uma nova unidade de produção.

A questão básica tem a ver com o tamanho do intervalo entre a taxa do piso e do teto negociadas nas operações que buscavam "travar" o câmbio, impondo assim limites de queda e de alta para o comportamento esperado da variação cambial, em determinado prazo. A diferença entre as duas pontas, que costumava ser mínima ou muito pequena, passou a envolver "spreads" (taxa de risco) largamente ampliados.

Enquanto a confiança nos mercados era total e nada fizesse supor que uma catástrofe financeira se aproximava a passos céleres, eventuais perdas naquelas operações podiam ser consideradas marginais.

Por muitos e muitos meses o país viveu a fase do aprofundamento contínuo da apreciação do real face ao dólar. Nada mais natural, por exemplo, que um exportador negociasse com seu banco, aquele com o qual costuma obter linhas de ACC e garantia para a emissão de pré-export notes (notas de exportação vinculadas à exportação ainda não contratada), operações cambiais derivativas nas quais podia apostar que a taxa de câmbio em determinado prazo (digamos, dois, três ou seis meses) não cairia para R$ 1,50 por dólar, enquanto que o banco, na outra ponta, podia apostar que a taxa não chegaria aos R$ 1,80 por dólar no mesmo prazo. Combinados o piso e o teto, nada aconteceria com nenhuma das pontas se naquele exemplo o real variasse de R$ 1,51 a R$ 1,79. Ninguém perdia e ninguém ganhava. No entanto, se por um acaso a taxa de câmbio variasse para aquém do piso ou para além do teto naquele prazo negociado entre as partes, aí a complicação começava, com enorme potencial de prejuízo, dependendo do nível de volatilidade não previsível da taxa de câmbio.

Se a taxa chegasse a R$ 1,50, o gatilho do piso era então acionado. Neste caso, o banco tornava-se devedor do diferencial de R$ 0,30 entre as taxas acertadas para o piso e o teto. Assim, uma operação envolvendo US$ 10 milhões representaria, no caso, um ganho em moeda nacional de R$ 3 milhões (US$ 10 milhões vezes R$ 0,30) para o exportador. Se a taxa cravasse na outra ponta, em R$ 1,80 por dólar, a perda de R$ 3 milhões seria assumida pelo exportador.

Outras combinações são possíveis, com detalhes mais complicados. Uma delas pode envolver operação de financiamento em reais casada com operação de compra e de venda de volatilidade de opções de dólar. A volatilidade, como se sabe, é um dos principais componentes do modelo de opção e pode ser calculada a partir da expectativa de risco, maior ou menor, que se tenha para a ponta do piso ou do teto.

Neste caso, trabalha-se com modelos matemáticos complexos que consideram, inclusive, uma determinada taxa de risco para dada volatilidade que suplantar a média esperada para o período. Isso significa que, se o câmbio pular de R$ 1,80 para, digamos, R$ 1,90 em um mês, e se a probabilidade nesta ponta for menor do que a probabilidade de cair abaixo de R$ 1,50, o peso imputado no modelo para cada centavo que passar o teto tende a ser maior do que o peso para uma discrepância no piso.

Assim, se o peso sobre a volatilidade na ponta do teto for dois, por hipótese, significa que a cada mês de rolagem da operação no mercado futuro em que a taxa de câmbio subir R$ 0,10, a perda para quem estiver vendido em R$ 1,80 será não de 10 centavos, mas de 20 centavos. Ou seja, o dobro, tendo em vista o aumento da volatilidade do mercado.

Agora, basta observar a evolução desde julho do câmbio comercial no mercado à vista, conforme gráfico acima, para se ter a dimensão da montanha de prejuízo que a súbita e profunda desvalorização do real pode representar para quem se posicionou na ponta errada. Ontem, o câmbio fechou em R$ 2,294, mas chegou a R$ 2,530 durante o dia.

Maria Clara R. M. do Prado, jornalista, é sócia diretora da Cin - Comunicação Inteligente e autora do livro "A Real História do Real". Escreve quinzenalmente, às quintas-feiras. E-mail: mclaraprado@ig.com.br



Escrito por SALSFI às 01h55
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Resgate abrangente do sistema
Martin Wolf 

 
Como teria dito John Maynard Keynes: "Quando mudam os fatos, mudo de idéia. O que faz o senhor?" Eu mudei de idéia, à medida que crescia o pânico. Investidores e instituições financeiras passaram de uma postura de crer em todos a não crer em ninguém. O medo que impulsiona a quebradeira nos mercados financeiros é tão exagerado quanto a ganância que impulsionou o comportamento oposto pouco tempo atrás. Mas pânico injustificado também causa devastação. Ele deve ser detido, não na próxima semana, mas neste momento.

O tempo da abordagem desordenada, de país a país e instituição a instituição, acabou. Precisei de algum tempo - pode-se dizer, longo demais - para perceber a extensão dos perigos. Talvez tenham sido os erros do Tesouro dos EUA, especialmente a decisão de deixar o Lehman Brothers falir, o que desencadeou o pânico de hoje. Isto posto, o que deve ser feito? Em uma palavra, "tudo". As economias afetadas respondem por mais da metade da produção global. Isso transforma a crise na mais significativa desde a década de 1930.

Primeiramente, o pânico precisa ser tratado. Essa constatação já convenceu muitos governos a fornecer garantias plenas ou parciais dos passivos. Essas garantias distorcem a concorrência. Uma vez concedidas, não poderão ser retiradas até o término da crise. Portanto, agora os países europeus deveriam oferecer uma garantia limitada em tempo (talvez em seis meses) da vasta maioria dos passivos de instituições sistemicamente importantes. Nos EUA, contudo, com seu enorme número de bancos, esta garantia não é viável nem necessária.

Essa garantia limitada em tempo deveria estimular as instituições financeiras a emprestar umas às outras. Se não obtiver este efeito, os bancos centrais devem emprestar livremente, mesmo numa base não segura, a instituições sistemicamente importantes demais para quebrarem.

Por estes meios, o fluxo de crédito deve recomeçar. Mas governos não podem permitir que bancos apostem livremente com o balanço patrimonial do setor público. Durante o período da garantia, os governos deverão exercer vigilância estreita sobre as instituições que decidiram proteger.

A segunda prioridade é a recapitalização. A grande lição das crises da história recente - como mostra um excelente capítulo no mais recente Panorama Econômico Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) - é que os "formuladores de política deveriam forçar o reconhecimento precoce das perdas e tomar medidas para assegurar que as instituições financeiras estejam adequadamente capitalizadas".

