SALSIFI INVESTMENTS
   Pré-sal: solução pode estar no modelo atual

27/08/2008

Maravilhado com as descobertas de petróleo na camada pré-sal, o governo discute mudanças na Lei do Petróleo para mudar o regime de exploração e ampliar os ganhos do Estado com as futuras reservas, que, segundo estimativas preliminares, podem chegar a 70 bilhões de barris. O debate é legítimo e as propostas do governo conhecidas até o momento não são absurdas, apesar do ruído causado por balões de ensaio lançados por integrantes da comissão interministerial que trata do assunto. As autoridades deveriam considerar, porém, a possibilidade de manter o atual modelo.


O governo, na opinião de especialistas, pode conseguir o que deseja com o atual marco regulatório, consagrado pela Lei 9.478. Esse marco criou um ambiente transparente e competitivo para os investimentos no setor. Quebrou o monopólio estatal na exploração de petróleo, instituiu um órgão regulador independente - a Agência Nacional do Petróleo (ANP) - e adotou o regime de concessão, em que as empresas exploram óleo à sua conta e risco, mas ficam com o produto final, pagando sobre ele impostos, royalties e participações especiais, além do aluguel da área.


O Palácio do Planalto considera que o regime de concessão não é adequado para as reservas de pré-sal, muito mais abundantes que as descobertas anteriores e exploráveis a um risco bem menor. Por isso, estuda a adoção do regime de partilha do petróleo a ser explorado e avalia a criação de uma estatal exclusivamente voltada para a administração das áreas ainda não-licitadas.




Em Brasília, acredita-se que pode, com o pré-sal, fomentar o desenvolvimento de uma indústria petrolífera no país, da extração do petróleo à produção de produtos petroquímicos, passando pela fabricação de equipamentos. Há a crença de que, mantendo-se o regime atual, as empresas tenderão simplesmente a exportar o óleo bruto, portanto, sem agregar valor ao produto vendido ao exterior. Somente a intervenção do governo, por meio de uma nova estatal, mudaria essa situação.


O professor Giuseppe Bacoccoli, ex-funcionário da Petrobras e hoje pesquisador da Coppe-UFRJ, diz que não se investe na construção de refinarias porque dá mais dinheiro, neste momento, extrair e vender petróleo bruto. "Se fosse um negócio bom, a Petrobras e as empresas que estão investindo no Brasil desde a abertura do mercado, em 1997, já o teriam feito", diz Bacoccoli, lembrando que as margens de lucro das refinaria são pequenas e o retorno do investimento só acontece três décadas depois.



Há espaço para cobrar mais de petrolíferas


Bacoccoli acredita que o mesmo fenômeno ocorre com outras commodities produzidas em abundância pelo Brasil, como o minério de ferro e a soja. Intriga o presidente Lula, por exemplo, o fato de a Vale não investir em usinas siderúrgicas no país. A razão pode ser a mesma que fez a Petrobras passar tantos anos sem construir novas refinarias - é verdade que tanto a Vale quanto a Petrobras têm investimentos anunciados em usinas e refinarias, mas essa não tem sido uma tendência.


Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e dono de uma das maiores empresas de investimento do país (a Gávea), acha que a União ganhará mais, com o pré-sal, se não mudar o atual marco regulatório. Para ele, o modelo de agência é mais estável, tem regras mais claras e é o mais apropriado para objetivos de longo prazo. "Se o governo quiser alterar as regras na margem, sei que há espaço para isso porque o modelo é flexível. Se decidir que quer uma participação maior nos resultados, é só definir essas regras, tratando de preservar o processo competitivo porque é da competição que vai sair a maximização de receita para a União", aposta.


Em vez de uma estatal para cuidar do pré-sal, o ex-presidente do BC sugere que a ANP faça isso. "Concordo com todos que dizem que o petróleo é do povo e nada melhor para defender o povo do que uma estrutura de Estado, transparente, em vez de uma estrutura de governo. A ANP poderia cumprir esse papel. Ela não pode fazer o que lhe dá na telha. Tem uma missão clara e definida e é cobrada por isso", sustenta Armínio.


