SALSIFI INVESTMENTS
   China faz a festa além da Olimpíada
21/08/2008


O mundo está com os olhos voltados para a China, mas não apenas por causa da Olimpíada. A pujança do crescimento econômico desse país é decisivo para o nível de crescimento global, especialmente agora, em tempos bicudos, com a realidade da economia americana oscilando entre uma desaceleração ou uma recessão mais drástica. Nesse cenário, as declarações do vice-primeiro-ministro da China, Li Keqiang, de que a economia chinesa precisa continuar crescendo de forma acentuada soou como música aos investidores, que nos últimos dois meses só ouviram barulhos desagradáveis vindos do mercado financeiro. Essa pode ser a notícia que faltava para o mercado engatar um movimento de recuperação ao menos no curto prazo, acreditam alguns analistas.


O Índice Bovespa subiu 3,24%, fechando aos 55.377 pontos. O vice-primeiro-ministro da China disse que o país deve aumentar os gastos domésticos para manter o nível de crescimento, o que se mostra ser ainda mais importante num momento em que a economia global dá sinais de enfraquecimento, consequência principalmente da queda do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. Circularam também rumores de que, exatamente para estimular a economia, o governo chinês estaria estudando lançar medidas como corte de impostos, além do aumento de gastos públicos, o apoio ao setor imobiliário e o equilíbrio do mercado financeiro.


A notícia surpreendeu positivamente a todos, já que, até então, o governo chinês deixava claro a sua disposição em criar medidas que reduzissem o grande crescimento do país, com o objetivo de controlar a inflação, que vem subindo de maneira preocupante. As estimativas dos economistas eram de que a China crescesse em torno de 9,5% neste ano, um percentual e tanto, mesmo isso representando uma queda. Agora, se o crescimento realmente se mantiver na casa dos 12% ao ano, percentual registrado nos últimos anos, a notícia é ainda mais alvissareira.


A atual deterioração da crise do setor hipotecário americano começou graças às expectativas de que os EUA irão desacelerar mais do que se imaginava, levando o mundo a reboque. No entanto, se a China continuar crescendo bem obrigada, são grandes as chances de a economia global sofrer muito menos com a queda da atividade americana. Transpondo a boa nova para o mercado financeiro, isso pode significar a notícia que faltava para uma recuperação dos ativos. "Os investidores, que ficaram muito avessos ao risco nos últimos dois meses, podem voltar a se sentir mais seguros", diz o estrategista de renda variável para pessoa física da Itaú Corretora, Fábio Anderaos de Araújo.


O economista-chefe da Plenus Gestão de Recursos e diretor do curso de relações internacionais da ESPM-RJ, Alexandre Espírito Santo, compartilha da idéia e acredita que o Ibovespa agora tem condições de voltar para os 60 mil pontos no curto prazo. "A parte fundamentalista, com a notícia da China, corrobora a parte técnica, que aponta para a recuperação da bolsa, dado que o movimento de venda das ações vem perdendo a força", diz Espírito Santo.




Bom para a China, bom para o Brasil


A continuidade de um crescimento vigoroso da China coloca em xeque o fim do longo ciclo de valorização das commodities, uma vez que o país é um dos grandes consumidores de tais matérias-primas, como minério de ferro e aço. Por esse motivo, as ações das produtoras brasileiras de commodities lideraram as altas de ontem do pregão. As preferenciais (PN, sem direito a voto) série A da Vale subiram 6,97%, enquanto as PNA da Usiminas tiveram alta 6,59%. As PNs da Gerdau Metalúrgica se valorizaram 6,48%, as ordinárias (ON, com voto) da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), 5,36%, e as PNs da Gerdau subiram 5,05%.


Os papéis da Petrobras não subiram na mesma intensidade porque, apesar de o petróleo também ser uma commodity, os preços do óleo dependem de muitas outras variáveis, além da China. "O petróleo está em uma tendência declinante e isso pode continuar mesmo com a sinalização positiva vinda da China", diz Araújo. As PN da Petrobras subiram ontem 4,84%. A idéia do governo transferir parte das reservas de petróleo na região do pré-sal para uma nova estatal é outra espada sobre a cabeça da Petrobras e que está ajudando a deprimir as ações da companhia, lembra Espírito Santo. De qualquer forma, ele acredita que os papéis da estatal não perderão a carona de valorização das demais ações de commodities. Ontem mesmo, houve um forte movimento de investidores comprando as ações da Petrobras para cobrir as vendas a descoberto (sem ter o papel) que fizeram nas últimas semanas. O Ibovespa só tem a ganhar com a chance de um cenário benigno para commodities, já que as ações ligadas às matérias-primas representam em torno de 50% do indicador.