A recapitalização é necessária para as instituições serem consideradas solventes após a retirada das garantias. Os governos deveriam insistir num nível de capitalização que permita cancelamentos adicionais de dívidas. Depois eles poderiam subscrever uma emissão de direitos ou comprar ações preferenciais. Seja como for, os governos deveriam esperar obter lucros sobre os seus investimentos quando estas instituições recuperarem a saúde, como se espera que façam.

Esta recapitalização é uma alternativa a trocas forçadas de dívida em capital. Considero esta última idéia muito atraente. Hoje, porém, ela seguramente aumentará a histeria, a menos que possa ser feita com credibilidade de uma vez por todas. Alguns também observarão que minhas idéias têm o propósito de evitar um encolhimento dos balanços patrimoniais do núcleo do sistema financeiro. Algum encolhimento do sistema financeiro é inevitável, porém, especialmente nos EUA e no Reino Unido. Deveria ser permitido que ocorresse no chamado "banco-sombra".

Isso conduz à terceira questão: o que fazer com os ativos de má qualidade? Algumas vezes faz sentido tirar esses ativos dos bancos. Este é o propósito do novo "programa de socorro a ativos duvidosos" (Tarp, na sigla em inglês) dos EUA. Devido ao fato de os ativos de má qualidade estarem amplamente distribuídos mundo afora, o programa dos EUA, de criar um mercado para esses ativos - e possivelmente elevar os seus preços a um nível de equilíbrio mais alto - beneficiará muitos outros sistemas bancários.

Em outros lugares, porém, a quantidade de ativos de má qualidade gerados localmente parece pequena. Esses programas, portanto, são desnecessários. Se os bancos forem capitalizados adequadamente, estes programas serão também redundantes.

Igualmente, se os bancos forem adequadamente capitalizados, as preocupações em torno da contabilidade de marcação a mercado serão menos importantes, já que os balanços patrimoniais podem dar conta dos necessários cancelamentos de dívidas. Pode ser sensato, porém, declarar explicitamente que os reguladores não se concentrarão apenas nas avaliações atuais para determinar as exigências de capital.

A maior questão a respeito destas propostas é saber se os governos podem arcar com elas. Alguns economistas argumentam que muitos bancos não são apenas grandes demais para falir, mas também grandes demais para salvar. Eles fazem isso apontando para as relações dos passivos bancários ante o PIB do país anfitrião. Mas o que importa é a relação do pior caso de recapitalização fiscal ante o PIB. Infelizmente, até isso pode ser enorme.

Consideremos o Reino Unido, onde os ativos combinados dos cinco maiores bancos são quatro vezes o PIB. Uma recapitalização igual a 1% dos seus ativos custaria ao governo um aumento no endividamento igual a 4% do PIB; uma recapitalização de 5% custaria 20% do PIB. Se o sistema bancário de algum país começasse a sofrer perdas nessa escala, as trocas de dívida em capital poderiam se tornar inescapáveis. Elas podem ser agora a única forma de seguir adiante para a Islândia.

Algumas pessoas argumentam que os membros da zona do euro têm um desafio especial: individualmente, afinal, eles não têm nenhum acesso a um BC. Os extraordinários saltos recentes nos spreads entre taxas sobre bunds alemães e bônus italianos, a um pico ligeiramente abaixo de 90 pontos-base, indica que os mercados poderão concordar. Mas a inflação também é uma forma de calote. Um país com um BC, como o Reino Unido, poderá ter de suportar juros de longo prazo mais elevados no caso de se avolumarem questionamentos sobre sua capacidade de financiar os necessários resgates de bancos.

Se a recapitalização de um número substancial de bancos da zona do euro for necessária, alguns países membros poderão ser incapazes de prover o dinheiro. Haveria perigo para os demais se aquele governo optasse por não fazer nada, ou se iniciasse uma troca de dívida por capital. Estas ações poderiam provocar pânico por toda parte. A solidariedade fiscal poderia se revelar inescapável. Seja como for, a coordenação em torno das formas de proceder será essencial para o ressurgimento de um vigoroso sistema bancário da zona do euro.

Este pânico também deverá ter um grande impacto sobre as economias. Portanto, os bancos centrais, à exceção do Fed, deveriam reduzir suas taxas de juros. Ainda na semana passada eu pensava que um corte de meio ponto percentual nas taxas faria sentido para o Reino Unido. Se eu estivesse no comitê de política econômica hoje, defenderia um ponto percentual cheio. O mundo mudou, em grande medida, para pior.

Os ministros das finanças e chefes de bancos centrais dos sete países mais ricos se reunirão em Washington em breve. Pelo menos desta vez, estas são as pessoas certas. Elas precisam viajar com uma tarefa em mente: restaurar a confiança. A história julgará os seus sucessos. Estas pessoas poderão ser lembradas como os autores de outra grande depressão. Este é um destino que eles devem evitar agora, para o bem de todos nós.



Escrito por SALSFI às 07h32
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Mercado avalia perdas com dólar em derivativos

 

Cristiane Perini Lucchesi, Raquel Balarin, Graziella Valenti e Cristiano Romero, de São Paulo e Brasília -08/10/2008
 

 
As operações de alto risco no mercado de derivativos que deram prejuízo a algumas empresas estão reduzindo a liquidez no mercado interno ao sangrar também o caixa dos bancos que atuaram como contraparte e que têm de pagar ajustes diários na BM&FBovespa toda a vez que o dólar sobe. Ontem, a moeda atingiu R$ 2,3110, com alta de 5,14% - 48% acima de seu nível mínimo, no dia 1º de agosto.

O Valor teve acesso a ofertas feitas pelos bancos a empresas exportadoras para um hedge (proteção) contra a queda do dólar semelhante à transação realizada pela Aracruz. Nessa operação de alto risco, chamada "target forward", a empresa aposta duas vezes que o real vai se valorizar. Fica vendida em dólar futuro duas vezes. Primeiro, vende o dólar para o banco no mercado futuro - uma tradicional venda de dólar a termo, com cotação prefixada. Essa transação pode não representar exposição a risco cambial se for casada com uma receita em dólar que a empresa tiver a receber.

Porém, na operação realizada pelas empresas, elas vendiam o dólar de novo para o banco no futuro, por meio de uma transação mais arriscada: a venda de uma opção de compra. Nela, o banco paga um valor à empresa para ter o direito de comprar o dólar a uma cotação pré-estabelecida no futuro. Os riscos foram assumidos porque as empresas não acreditavam que o dólar subiria tanto no curto prazo a ponto de ultrapassar a cotação alvo e porque conseguiam ganhos maiores do que no dólar a termo, embora estes tivessem um limite e as perdas, não.