Pelas regras atuais, o governo pode elevar, por meio de decreto presidencial, a participação especial (PE) cobrada das empresas que exploram petróleo. Os valores subiram nos últimos meses, mas estão claramente defasados, reconhece Bacoccoli. No segundo trimestre, o custo médio de extração de óleo bruto da Petrobras foi de 9,88 dólares por barril. Considerando-se a participação governamental (PE, royalties e impostos), esse custo subiu para 31,08 dólares . Com o barril cotado a mais de 100 dólares, a estatal está ganhando um bom dinheiro, portanto, o espaço para reajustar a PE sem provocar grandes perturbações é considerável.


Anedotas do pré-sal


Usar o patrimônio do pré-sal para diluir o capital dos minoritários na Petrobras é pior do que o que Hugo Chávez fez na Venezuela. Lá, pelo menos pagou-se a tunga em dinheiro. Na hipótese absurda de a proposta vingar, 500 mil cotistas brasileiros dos fundos Petrobras-Recursos Próprios e outros milhares que aplicaram o FGTS em ações da estatal, segundo dados do site Fortuna, ficariam com um mico nas mãos.


Cristiano Romero é repórter especial e escreve às quartas-feiras.

E-mail cristiano.romero@valor.com.br



Escrito por SALSFI às 07h00
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   Dê mais crédito para os banqueiros

25/08/08


O mercado se entusiasmou ao ver um ensaio de recuperação das ações de bancos durante a manhã de sexta-feira. Mas a alegria durou pouco e a alta dos papéis voltou a perder força. As preferenciais (PN, sem voto) do Bradesco fecharam em leve alta de 0,60% e as PNs do Itaú subiram 0,90%. Os papéis do setor sofreram bem no primeiro semestre pelo efeito contágio da crise do setor hipotecário americano e deixaram totalmente em segundo plano o cenário interno de crescimento econômico, expansão do crédito e inadimplência controlada. Os analistas estão otimistas e acreditam que, em algum momento deste semestre, as ações terão de refletir a situação dos bancos brasileiros que, na visão deles, deve continuar benigna, a despeito do processo de alta da taxa básica de juros e de um arrefecimento da atividade econômica.


"O mercado vive de 'modinhas' e a moda do momento é não gostar das ações de bancos e o pior, sem nenhum motivo forte que justifique essa má vontade", diz o chefe de análise da Link Investimentos, Celso Boin Júnior. No ano, até sexta-feira, as PNs do Bradesco estão caindo 17,72%, enquanto o Índice Bovespa tem queda de 12,58%. Já as units (recibo de ações) do Unibanco se desvalorizam 18,84% e as PNs do Itaú, 11,02%. A crise de crédito hipotecário nos EUA foi um dos grandes motivos para a depressão dos papéis. Com medo que os problemas nos bancos americanos e europeus se alastrassem para as instituições financeiras do mundo inteiro, mais do que depressa os investidores venderam o que tinham de papéis do setor. Internamente, também se esperava que as carteiras de crédito dos bancos brasileiros crescessem em níveis bem menores do que os de 2007.


Os analistas de vários bancos estrangeiros tiveram uma parcela de culpa nesse mau humor, acredita Boin. "Alguns desses catastrofistas cogitaram a possibilidade de a crise americana atingir bancos de países emergentes e a carteira de crédito das instituições brasileiras crescerem menos de 20% este ano", relembra. Adicionalmente, havia rumores de que o governo aumentaria o depósito compulsório dos bancos, como forma de conter o crédito.