Daniele Camba é repórter de Investimentos


Escrito por SALSFI às 07h47
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Eletrobrás fecha acordo para pagar dividendos

atrasados de R$ 8 bilhões

Raquel Balarin, De São Paulo   21/08/2008

 


A Eletrobrás finalmente fechou a negociação com o Tesouro para realizar o pagamento de dividendos retidos e não-pagos pela estatal desde o fim da década de 70. O plano de pagamento deverá ser sacramentado na reunião de conselho da estatal marcada para o dia 29 e uma assembléia de acionistas será convocada em seguida. A expectativa é de que o pagamento seja feito ainda este ano.


A operação prevê que a Eletrobrás faça o pagamento dos dividendos e, paralelamente, realize uma operação de aumento de capital. Com isso, dos R$ 8,5 bilhões devidos pela estatal, apenas cerca de R$ 2,8 bilhões devem efetivamente sair do caixa da Eletrobrás: R$ 1,8 bilhão para pagar os minoritários e R$ 1 bilhão para pagar o Tesouro, dono de 54% das ações ordinárias da companhia (e com direito, portanto, a cerca de R$ 4,6 bilhões em dividendos retidos). A proposta vinha sendo negociada há meses, mas esbarrava na resistência do Tesouro, que queria receber mais. O BNDES, com quase 20% das ações, concordou em converter 100% dos recursos em novas ações, segundo apurou o Valor.


A informação de que o pagamento poderá ser feito ainda este ano - talvez até mesmo em setembro - foi dada pelo diretor financeiro e de relações com investidores da Eletrobrás, Astrogildo Quental, na reunião da Apimec realizada ontem em São Paulo.


Fontes da Fazenda afirmam que a decisão de pagamento dos dividendos atrasados é crucial para que a companhia possa colocar em prática seu forte plano de investimento nos próximos anos. "A empresa precisa captar recursos no exterior e a confiança do investidor passa pela solução desse problema", disse uma alta fonte. A companhia recentemente obteve US$ 600 milhões em um empréstimo da CAF (com um pool de bancos liderado pelo Citibank) e pretende captar outros US$ 400 milhões com bônus no exterior. Quer ainda lançar American Depositary Receipts (ADR) em Nova York. "Há a idéia, inclusive, de levar o presidente Lula para esse lançamento", informou fonte com acesso às negociações da empresa. Segundo ela, além do pagamento dos dividendos, a companhia pretende anunciar em breve o plano de reestruturação das empresas federalizadas. (Colaborou Claudia Schüffner, do Rio)


Escrito por SALSFI às 07h38
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   PETROBRAS

 PETROBRAS

2008

20/08/2008 18:54
Esclarecimentos sobre unificação de áreas do Pré-sal   

Esclarecimentos sobre unificação de áreas do Pré-sal

 

Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2008 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS, [Bovespa: PETR3/PETR4, NYSE: PBR/PBRA, Latibex: XPBR/XPBRA, BCBA: APBR/APBRA], uma companhia brasileira de energia com atuação internacional, em resposta ao ofício CVM/SEP/GEA-2/Nº 195/08, sobre a notícia “Para viabilizar essa unificação de áreas (...) a Petrobras está sugerindo que seja feito um aumento de capital da petrolífera de cerca de 100 bilhões” de dólares, veiculada no Jornal O Globo em 20.08.2008, esclarece que:

 

a)       A Companhia desconhece a fonte da matéria.

b)       No marco regulatório vigente no Brasil, a unificação é prevista no art. 27 da Lei nº 9.478, de 06.08.1997 (Lei do Petróleo), e obrigatória quando uma jazida de petróleo ou de gás natural se estende por dois ou mais blocos contíguos, cujos direitos de exploração e produção pertencem a concessionários distintos. A unificação das áreas referidas na notícia veiculada pelo jornal não requer o aporte de capital na Petrobras.

c)       Para realizar unificação há a necessidade de acordo prévio entre as concessionárias, aprovação da ANP, as concessionárias devem elaborar o Plano de Desenvolvimento, estabelecer os percentuais a que cada uma tem direito em relação à jazida comum, definir qual é a empresa operadora das atividades de desenvolvimento e de produção da área unificada, entre outras condições contratuais.

d)       A Companhia ainda não tem dados suficientes que comprovem que a Região do Pré-sal na Bacia de Santos vá demandar unificação.