Até agora, o Banco Central optou por não atuar diretamente no mercado de câmbio à vista, mas pode mudar de tática a qualquer momento e intervir vendendo reservas para diminuir a desvalorização do real frente ao dólar. Até agora, a preocupação tem sido não "queimar" reservas. Mas isso pode mudar. "As pessoas não devem operar achando que o BC vai ficar fazendo sempre a mesma coisa, indefinidamente", advertiu uma fonte do governo.




Escrito por SALSFI às 07h21
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O Brasil e a crise - Crédito deve perder R$ 70 bi no ano que vem

Por Márcia De Chiara, no Estadão:
Pelo menos R$ 70 bilhões ou 2% do Produto Interno Bruto (PIB)deixarão de ser ofertados na economia como crédito destinado a empresas e consumidores em 2009 em razão da crise financeira mundial, segundo projeções da LCA Consultores.
Antes do acirramento da crise, a expectativa era de que a oferta de crédito total aumentasse 21% em 2009 e fechasse o ano com um saldo de R$ 1,430 trilhão. Agora o cálculo foi refeito pelo economista-chefe da consultoria, Braulio Borges, levando em conta a crise, porém de intensidade moderada. As novas projeções indicam um crescimento bem menor do volume de empréstimos, na faixa de 15% ante 2008, que resultará num saldo de R$ 1,360 trilhão em dezembro em 2009. Segundo essa projeção, o crédito como fatia do PIB ainda vai aumentar em 2009 e poderá atingir 42,3%, ante 40% neste ano. Mas a velocidade de expansão será bem mais lenta que a verificada desde 2006 na comparação com o ano anterior.
Juros maiores e, especialmente, prazos menores devem desacelerar o crédito em 2009, que foi o grande motor da demanda doméstica nos últimos quatro anos. Mas, por enquanto, a massa salarial em alta e estímulos extras, como o 13 º salário, que começa a ser pago em novembro a um número crescente de trabalhadores e pensionistas da Previdência, em razão da elevação do nível de emprego, e a estratégia do comércio de tentar subir os juros gradualmente, para não espantar o consumidor, vão garantir uma certa inércia do crescimento da demanda interna neste trimestre, concordam economistas.
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Por Reinaldo Azevedo | 06:57 | comentários (5)


Escrito por SALSFI às 01h01
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Crise leva mercado a colocar mais risco nas cotações
Ana Paula Ragazzi, de São Paulo - 07/10/2008
 
O aprofundamento diário da crise financeira global prejudica o andamento da função natural do mercado, de estabelecer preços para os diversos ativos. Especialistas comentam que, olhando para fundamentos, não há justifica para as quedas acumuladas este ano pela maioria das empresas brasileiras. Mas, recentemente, o mercado passou a deixar de lado também os preços fixados para negócios - aparentemente - fechados.

Há algumas semanas, chamou a atenção o descasamento das cotações na bolsa em relação aos preços estabelecidos para o negócio entre Cyrela e a Agra, oficialmente desfeito ontem. Analistas creditavam o comportamento dessas cotações às dificuldades no cálculo de preços e não a dúvidas sobre a possibilidade de cancelamento.

Brascan e Company, Gafisa e Tenda, Brasil Telecom e Oi já fecharam acordos e colocaram valor nos ativos, estabelecidos por meio de relações de trocas de ações. Em tese, o mercado deveria replicar esses preços, ainda que com alguns ajustes, como no caso das teles, onde há inclusive algumas indefinições regulatórias para o negócio. Mas, ontem, por exemplo, as ações da Brascan chegaram a ser negociadas 8% abaixo do valor previsto na transação e encerraram o pregão em -3%. A Tenda, pela negociação com a Gafisa, foi avaliada em R$ 1,75, ontem fechou a R$ 1,09.

O especialista em risco do Ibmec São Paulo, Alexandre Jorge Chaia, diz que em momentos de crise o que muda é a proporção do risco que deve estar embutido nos preços e nas transações. "Diante da instabilidade atual, com a quebra de confiança, o mercado se pergunta como descontar dos preços os riscos sistêmicos e também operacionais", diz. "Com a irracionalidade, a tendência é que este desconto seja crescente."

No caso de operações fechadas antes do agravamento da crise, as percepções para o futuro e potencial das empresas adquiridas eram uma, mas, agora, se modificaram completamente, deteriorando-se junto com o ambiente de negócios. "A percepção de quanto uma transação poderia agregar para a compradora também pode mudar e, apesar de os preços já serem dados, o mercado pode ajustar-se a novas expectativas", diz Chaia.

O caso mais gritante é o de VCP e Aracruz, que viu suas ações derreterem depois de anunciar perdas potenciais de R$ 1,95 bilhão com derivativos.

Para Ricardo Almeida, especialista em gestão empresarial da FIA (Fundação Instituto de Administração), o descasamento desses preços mostra o poder da crise financeira atual de deixar o mercado a ponto de questionar o que está no papel.

"Se um negócio é fechado no meio de uma crise, no caminho até a sua concretização podem acontecer muitas coisas totalmente inesperadas e o mercado poderá passar a contar até mesmo com acordos desfeitos."

Para Chaia, do Ibmec, a dificuldade de encontrar um preço adequado vai afetar ainda mais as empresas novatas, que chegaram à bolsa mais recentemente, já que em um momento agudo de crise, elas não têm um histórico de performance para mostrar, o que alimenta as dificuldades para o cálculo dos preços.

Fabio Anderaos de Araújo, estrategista da Itaú Corretora, lembra que o mercado ficou ainda mais de mau humor com alguns setores e construção é certamente um deles. O panorama atual para essas companhias é de dificuldade de obter financiamento para novos projetos, logo as perspectivas para o crescimento futuro foram reduzidas.

"A crise alimenta a volatilidade e as dúvidas sobre o futuro. As preocupações de mercado ficam ainda mais ressaltadas, o que pode levar a formação de preços diferentes das estabelecidas pelos negócios, sem que, necessariamente, indiquem a possibilidade de que eles sejam desfeitos", diz



Escrito por SALSFI às 00h52
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Aracruz foge dos parâmetros do negócio com VCP
Graziella Valenti, de São Paulo - 07/10/2008
 

 
O mercado, quase sempre implacável, já deu sua resposta à Aracruz. O comportamento das ações aponta dúvidas quanto ao negócio com a Votorantim Celulose e Papel (VCP). Para os investidores, a postergação do fechamento do negócio indica possível revisão das condições. Além disso, os investidores não se sentiram confortáveis com a decisão da companhia de manter os contratos derivativos abertos.

As preferenciais da Aracruz caíram mais 15,46% ontem na Bovespa e fecharam a R$ 4,10. Já os papéis da VCP perderam apenas 1,04%, e encerraram o dia a R$ 22,75. Com isso, a relação de troca das ações para o que deve ser a segunda etapa da aquisição do controle - a união societária - se afastou dos parâmetros divulgados.