A questão é de que nada disso chegou nem perto de acontecer. Ao contrário. A crise americana não fez cócegas nos bancos brasileiros e o crédito cresceu muito acima do que se esperava. O último dado divulgado pelo Banco Central (BC) apontou um acréscimo do crédito de 33% no primeiro semestre, ante o mesmo mês de 2007, a R$ 1,067 trilhão


As perspectivas dos analistas são de que o crédito ainda crescerá bem no segundo semestre, mesmo com a alta da Selic, que a inadimplência seguirá sob controle e os "spreads" (diferença entre o custo de captação e as taxas cobradas dos clientes) continuarão altos. Pelas estimativas de Boin, o crédito deve crescer 25% este ano ante os 28% de 2007. O processo de elevação da Selic deve em algum momento reduzir a demanda de crédito por parte das pessoas físicas em modalidades como o crédito consignado. No entanto, o aumento da tomada de crédito pelas pequenas e médias empresas deve mais do que compensar o arrefecimento em pessoa física.




O retorno sobre patrimônio líquido (ROE, um indicador muito usado para medir o nível de eficiência dos bancos) dos grandes conglomerados nacionais está na casa dos 25% a 27% ao ano, abaixo dos 35% do passado, mas ainda entre os maiores percentuais do mundo. "Um ROE de 35% ao ano era algo anormal e, além disso, um ROE de 25% significa que os bancos retornam um quarto do patrimônio por ano, algo excepcional", diz o analista da Ágora Corretora Aloísio Lemos. Ele acredita que o crédito deverá crescer 20% no segundo semestre e 25% no ano em comparação a 2007.


"Em algum momento a recuperação desses papéis virá, portanto, esta é uma boa hora para comprá-los", diz Lemos. Ele recomenda a compra das ações da Itaúsa (holding do Itaú), do Unibanco e da seguradora SulAmérica. Boin, da Link Investimentos, recomenda a compra dos papéis do Bradesco e do Itaú. Ele lembra que o indicador de preço sobre lucro (P/L, que dá uma idéia de tempo de retorno) dos bancos está muito abaixo do que deveria.

Daniele Camba é repórter de Investimentos


Escrito por SALSFI às 07h45
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   Destino do pré-sal esquenta debate entre investidores
Por Graziella Valenti e Cláudia Schüffner, de São Paulo e do Rio - 25/08/2008


Anna Carolina Negri / Valor
Ary Oswaldo Mattos Filhos: é preciso afastar-se da "cacofonia" do governo
Tudo o que se refere à Petrobras e à chamada camada de pré-sal tem dimensões assustadoras. Bilhões de barris de petróleo, bilhões de dólares em lucros e bilhões em investimentos. Como não poderia deixar de ser, qualquer decisão sobre o futuro da estatal acertará em cheio o mercado de capitais.


A Petrobras representa 17,5% do valor de mercado de todas as 394 companhias abertas, tem peso colossal no principal índice da bolsa e seus papéis remuneram desde megainvestidores estrangeiros até recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).


O futuro das reservas é um assunto de interesse geral. Mas é, antes de tudo, um tema essencialmente político. "Aqui estamos nós de volta a 1940 quando o Brasil descobriu o petróleo e rapidamente nasceu um slogan político: 'O petróleo é nosso'. (...) Nós podemos antecipar o próximo slogan eleitoral: 'O pré-sal é nosso!'. ", escreveram os analistas da Itaú Corretora Paula Kovarsky e Diego Mendes em relatório a investidores. O resultado é que, como apontou a coluna do Valor "Fique de Olho na Bolsa", as ações da Petrobras voltaram para níveis de preços anteriores à divulgação da existência da reserva de Tupi.


Dúvidas sobre o destino do enigmático - e midiático - pré-sal não faltam. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vem defendendo uma estatal pura para explorar o petróleo dessas camadas abissais que ainda não foi licitado. Aparentemente não há risco de se cancelar a propriedade dos blocos onde foram encontrados os campos de Tupi e Júpiter, encontrados no pré-sal de Santos, e onde a Petrobras tem sócios como BG, Repsol, Shell e ExxonMobil. E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu para a confusão quando defendeu mais investimentos em educação ao invés de deixar o dinheiro (resultante da venda do petróleo) "na mão de meia dúzia de empresas que acham que o petróleo é delas".