 




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Escrito por SALSFI às 07h27
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   PUBLICAÇÃO DE VALOR ECONÔMICO DE 19/08/08

O minoritário e a troca de controle na Aracruz

 

Salvador Sícoli Filho - 19/08/2008

 

 

Uma das maiores transações de aquisição de controle está em vias de acontecer e merece alguns comentários. Num setor onde o Brasil é campeão mundial de produtividade e mudou a rota de processo de todo o segmento, a investida do grupo Votorantim no papel de principal produtor mundial de celulose de fibras curtas só mereceria encômios. A não ser por alguns aspectos que passamos a elencar.

 

É estimulante o grande desenvolvimento havido no mercado de capitais brasileiros de 2002 para cá e a arremetida final que teve no ano de 2007, quando chegaram ao ápice a liquidez internacional e os recursos externos refletidos na intensa onda de abertura de capital de um grande número de companhias brasileiras. Este cenário foi bem retratado em riquíssimo artigo do professor Roberto Teixeira da Costa, no Valor, no último dia 12 de agosto. Aliás, frise-se, um dos grandes pioneiros e desbravadores do mercado de capitais brasileiro.

 

No entanto, a reboque dessa fulgurante onda de aberturas e algumas transações de grande vulto. Recorde-se aqui as incursões internacionais do grupo Votorantim na área de metais, da Gerdau com compras semeadas na América Latina, nos Estados Unidos e na Espanha. Sem falar na disparada inconteste da internacionalização da Vale os eventos surpreendentes como a tacada arrojada da InBev em seu intento de aquisição da Anheuser-Busch.

 

Dentro desse contexto, não chega a surpreender movimentos internos em função de trocas de gerações de controladores e/ou interesses de unificar companhias para ganhos exponenciais de escala. Recentemente, a Petrobras contribuiu de forma exuberante para a reorganização do machucado setor petroquímico nacional, vítima das agruras bruscas da evolução inaudita dos preços de petróleo que atingiram seu principal insumo.

 

O que surpreende é que, dentro desse novo conceito de responsabilidade social, de emergente governança corporativa, sejam reincorporados hábitos que não condizem com a pujança demonstrada pela rejuvenescida atitude das empresas em respeito ao importante componente indutor de suas possibilidades de arregimentação de recursos, que é o exército crescente de pequenos acionistas.

 

Ao relatar ao mercado a intenção de adquirir a parcela de 28% detidas pelo grupo Lorentzen, o grupo Votorantim se apressou em outro comunicado divulgado em paralelo que, corrigindo informações anteriores de web-conference da empresa, não seria extensiva aos minoritários a proposta pela aquisição do controle, visto já serem três grupos, mediante acordo de acionistas, detentores do controle.

 

No mesmo dia, os agentes de mercado e que por força de atenção profissional leram ou receberam das empresas envolvidas os comunicados, trataram de expressar na prática o resultado apressado de sua leitura. As ações ON da Aracruz foram agraciadas com uma inédita perda que chegou no ápice no dia de 30%, encerrando a sessão com desvalorização de 26,7%.

 

Mas, o que se quer aqui propagar são exatamente fatores que não podem ser desprezados sob pena de introduzir um gravoso procedimento no círculo virtuoso de ascensão do nosso mercado de capitais.

 

Ao BNDES, como principal acionista minoritário da Aracruz e que foi vetor primordial no financiamento da implantação do segmento celulose no Brasil nos anos 70, caberá papel relevante na decisão de buscar agora o resgate justo para sua atuação como agente fomento. Ele estará defendendo o seu "funding" para novos investimentos, para sua aplicação numa empresa já consolidada e para os outros preocupados minoritários.

 

E da CVM, como guardiã das leis do mercado, espera-se com alentada parcimônia que enxergue os direitos indiscutíveis dos pequenos. O que não se pode admitir como conveniente ao florescimento do mercado de capitais é que grupos atropelem as leis e as boas práticas em pretenso nome da consolidação e sinergia de interesses prejudiquem os pequenos acionistas.