Ontem à noite, a VCP divulgou nota em que esclarece que a postergação "foi devido à conveniência das partes". Segundo a companhia, "isso em nada altera o que está acordado", nem o interesse de criar uma empresa líder no mercado mundial de celulose.

O fechamento de ontem indica que cada preferencial da Aracruz valia 0,18 preferencial da VCP, apesar de as empresas sugerirem um intervalo entre 0,22 e 0,24 para troca de papéis que deve ocorrer após a compra do controle.

A operação com derivativos destruiu valor do negócio ao ponto de um grupo de investidores descontente com a proposta da VCP desistir de se preparar para brigar por condições melhores. Ao contrário, predomina o sentimento no mercado de que o negócio vai se concretizar, mas talvez em outras bases. A exposição da companhia a um risco diferente do operacional prejudicou também confiança. Os comentários generalizados eram de surpresa, em função do histórico construído pela administração - muito mais do que com a Sadia.

No caso da Aracruz, a perda potencial com a alta do dólar é de R$ 1,95 bilhão. Mas o efeito contábil no balanço deve ser de R$ 2,3 bilhões, pois inclui o impacto sobre a dívida em moeda estrangeira. O montante é bastante superior ao lucro estimado para o ano. Lika Takahashi, da Fator Corretora, estimava lucro líquido de R$ 763 milhões para o ano. O prejuízo potencial equivale a metade da receita projetada para o ano, de R$ 4,1 bilhão. Trata-se de um volume equivalente a 35% do patrimônio líquido da empresa, que estava em R$ 5,6 bilhões em junho.

O desconforto com a companhia, além do risco sobre a transação com a VCP, têm duas razões. A primeira é a falta de transparência com o problema e a segunda é a manutenção do próprio problema. Ao contrário da Sadia, que liquidou as operações ao perceber que os limites de risco estabelecidos internamente foram corrompidos, a Aracruz optou por manter os contratos derivativos.

"Ao querer postergar a perda, a companhia tomou a decisão de continuar especulando", disse Alexandre Di Miceli, coordenador do Centro de Estudos (CEG) em Governança da Fipecafi. "Manteve a surpresa ruim em aberto."

Em seu comunicado, a Aracruz afirmou que as operações têm prazo médio de 12 meses, com verificação contratual mensal - em que ocorre o desembolso ou recebimento de caixa pelos ajustes de mercado. O montante total divulgado é o "valor justo" do ajuste.

Parte das tensões com a empresa vêem do fato que o investidor continua correndo um risco que ele não consegue medir, pois a companhia não forneceu informações suficientes. O analista Rogério Zarpão, do Unibanco, comentou em relatório que não foi divulgado nem o valor dos contratos e nem a taxa de câmbio a partir da qual a empresa passou a ter perdas. Tudo o que se sabe é que, para administrar essa fase, a companhia tem uma posição comprada em dólares da ordem de US$ 538 milhões, a uma taxa média de R$ 1,91.

Reginaldo Alexandre, vice-presidente da Associação dos Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-São Paulo), destacou a importância da transparência em momentos negativos. "Um jogo aberto conta a favor da companhia, mesmo quando a notícia é ruim." Segundo ele, é preciso dar instrumentos para dimensionar e acompanhar os riscos dos negócios.



Escrito por SALSFI às 00h39
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CVM diz que só há oferta em alienação de controle
Graziella Valenti, de São Paulo - 07/10/2008
 
 
Fim das dúvidas. Pelo menos das dúvidas sobre a opinião do regulador. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), diante da ansiedade do mercado com as operações entre Tenda e Gafisa, Datasul e Totvs, e ainda Company e Brascan Residencial Properties, veio ao público afirmar que não se tratam de negócios que disparam obrigatoriedade de oferta aos minoritários.

Dessa forma, a autarquia consolidou seu entendimento de que o artigo da Lei das Sociedades por Ações obriga oferta aos minoritários em caso de venda de controle e não de troca. O documento foi produzido pela Superintendência de Registros da CVM.

Flávia Mouta Fernandes, gerente de registros da autarquia, explica que a opção por se posicionar publicamente deveu-se à repercussão das operações. "Foram três negócios na seqüência. Achamos por bem nos colocar."

Embora tenham diferenças de estrutura, as operações que ensejaram o posicionamento público da CVM envolvem mudança no controle por meio de uma incorporação de ações ou de empresa, o que gera a diluição do antigo controlador ou do bloco majoritário.

Para a CVM, o entendimento de que não há necessidade de oferta a minoritários é justamente porque essas transações não aconteceram por meio da transferência de ações dos antigos para os novos controladores, mas sim pela diluição.

O regulador também avaliou o estatuto das companhias e as cláusulas conhecidas como pílulas de veneno - que podem levar a realização de oferta a todos os acionistas dependendo da fatia do capital adquirida. Também quanto a esse ponto a compreensão é que os estatutos deixavam claro que não havia limitações em casos de incorporações ou de subscrição de novas ações.

A despeito da repercussão negativa que algumas das operações tiveram no mercado - em especial o negócio entre Tenda e Gafisa -, Flávia acredita que o posicionamento público da CVM pode ter um "efeito didático" sobre o tema.



Escrito por SALSFI às 00h26
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Aquisição do controle da Aracruz é postergada
 
 Por André Vieira, de São Paulo06/10/2008
 
A forte instabilidade cambial das últimas semanas começa a fazer estrago na vida real, desta vez pondo em risco a criação da maior fabricante de celulose de eucalipto do mundo. O grupo Votorantim decidiu postergar a compra das ações detidas pela Arapar na Aracruz Celulose.

Inicialmente marcada para hoje, a transação não tem mais prazo para ser concluída. "As etapas para fechamento da operação de aquisição das ações da Aracruz detidas por Arapar ainda estão em fase de implementação", informou a Votorantim Celulose e Papel (VCP) na sexta-feira, em comunicado.

"Existia a expectativa de que o processo de compra das ações da Arapar poderia ser acelerado a partir do acordo fechado entre os grupos Votorantim e Safra, mas decidiu-se postergar a decisão devido aos episódios recentes", disse uma fonte ligada à negociação.

Segundo apurou o Valor, o adiamento decorre dos problemas financeiros surgidos na Aracruz que revelou perdas potenciais de quase R$ 2 bilhões com operações derivativas no mercado futuro de câmbio. A fabricante adotava desde 2005 uma política agressiva de uso de instrumentos derivativos como forma de compensar as perdas de receitas com exportações de celulose, afetadas pela valorização do real frente ao dólar.

A compra das ações da Arapar antecede o processo de reorganização societária que envolve a fusão da Aracruz e da VCP, cujo controle será compartilhado pelos grupos Votorantim e Safra. Com o adiamento, fica a dúvida se o negócio será fechado pelo mesmo valor acordado no dia 6 de agosto.