Descontando o ruído político, o que há de concreto é a suspeita de que alguns dos reservatórios vão além dos blocos delimitados, ou seja, são da União. Pela regra utilizada pela indústria no mundo todo, quando um campo é contíguo a outro operado por sócio diferente é preciso um acordo para a "unitização" da área - a produção deve ficar com cada um dos sócios de campos licitados para diferentes empresas e que tenham as reservas interligadas. No caso de Tupi, Júpiter, Iara, Guará, Bem-Te-Vi, Parati, Caramba e Ogum - nomes provisórios dados às descobertas - a área da União pode representar mais de 30% do conjunto. A questão é como esse novo sócio vai investir caso não queira leiloar sua parte - um bilhete premiado - nem vender para os demais sócios.


Uma proposta apresentada pela Petrobras resolve o problema, pelo menos nessa área: ela sugere que essas reservas sejam integradas a seu patrimônio sob a forma de um aumento de capital da União, que tem diretamente 32,2% do capital total da companhia. Os recursos advindos da subscrição dos minoritários que queiram exercer direito de preferência para não terem a participação acionária reduzida seriam transferidos em parte ou no todo à União e destinados a um fundo soberano.


O problema é quantificar essa possível reserva petróleo em barris e atribuir um valor a ela. Se forem US$ 100 bilhões e as reservas valerem menos o acionista minoritário sairá perdendo. No relatório do Itaú, os analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes ponderam que aumentar a fatia da Petrobras no pré-sal é uma idéia interessante, mas que pode resultar em mais participação do governo e menos petróleo adicionado. A favor da Petrobras, segundo os analistas do Itaú, está o grande apelo político que fará o governo evitar penalizar a empresa.


Com todas essas indefinições, a maioria dos investidores em ações da Petrobras parece estar adotando a estratégia de Mark Mobius, que em recente entrevista à Bloomberg disse que enquanto não vierem mudanças específicas na política, não mudará sua opinião sobre o Brasil


A politização do debate sobre o pré-sal causa insegurança jurídica sobre o mercado de capitais brasileiro, concorda Edison Garcia, superintendente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec). Para ele, a mensagem é que o governo quer o investidor para dividir conta de investimento, mas não para dividir os lucros. "Não faz sentido, especialmente no cenário de grau de investimento", disse ele, referindo-se ao aumento da exposição do país ao capital externo com a nova classificação de risco.


Por essas e outras (e são muitas), o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) está iniciando um grupo de trabalho sobre empresas estatais. O presidente do conselho do instituto, Mauro da Cunha, afirmou que esse fórum será importante para debater os enormes desafios da aplicação dos princípios de governança, como, por exemplo, o papel dos empregados, administradores e conselheiros na defesa dos interesses da companhia. "Essa situação será importante para avaliarmos a sustentabilidade desse modelo de economia mista."


O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Ary Oswaldo Mattos Filho disse que é importante se afastar da "cacofonia" existente no governo, com o excesso de porta-vozes sobre o assunto, para avaliar friamente o tema. Ele acredita que, tratando-se das reservas já da Petrobras, não há tantas preocupações. E sobre as reservas dos campos ainda não licitados, a União pode decidir pela mudança das regras, sem prejudicar as licitações anteriores. "A questão é ver se os investimentos na descoberta das reservas foram feitos pela Petrobras por conta própria ou a pedido do governo."


"Cabe destacar que o próprio governo estimulou no passado o uso do FGTS para aquisição direta e indireta de ações da Petrobras criando um enorme contingente de acionistas", ressaltou um comunicado da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), divulgado ao fim do 20º Congresso da organização, ressaltando os temores em relação ao debate do pré-sal.


O presidente da Apimec Nacional, Alvaro Bandeira, fez questão de frisar que a modelagem atual do processo de concessões de blocos de exploração e produção de petróleo vem dando certo já há uma década. "O pré-sal só foi descoberto em função da Petrobras, em função das parcerias desenvolvidas e com base nas mais de três dezenas de empresas que hoje trabalham com exploração de petróleo no país." (Colaborou Rafael Rosas, do Valor Online, do Rio)


Escrito por SALSFI às 07h40
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   Falhas na oferta são passíveis de processo
Por Catherine Vieira e Rafael Rosas*, do Rio - 25/08/2008

Valor
José Olympio, do Credit: quem não ler o prospecto não deve comprar a ação
A temporada de ofertas públicas iniciais foi interrompida, mas o debate continua acalorado. Diante de polêmicas envolvendo empresas que chegaram recentemente à bolsa, é possível que os chamados "intermediários" - bancos de investimento, auditores, consultores e outros envolvidos na estruturação dessas operações - comecem a ser processados tanto na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quanto na Justiça. Isso porque, se ficar comprovado que houve falta de informação relevante ou falha na checagem das informações prestadas no prospecto, os responsáveis podem ser questionados.


O tema gerou debate num painel do 20º Congresso da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec), na sexta-feira, no qual Maria Helena Santana, presidente da CVM, admitiu que existem investigações em curso para verificar se ocorreram falhas nas checagens feitas pelos intermediários de dados das empresas emissoras.


Para Marcelo Trindade, do escritório Trindade Advogados e antecessor de Maria Helena na autarquia que fiscaliza o mercado de capitais, é uma questão de tempo para que surjam questionamentos desse tipo.


Perguntado por um dos presentes ao evento se as instituições financeiras estavam temerosas, José Olympio da Veiga Pereira, diretor do banco de investimentos Credit Suisse, disse que os "responsáveis" devem mesmo responder por eventuais omissões no prospecto.


Segundo o executivo, é positiva a desmitificação da idéia de que comprar papéis numa oferta pública é certeza de sucesso, porém o malogro do investimento não pode ser decorrência de informações erradas ou que faltavam no prospecto da operação. "Nossa missão como intermediário é fazer a diligência da melhor forma possível e dar ao investidor todas as informações relevantes para que ele tome a decisão de investimento", disse José Olympio. "Se houver prospectos nos quais se verifique omissão de informação relevante ou inclusão de dado não verdadeiro que induziu o investidor a um investimento que resultou em perda, acho que os responsáveis devem responder, sim."


Para Trindade, as disputas entre acionistas e bancos responsáveis pela preparação de prospectos de ofertas de ações podem significar um passo para o aumento da qualidade dos documentos que antecedem a abertura de capital. Ele lembrou que as regras determinam que os documentos de auditoria das empresas emissoras feitas pelos intermediários fiquem guardados por cinco anos. "Acho que os investidores vão cobrar em juízo se ficar provado que houve falha, o que não quer dizer que ele possa cobrar se a ação da empresa cair, porque a ação cai por várias razões, não só por causa disso."


O debate sobre as ofertas iniciais, porém, está longe de se encerrar nesse ponto. Outras questões que levantaram polêmica ainda maior envolveram o conteúdo dos prospectos e a participação dos investidores individuais nas ofertas públicas. Para José Olympio, do Credit Suisse, os documentos sempre podem melhorar, mas quem não estiver disposto a ler o "calhamaço", não deve participar da operação.


"Aqueles que não se dispõem a ler o prospecto antes do investimento, seja por incapacidade de entender ou por falta de tempo, não deveriam investir", cravou o executivo. "São informações técnicas, contábeis e há investidores menores que não têm capacidade mesmo de entender e que não deviam estar investindo diretamente", prosseguiu. Quando alguém na platéia reclamou de que os prospectos pareciam uma "bíblia", ele respondeu: "Então não compre, se tem prospecto do tamanho da bíblia, não compre, ninguém é obrigado a comprar nada".