A Aracruz informou que o valor de suas perdas com operações com derivativos somava R$ 1,95 bilhão caso todos os contratos fossem liquidados no dia 30 de setembro. A empresa demorou uma semana para anunciar o valor de suas operações.

O valor representa 72% dos R$ 2,7 bilhões que a Votorantim se propôs pagar pelas ações da Arapar, que pertencem a um grupo de investidores liderados pela família Lorentzen. Excluindo a parcela de R$ 530 milhões que a família Ermírio de Moraes deve receber do grupo Safra para dividir o controle na gigante de celulose, o montante líquido a ser desembolsado pelo grupo Votorantim representa quase 90% do potencial de perdas previstas pela Aracruz.

Apesar das potenciais perdas chegarem a um valor significativo no terceiro trimestre, a Aracruz disse que o efeito caixa das operações derivativas foi positivo em cerca de R$ 25 milhões. A Aracruz disse ainda que o impacto da variação do câmbio sobre a dívida em dólar será de R$ 330 milhões no mesmo período.

O verdadeiro tamanho da perda com derivativos dependerá da evolução da crise daqui para adiante. As operações financeiras da Aracruz foram contratadas pelo prazo médio de 12 meses, com checagem mensal. A empresa não está obrigada a fazer o desembolso do valor de quase R$ 2 bilhões dos contratos derivativos de uma só vez.

O resultado final - desembolso ou recebimento de caixa - dependerá da oscilação do câmbio e de operações que a empresa poderá fazer para minimizar suas perdas. No fim de setembro, a Aracruz tinha R$ 1,2 bilhão em seu caixa.

A fabricante informou, por exemplo, que possuía uma posição comprada em dólar futuro de US$ 538 milhões na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), com taxa média de R$ 1,91, para mitigar os eventuais prejuízos. Na semana passada, a cotação do dólar ultrapassou os R$ 2.

"Dependendo da evolução do câmbio até o vencimento dos contratos, o risco de perda (ou ganho) de caixa ainda é possível", diz a analista Mônica Araújo, da corretora Ativa. "Dado esse risco, as ações da empresa continuarão sob pressão, até que a empresa torne mais claro que medidas serão tomadas para melhorar o controle sobre esse tipo de operação, bem como a política de limites de exposição da companhia", afirmou.

As agências de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) e Moody's colocaram em observação as notas da Aracruz, com chances de rebaixamento. Caso isso aconteça, a fabricante de celulose, que adiou a divulgação do balanço de amanhã para o dia 17, poderá ser a primeira companhia brasileira, depois de ter alcançado o grau de investimento, a perder essa condição.

No fim do segundo trimestre, o então diretor financeiro da Aracruz, Isac Zagury, que pediu afastamento do cargo depois que as informações sobre o estouro dos limites de perdas da política financeira da empresa vieram à públicos, apostava num dólar a R$ 1,65 para o fim do ano.

Desde então, a Aracruz viu as ações desvalorizarem-se 42,7% na Bolsa de Valores de São Paulo, com o Ibovespa caindo 10,2% no mesmo período. Apenas na sexta-feira, dia seguinte ao comunicado sobre as operações derivativas, a empresa perdeu 24,8% do seu valor - a maior desvalorização em um dia desde o Plano Collor, em março de 1990.



Escrito por SALSFI às 07h37
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Os sinais da economia ainda estão confusos
Denise Neumann - 03/10/2008
 

 
A crise financeira - que era internacional, mas apertou e encareceu o crédito por aqui - fez recrudescer o debate sobre qual o papel do Banco Central na condução da política monetária e se o Comitê de Política Monetária (Copom) deve ou não elevar a taxa básica de juros na próxima reunião. Essa "próxima" reunião ainda demora quase um mês. Até lá, o quadro da crise externa e, principalmente, o cenário do nível de atividade doméstico estarão mais claros. Por enquanto, ambos estão confusos.

Enquanto o mundo espera a decisão dos deputados americanos sobre o pacote e - se esse for aprovado - os desdobramentos de sua aplicação, produção e consumo internos complicam a avaliação do Copom. Esta semana foi típica de indicadores que não permitem uma avaliação simplista. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem que a produção industrial recuou 1,3% sobre julho, na série com ajuste sazonal, e cresceu apenas 2% sobre igual mês de 2007. A primeira avaliação é que a desaceleração da economia chegou, e chegou com força. Alguns economistas, contudo, têm chamado atenção para o efeito calendário, que não é totalmente neutralizado pela metodologia de ajuste sazonal do IBGE. Agosto deste ano teve 21 dias úteis, dois a menos que julho de 2008 e agosto de 2007, meses em que as fábricas operaram 23 dias com máquinas ligadas.

Em contraponto ao dado de agosto do IBGE, setembro trouxe dois sinais de consumo ainda forte. As vendas de automóveis (medidas pelo número de emplacamentos) cresceram 31,7% sobre setembro de 2007 e 9,8% sobre agosto. De novo, em setembro, há uma diferença de dias úteis: foram 22 este ano e 19 no ano passado. As vendas do comércio paulistano também sugerem um mês bom para o varejo, ainda ancoradas no crediário: as consultas ao serviço de proteção ao crédito cresceram 16% sobre setembro do ano passado, enquanto as consultas ao serviço de proteção ao cheque subiram 6,6% na mesma comparação. Nas contas da LCA Consultores, a produção industrial em setembro vai crescer 1% sobre agosto e 9% sobre igual mês de 2007, indicando que um terceiro trimestre mais acelerado que o segundo. Ao mesmo tempo, observa a consultoria, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que 93 das empresas consideram seu atual nível de estoques como normal e apenas 2% o consideram insuficiente. Em outras palavras, a indústria está tranqüila para atender seus clientes.

O Banco Central não tem como meta enfraquecer o consumo doméstico, mas as atas do Copom têm sido claras quanto à preocupação da autoridade monetária em relação ao excesso de demanda quando comparado à capacidade da indústria doméstica e das importações. O movimento de juros foi iniciado em abril, momento no qual o Copom entendeu que a inflação já trazia sinais de que os preços subiam também estimulados pelo consumo e não apenas por eventuais choques de oferta. Mirando a inflação, o BC começou a agir para enfraquecer a demanda.