O presidente do Instituto Nacional de Investidores (INI), Paulo Campos, porém, defendeu a participação do investidor individual nessas ofertas. "O prospecto é que tem que mudar e ser mais objetivo, palatável. Estamos justamente pleiteando isso na CVM", disse Campos. Ele reprova, no entanto, o investidor que apenas "segue a onda", ou seja, aplica em ofertas iniciais sem avaliar os fundamentos. "Para investir nessas ofertas é preciso buscar todo tipo de informação e fazer uma análise profunda", afirma.


Para o presidente da Apimec, Álvaro Bandeira, existe uma certa grita porque muitos investidores individuais se acostumaram, em determinada época, a comprar a ação de empresa estreante e "surfar" após o começo das negociações, algo que no mercado passou a ser chamado de "flipar".


Para ele, o ponto de vista defendido por Marcelo Trindade é bastante plausível. O ex-presidente da CVM disse que o pequeno investidor pode comprar o papel no mercado secundário depois que ele começa a ser negociado, quando se passa a ter uma formação de preços mais sólida.


Apesar disso, Bandeira defende que a linguagem e o tamanho dos prospectos sejam mais amigáveis e também que analistas possam emitir pareceres sobre as informações contidas nesses documentos, o que não acontece hoje. Maria Helena, da CVM, explicou que não existem restrições nas normas para que essas análises sejam feitas. "O que se pede é apenas que elas sejam enviadas também à CVM, mas não é necessário sequer aprovação."


Ela lembrou também que a autarquia se mostrou favorável a uma proposta da bolsa de que informações mais simples que são apresentadas pelas companhias estreantes nas palestras para investidores pudessem estar disponíveis na internet. Mas isso acabou não acontecendo, na prática. Para Maria Helena, o que ocorre é que os prospectos no mercado local acabaram seguindo muito o modelo dos EUA, que passou a ter linguagem muito jurídica e rebuscada após uma série de litígios que ocorreram por lá. "Os assessores passaram a ter preocupações excessivas com as proteções legais e isso torna o prospecto muito hermético", afirmou a presidente da autarquia. (* Valor Online)


Escrito por SALSFI às 07h38
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   Paranapanema quer zerar dívida com venda de ativos em 90 dias
Por Vera Saavedra Durão, do Rio - 25/08/2008

Com o fechamento das operações de aumento de capital e de subscrição de debêntures conversíveis em ações, a mineradora Paranapanema se torna uma companhia com dívida de R$ 512 milhões, bem menor que o montante anterior de R$ 1,35 bilhão, e prazo de 11 anos.


O patrimônio líquido da holding, que estava em R$ 159 milhões, salta para R$ 800 milhões, já que foi ampliado pela conversão em ações da dívida de curto prazo com os bancos Santander e UBS Pactual , no valor de R$ 202 milhões. Também contribuíram para o aumento do patrimônio a participação dos minoritários no aumento de capital, de R$ 130 milhões, e a conversão em ações da dívida dos fundos de pensão, de R$ 188 milhões. Na terça-feira, o patrimônio ainda será acrescido de R$ 125 milhões, por causa da conversão do valor a ser pago aos debenturistas em ações.


No novo perfil acionário da Paranapanema, que se torna uma companhia de capital pulverizado - sem controlador -, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passa a ter participação expressiva de 8,6%, enquanto a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) encolhe de 49% para 25% e os dois bancos - o UBS Pactual e o Santander - entram como sócios com 12% cada um, ao trocar dívida por ação.


Mas, para levar a Paranapanema ao Novo Mercado, o conselho e os acionistas querem mais do que isso. Eles têm planos de zerar o passivo vendendo parte dos ativos nos próximos 90 dias.


A proposta já se revelou polêmica e acabou provocando a saída do diretor presidente da holding, Geraldo Haenel, como apurou o Valor. Haenel teve dificuldades na interlocução com os bancos UBS e Santander, contratados pelo conselho e pela direção da mineradora para vender as empresas. Ele mostrou discordâncias em fornecer todas as informações pedidas pelos bancos sobre as subsidiárias, obrigando as instituições a buscar outros interlocutores dentro da companhia.


O conselho e os acionistas, incomodados com a demora nesta troca de informações, solicitaram ao executivo que deixasse este tipo de contato com o diretor financeiro, Luiz Antonio Ferraz. Haenel não concordou. Então, foi oferecida a ele a opção de fazer uma carta de renúncia ao cargo. Mas essa carta não foi enviada ao conselho. Haenel viajou para a China deixando os conselheiros sem resposta. Eles acabaram optando pela saída do executivo, substituindo-o por Ferraz. O Valor procurou o ex-presidente da Paranapanema, que evitou se pronunciar sobre o assunto.


Até o fim deste mês, o conselho da holding recebe as ofertas de compras das quatro empresas que estão sob seu guarda-chuva: Caraíba Metais(de cobre), Cibrafértil (fertilizantes), Mamoré Taboca, que abriga a mina de estanho de Pitinga, e a Eluma, de derivados de cobre. Segundo a empresa, cada uma tem mais de um interessado.


No caso da Caraíba Metais, considerada a "jóia da coroa", além da Vale há outras concorrentes. Os defensores da venda de ativos alegam que a Paranapanema precisa, além de zerar a dívida, ter caixa para investir para suas empresas se tornarem mais competitivas. A venda de alguns ativos vai depender basicamente do preço ofertado pelos potenciais compradores.


Mas não vai ser fácil, no entanto, para os conselheiros da Paranapanema tomar esta decisão, pois, não apenas Haenel não concordava com o andamento deste processo, como há dentro da companhia minoritários que estão dispostos a votar contra. E na nova estrutura da Paranapanema, os minoritários ganharam relevância. Eles participaram ativamente das operações de aumento de capital (foram ofertadas 112 milhões de ações ordinárias por um valor máximo de R$ 650 milhões e um valor mínimo de R$ 380 milhões e foram subscritos R$ 512 milhões, dos quais R$ 130 milhões decorreram do esforço dos minoritários).


No caso da emissão de debêntures, de um total de R$ 950 milhões correspondentes a 1,9 mil destes títulos, os minoritários compraram R$ 188 milhões. Com isso, os credores do acordo de reestruturação, fundos de pensão e BNDES, reduziram a participação nas debêntures, tendo subscrito R$ 762 milhões.


Com os recursos dos minoritários, a companhia pagou a confissão de dívida dos credores em R$ 188 milhões. Isso gerou uma obrigação dos fundos e do BNDES de converter debêntures no mesmo valor em ações, o que foi feito na sexta-feira. Logo, dos R$ 762 milhões em debêntures subscritas pelos credores, R$ 188 milhões foram convertidas em ações da companhia, permanecendo R$ 574 milhões de debêntures conversíveis em mãos dos credores. Os minoritários detêm R$ 188 milhões destes títulos.


Ou seja, o saldo de dívida da companhia em debêntures é hoje de R$ 762 milhões. Na terça-feira, a Paranapanema vai resgatar R$ 125 milhões destas debêntures derivadas dos recursos injetados pelos minoritário na operação de aumento de capital que está no caixa da holding.


Com este pagamento, o saldo de debêntures cai para R$ 637 milhões. Por conta deste novo pagamento, os debenturistas terão que converter a mesma quantia em ações. O que vai levar a um novo saldo de debêntures de R$ 512 milhões, o que corresponde ao novo valor da dívida da holding, concentrado em debêntures da segunda série, que terá até 11 anos de prazo de amortização.


Escrito por SALSFI às 07h34
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