Muitos economistas estão convencidos que o atual aperto de liquidez externa e doméstica vai fazer uma parcela expressiva do papel destinado ao Banco Central. De certa forma, o próprio sistema financeiro nacional está andando neste caminho ao elevar fortemente o custo do crédito em reais e ao preferir recolher ao BC os reais que "sobram" no mercado no lugar de emprestá-los aos tomadores de crédito. Ontem, no Valor, a repórter Cristiane Perini Lucchesi registrou que os R$ 13 bilhões que foram liberados pela postergação de regras do depósito compulsório sobre operações de leasing (uma tentativa do BC de irrigar o mercado depois que empresas de diferentes portes reclamaram da falta de recursos para capital de giro e do encarecimento destas linhas) não chegaram ao setor produtivo, porque os bancos, cautelosos, optaram por emprestá-los ao Banco Central.

De acordo com recente nota à imprensa do BC sobre o sistema financeiro e operações de crédito, em agosto os bancos mantinham empréstimos de R$ 797,8 bilhões (operações realizadas com recursos livres), que correspondiam a 71,9% do total da carteira do sistema (outros R$ 312,5 bilhões eram recursos direcionados, emprestados via BNDES, crédito rural e habitacional).

Entre os recursos que os bancos emprestam livremente, as pessoas jurídicas tinham saldo de R$ 348 bilhões, sendo R$ 74,6 bilhões lastreados em recursos externos - o restante, tudo em reais. Os financiamentos para pessoas físicas eram de R$ 375,2 bilhões, sem informações sobre o funding, se em reais ou em moeda estrangeira. Do total livremente emprestado pelos bancos às empresas, então, 17,6% eram atrelados ao câmbio. No total dos empréstimos livres, e considerando que todo funding às pessoas físicas seja em reais, o percentual cairia para 9,3%.

Há razão na cautela dos bancos em segurar empréstimos quando há pouca dependência de recursos externos? Há razão na seletividade quando o calote é baixo e está comportado? Os atrasos (mais de 90 dias) relativos às pessoas jurídicas se mantiveram no patamar de 1,7% em agosto, enquanto aqueles correspondentes às pessoas físicas subiram 0,2 ponto percentual, ficando em 7,5%.

O fato é que, conscientemente ou não, os bancos estão dando razão às avaliações de que a contração de crédito vai segurar a demanda e, portanto, seria dispensável uma nova rodada de aumento de juros. A questão é que, por enquanto, essa é uma projeção, enquanto os dados de consumo de setembro são uma realidade.

A inflação, antes que o Copom esqueça dela, é outra realidade. E ela está em queda, junto com as projeções para o comportamento futuro dos preços. No início de agosto, o mercado esperava 6,54% para a inflação deste ano, medida pelo IPCA. Hoje, já se espera 6,14% - uma revisão de 0,4 ponto feita em um período curto de tempo e faltando poucos meses para o encerramento do ano. E o câmbio? Bom, pelas projeções, se o dólar ficar perto de R$ 1,80, haverá impacto na inflação. Diante disso, como o BC vai decidir se aumenta ou não os juros? Atividade real ainda forte, mas inflação atual em queda? Previsão de desaceleração futura com inflação futura em alta? Atividade real forte, inflação futura em alta? Ainda bem que ainda faltam 25 dias para o próximo Copom.

Denise Neumann é editora de Brasil

E-mail denise.neumann@valor.com.br



Escrito por SALSFI às 17h09
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US and Asia stocks plunge

 

Among Japan’s big banks, Mitsubishi UFJ Financial, which on Monday bought a 20 per cent stake in Morgan Stanley, fell as much as 7.0 per cent, although it closed 4.7 per cent lower at Y893. MUFG lost about $500m on the $9bn investment overnight as Wall Street punished financial stocks.

Nomura Holdings, Japan’s largest broker, dropped 7.3 per cent to Y1,326 in Tokyo and HSBC, the company with the biggest weighting in Hong Kong’s Hang Seng index, Sumitomo Mitsui fell by 7.1 per cent to Y630,000 and Sumitomo Trust & Banking dropped 6.6 per cent to Y670.

In India, ICICI Bank dropped 7.2 per cent at the open as rumours circulated about the bank’s financial position before quickly changing direction to rise as much as 8.4 per cent to Rs534.50 after the Reserve Bank of India guaranteed the bank’s deposits. ICICI’s managing director, K V Kamath, called the rumours “baseless and malicious”.

Industrial & Commercial Bank of China, the world’s biggest bank by market value, lost as much as 8.7 per cent in Hong Kong but ended the day 1.6 per cent higher at HK$4.58 (ICBC was not traded in Shanghai as mainland markets are closed until Monday for the Golden Week of public holidays.)

The region’s biggest market, Japan, fell to its worst closing levels since June 2005. The Nikkei 225 average ended 4.1 per cent lower at 11,259.86 and the broader Topix index ended 3.6 per cent lower at 1,087.41.

Among leading electronics companies, Sony fell 7.1 per cent to Y3,150, Canon lost 6.1 per cent to Y3,820 and the games maker Nintendo was down 4.0 per cent to Y43,400.

The Hang Seng index closed 0.8 per cent higher at 18,016.21 and the main sub-index of mainland companies listed in the territory was 1.3 per cent higher at 9,070.31

The pain was spread across most of the territory’s listed companies. Bank Of East Asia fell by 2.0 per cent to HK$24.00 and China Merchants Bank fell by 2.8 per cent to HK$18.22. But Wing Lung Bank rose by 6.2 per cent to HK$155.10 as China Merchants completed its purchase of Wing Lung.

The oil producer Cnooc fell by 1.7 per cent to HK$8.85 but mainland refiners rose as cheaper crude helps them to improve margins as Beijing controls the price of petrol and other refined products. PetroChina rose by 1.0 per cent to HK$8.00 and Sinopec gained 2.4 per cent to HK$6.03.

However BYD, the battery maker, rose for the second day running after the billionaire investor Warren Buffett took a 10 per cent stake on Monday. BYD rose by 7.9 per cent to HK$12.84.

Australia suffered twice over: financial companies followed their peers around the world, and resource and energy producers were also hit by the fall in the price of crude and declining metals. The S&P/ASX 200 index ended 4.3 per cent lower at 4,600.50, a 21-month closing low.

BHP Billiton, the world’s largest miner and a big oil producer, fell by 9.5 per cent to A$31.00 and Rio Tinto fell by 11.5 per cent to A$84.50.

Fortescue Metals, an iron ore miner, fell by 16.8 per cent to A$4.66 on worries about declining global demand.

Among the big banks, National Australia Bank fell by 5.6 per cent to A$24.26 and St George Bank fell by 6.8 per cent to A$28.60.

Financial companies that depended on cheap credit to buy infrastructure and other assets also fell sharply. Babcock & Brown fell by 17.2 per cent to A$1.95. Macquarie dropped by more than 3.0 per cent but closed 0.5 per cent lower to A$37.00.

Elsewhere in Asia, the Kospi closed 0.6 per cent lower at 1,448.06 in Seoul. In Singapore, the Straits Times Index was 0.3 per cent lower late in the afternoon session at 2,353.23 and the Stock Exchange of Thailand index was 0.6 per cent lower late in the afternoon session at 597.82

On Wall Street, the S&P 500 – already pushed lower after an authorities-brokered sale of Wachovia and bail-outs in Europe deepened concerns over the health of the banking sector – plunged 7.2 per cent immediately after the Congressional vote, a fall that worsened towards the close. The Dow Jones closed down 777.7 points, its biggest one-day point decline ever.

“This is brutal,” said Marc Groz, chief executive of Topos, a quant hedge fund, who was senior associate at Morgan Stanley at the time of the 1987 crash. “’87 doesn’t compare to this – it’s so systemic.”

“Everyone’s in shock,” agreed Richard Parker, managing director of institutional equity trading at Stanford Financial, who said the market did not expect the vote to be brought before the house were there no confidence it would be passed.

The Chicago Board Options Exchange Volatility Index, known as Wall Street’s fear gauge, shot up 34.5 per cent to 46.7 after the vote, its highest closing level on record.

The market’s afternoon plummet came in spite of the Federal Reserve and European Central Bank’s move to double the size of their currency swap line.

Smaller banks were among the biggest victims. Regional banks led the fall-out from a worsening crisis of confidence. National City sank 63.3 per cent to $1.36 – after the Ohio lender insisted it had no need to raise additional capital.

Sovereign Bancorp, Fifth Third and Regions Financial plunged 72.2 per cent to $2.33, 43.6 per cent to $9.11 and 33.3 per cent to $9.80, respectively.

The overall financial sector fell 15.5 per cent. Custodian banks, normally seen as among the safest banking stocks, suffered, with State Street losing 27 per cent to $44 and Bank of New York Mellon down 27.2 per cent at $26.50.

By the close in New York, the S&P was 8.7 per cent lower at 1,107.06 – its biggest fall since 1987. The Dow Jones fell 7 per cent lower to 10,365.45 and the Nasdaq Composite Index was 9.1 per cent lower at 1,983.73.

The index of stocks placed on the SEC’s short-ban list, compiled by Bloomberg, fell 11.8 per cent, below the level before the ban was introduced.

Other large US financials were sharply lower as global money markets remained in paralysis. JPMorgan Chase fell 15 per cent at $41.

Wachovia lost 81.6 per cent of its market capitalisation, to $1.84 a share. Citigroup agreed to buy most of its assets and liabilities in a deal brokered by the Federal Deposit Insurance Corporation. Citigroup fell 11.9 per cent to $17.75

The embattled bank was in talks over the weekend with Wells Fargo and Banco Santander as well as Citigroup. Wells Fargo fell 10.9 per cent at $33.25.

Morgan Stanley lost 15.2 per cent to $20.99 after the investment bank finalised a deal to sell a 21 per cent equity stake to Mitsubishi UFJ Financial Group, Japan’s largest bank, for $9bn.

The energy sector, fell 10.9 per cent as crude fell more than 9 per cent to hit $96 a barrel in Nymex trading. Commodities stocks set new lows for the year as oil fell below $100 a barrel on concerns over the global outlook. US Steel and Alcoa and Freeport-McMoRan Copper & Gold fell 17.1per cent to $72.33, 9.2 per cent to $21.38 and 16.6 per cent to $10.60 respectively.

The technology sector suffered heavy losses, down 9.2 per cent, in losses that rivalled the bursting of the tech bubble.

Apple, the maker of iPods, iPhones and Mac computers, sank 17.9 per cent to $105.26. Earlier in the day, Morgan Stanley and RBC cut their recommendations on the stock due to slower demand.

Google fell 11.6 per cent to $381, below $400. Amazon fell 10.4 per cent to $63.35.

Automotive stocks suffered declines even after Congress voted to fund $25bn of government low-interest loans to help the sector. General Motors and Ford lost 12.8 per cent to $8.51 and 13.3 per cent to $4.17, respectively.

In the consumer discretionary sector, Urban Outfitters and Kohl’s fell 7.8 per cent to $32.21 and 7.6 per cent to $45.38 after Thomas Weisel Partners downgraded its recommendations.



Escrito por SALSFI às 16h17
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US and Asia stocks plunge

By Andrew Wood in Hong Kong and Alistair Gray in New York

Published: September 29 2008 14:05 | Last updated: September 30 2008 10:47 

Asian equity markets tumbled in reaction to the US House of Representatives rejection of a Bush administration’s $700bn bail-out plan for the financial industry while earlier US stocks suffered their biggest fall since the Black Monday crash of 1987.

Financial stocks plunged across the region, leading markets lower. Hong Kong shares dropped as much as 6.1 per cent, the Nikkei in Japan lost 5.0 per cent, and Taiwan, which had been closed on Monday, lost as much as 6.7 per cent. However losses narrowed as the day progressed and Hong Kong, for example, closed with a 0.8 per cent gain. In India, the Sensex was 2.4 per cent higher by mid afternoon in Mumbai at 12,891.82

South Korea and Taiwan temporarily banned short selling and Hong Kong’s regulator reminded investors that it would punish aggressive shorting.

The MSCI Asia Pacific Index had fallen 3.4 per cent to 107.57 by early evening in Tokyo, extending the drop of 4.9 per cent it made over the previous five days. September looks as thought it will be the regional benchmark’s worst month since for 18 years.

“There’s a massive crisis of confidence,” said Khiem Do, head of multi-asset at Baring Asset Management in Hong Kong. “I’m buying today. I love to buy when there’s panic. It’s the time to get companies with good long-term prospects cheaply.” He said the MSCI Asia Pacific index was trading at a bargain valuation of around 10.5 times earnings.

Asian investors took their cue from the US markets, where the S&P 500 fell 8.8 per cent, its worst day since falling 20.5 per cent on October 19, 1987. The Dow Jones Industrial Average fell by 7 per cent, close to the 7.3 per cent it fell when markets reopened after the September 11 attacks on the US in 2001.

Oil fell by more than 10 per cent overnight. Nymex light sweet crude was trading at $96.42 a barrel by late afternoon in Singapore.

The yen rose as investors returned money to Japan which they had borrowed there cheaply to deposit in other countries such as Australia with much higher interest rates. It reached Y103.54 to the dollar before weakening by more than one per cent beyond Y104.80.

The South Korean won, however, hit Won1,230 to the dollar, its weakest for nearly five and a half years before strengthening slightly to Won1,206.75.

Banks fell across the Asia-Pacific region, and so did exporters as investors worried about the prospects for the US economy, their biggest market.

 



Escrito por SALSFI às 16h12
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Banks too big to fail?

European banks to big to fail?

Interactive map: Some European banks are bigger than governments: their assets are greater than their home countries’ economies. This graphic explores the relative size of business and government



Escrito por SALSFI às 15h57
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'Sadia e Aracruz especularam', diz presidente Lula

AE - Agencia Estado - 05/10/08

>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou ontem duas das maiores empresas exportadoras brasileiras de ?especulação contra a moeda brasileira?. Em campanha em São Bernardo do Campo, apoiando o candidato do PT à prefeitura, Luiz Marinho, foi questionado sobre os prejuízos sofridos pela Aracruz e Sadia no mercado de câmbio, que somaram R$ 2,71 bilhões. O presidente afirmou que as perdas não foram conseqüência da crise financeira internacional.



?Não foi por causa da crise, mas da especulação. Essas empresas vinham especulando contra a moeda brasileira. Vinham praticando, por ganância, uma especulação nada recomendável?, declarou Lula. Ele voltou a defender que a economia brasileira vai bem, apesar da crise. Aracruz e Sadia foram procuradas, mas não quiseram se pronunciar sobre as declarações do presidente.



No dia 25 de setembro, dez dias depois da piora da crise financeira norte-americana após a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, a Sadia e a Aracruz divulgaram fatos relevantes ao mercado informando sobre as perdas cambiais. A Sadia, maior exportadora nacional de frangos, naquele mesmo dia, situou em R$ 760 milhões a perda com operações no mercado de câmbio.



A Aracruz não especificou cifras, confirmando apenas que havia perdido com dólar. Anteontem, a companhia, que responde por 27% da oferta mundial de celulose, informou o prejuízo potencial com derivativos: R$ 1,95 bilhão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Escrito por SALSFI às 14h48
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Apostas Especulativas Amadoras?

 

Salvador Sícoli Filho – 04/10/08

 

 

Que os presidentes das repúblicas falem pelo traseiro já não constitui novidade para ninguém.

 

Chávez, Bush, Morales disputam com o nosso o galardão da estultícia com direito a faixa.

 

No caso em tela vimos estupefatos que, diretores de empresas de primeira linha no circuito exportador não agiram exatamente como patriotas acreditando mais na moeda nacional do que no dólar - exatamente o contrário do que a proficiência do nosso dirigente arrostou. Comportamento amador, ignorância em lidar com instrumentos derivativos de alta volatilidade, falta de visão da crise que há mais de um ano é denunciada pelas quebras sucessivas de casas bancárias mundo afora. Tudo isto denunciava o tsunami que se aproximava, mas que fica difícil de admitir tivesse sido ignorado pelos dirigentes das exportadoras. Ao invés de hedge, por motivos obscuros, os financeiros destas empresas enveredaram na aposta nada altruística de defender a moeda fictícia do presidente. O caso Aracruz tem contornos mais dramáticos.

 

O caso da Aracruz remete mais a folhetim do que a empresa séria que era até pouco tempo padrão de eficiência.

 

Desde que o fechado grupo Votorantim anunciou a compra das ações do grupo Lorentzen fatos estranhos passaram a suceder.

 

Ao invés de acatar a legislação e estender a oferta aos minoritários através do tag along preferiu a empresa buscar subterfúgios para não cumprir seu dever.

 

O acordo com o Banco Safra para não exercício deste do direito de vender as ações fruto de um acordo provocou mais desconfiança no mercado.

                                        

E quando em 25 de setembro anunciou perdas não avaliadas em derivativos de câmbio o mal estar aumentou e atomizou de vez com as cotações das ações.

 

Em toda operação de opções ou derivativos existe um vencedor e um derrotado. As avaliações pífias de uma consultoria não identificada e o comunicado de 2 de outubro aniquilaram de vez com o valor das ações.

 

Mas quem engendrou tal esdrúxula operação?

Quem foi a parte vencedora?

Tal operação foi engendrada para dar prejuízo e provocar a corrida desvairada de vendas para aí então alguém comprar as ações a preços aviltados?

 

A Aracruz em pleno tsunami do mercado financeiro especulou e não encerrou rapidamente posições que passaram a tender para zero e/ou um prejuízo fabuloso. Por quê?

 

Acreditar-se que alguém não sabia o que estava fazendo é conspirar contra a esperteza dos lúcidos.

 

Por que só depois de anunciado o prejuízo potencial é que foi às compras para abrir posições inversas?

 

Fazer contrato longos de derivativos sem porta de encerramento com o mundo em chamas é como pular do 25 piso e querer chegar ao térreo vivo.

 

A Aracruz de forma confusa e sem dar nome aos bois perdeu quase todo o valor que precisaria para implantar uma nova fábrica em Minas Gerais.

 

Depois de tantas escaramuças para ascender ao palco de New York e subir no Sustainability Indexes, a Aracruz vai ser açoitada por questionamentos de investidores quer a CVM se apresente ou não como sempre alheia aos interesses dos pequenos acionistas.

 

O caso é grave demais para ouvir palpites de estranhos como se estivessem botequins ou em rodadas de futebol.

 

É realmente caso de polícia.

 

A Diretoria da Aracruz deve esclarecer como vai pagar R$ 21,25 por ação do Grupo Lorentzen e, sem dizer nada com consistência aos acionistas minoritários, negar seus direitos e ainda denegrir sua imagem corporativa conduzindo o valor das suas ações ao lixo sem reembolsar os prejuízos da ação temerária de seus executivos.

Amadores ou espertos demais?

 



Escrito por SALSFI às 01h46
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Lula acusa Aracruz e Sadia de especulação gananciosa

Presidente diz que perdas das empresas não estão ligadas à crise e sim à especulação contra o real

Joaquim Alessi, especial para O Estado de S. Paulo

>Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")
SÃO PAULO -  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado, 4, que as perdas das empresas Aracruz e Sadia no mercado de câmbio não são decorrentes da crise financeira internacional, mas de especulação. “Não foi por causa da crise, mas da especulação”, disse Lula, no encerramento da campanha do candidato do PT, Luiz Marinho, em São Bernardo do Campo. "Elas vinha especulando contra a moeda brasileira. Vinham praticando, por ganância, uma especulação nada recomendável", acrescentou.  O presidente assegurou ainda que a economia brasileira vai bem, apesar da crise.

 

Veja também:

linkAracruz anuncia perda bilionária com câmbio e ações derretem

linkSetor de serviços escapa da queda da Bovespa em setembro

linkAções da Sadia e Aracruz desabam com aposta errada no câmbio

linkSadia e Aracruz mostram que crise aportou no Brasil

linkEntenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA especial

linkA cronologia da crise financeira especial

linkVeja como a crise econômica já afetou o Brasil especial

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Escrito por SALSFI às 01h45
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