 

O notável grupo Votorantim, por sinal, não é neste quesito um bom exemplo: basta a constatação de que sua melhor estrela aberta entre a constelação de empresas que o formam não disponibiliza uma única ação ordinária na bolsa. E, neste caso, a compra da pequeníssima parcela de ações ordinárias nas mãos dos minoritários seria o único e correto caminho para não transgredir a Lei 6404/76 e suas complementares nos artigos que tratam da responsabilidade do acionista controlador perante possíveis abusos de poder em prejuízo aos minoritários.

 

Salvador Sícoli Filho é diretor da Salsifi Consulting, consultor de empresas e especialista em mercado de capitais e direito societário

 

E-mail: salsificonsulting@yahoo. com.br

 

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.



Escrito por SALSFI às 06h17
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   "Pior da crise ainda está por vir", diz Rogoff
Agências Internacionais - 20/08/2008

Ricardo Benichio/Valor
Rogoff, ex-economista-chefe do FMI: grande banco deverá ter problemas
O pior da crise financeira global ainda está por vir e um grande banco norte-americano vai entrar em colapso nos próximos meses, com o aprofundamento dos problemas na maior economia do mundo, avaliou o ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Kenneth Rogoff. "Os EUA ainda não estão a salvo. Acho que a crise financeira está no meio do caminho, talvez. Eu iria mais longe ao dizer que ´o pior está por vir"´, disse ontem Rogoff em uma conferência em Cingapura.


"Nós não veremos apenas bancos de médio porte com problemas nos próximos meses... vamos ver um grande, um dos maiores bancos de investimento ou dos maiores bancos."


Rogoff, professor da Universidade de Harvard, foi economista-chefe do FMI entre 2001 e 2004. "Temos que ver mais consolidação no setor financeiro antes de tudo isso acabar", comentou ao ser questionado sobre os sinais de final da crise. "Provavelmente Fannie Mae e Freddie Mac... essas agências gigantes de hipotecas não existirão no formato atual em alguns anos."


A crise do mercado imobiliário norte-americano gerou mais de US$ 500 bilhões em prejuízos no mercado de crédito para os bancos, em termos mundiais, e desencadeou o colapso e a venda do Bear Stearns Cos., o quinto maior banco de investimentos dos EUA. Rogoff disse que o governo norte-americano deveria nacionalizar a Fannie Mae e o Freddie Mac, as duas maiores empresas financiadoras da compra da casa própria do país, que perderam mais de 80% de seu valor de mercado este ano.


A Freddie Mac e a Fannie Mae "teriam de ter sido fechados 10 anos atrás", disse ele. "Elas têm de ser nacionalizadas, os detentores de suas ações deveriam perder todo o seu dinheiro. Talvez precisemos garantir seus bônus, simplesmente porque os Estados Unidos levaram todos a crer que eles (o governo) garantiriam os bônus."


No mês passado, o presidente dos EUA, George W. Bush, sancionou em lei um projeto de lei de habitação que dota o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, do poder de fazer compras de ações da Fannie Mae e da Freddie Mac. Paulson pediu esses poderes em 13 de julho, depois que os papéis das duas instituições, que detêm ou garantem quase 50% dos US$ 12 trilhões em contratos de crédito imobiliário em circulação nos EUA, resvalaram para seu nível mais baixo de mais de 17 anos.


"A exemplo de qualquer setor em retração, vamos assistir à retirada de alguns participantes de peso desse mercado", disse Rogoff, recusando-se a identificar nominalmente os bancos que, segundo prevê, cairão na insolvência. "Assistiremos, realmente, a uma concentração de capital no setor, mesmo entre os grandes bancos de investimento."


Escrito por SALSFI às 06h03
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   Fusão de Aracruz e VCP aumenta debate sobre incorporação
Por Graziella Valenti, de São Paulo - 20/08/2008
 

Nelson Perez/Valor
Francisco da Costa e Silva, ex-presidente da CVM, sugere que incorporações sejam consideradas fechamento de capital
O debate sobre operações de incorporação de ações vai esquentar com o projeto de fusão de Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP). Depois da definição da nova estrutura de controle da Aracruz, o grupo do empresário Antônio Ermírio de Moraes ofereceu aos minoritários da companhia a compra das ações por um valor que é inferior à cotação de mercado e metade do preço considerado como justo pelos analistas. E, diferentemente da proposta em dinheiro feita à família Lorentzen e ao Safra, o pagamento aos pequenos acionistas será em papéis da VCP, que será a única companhia a ficar na Bovespa.


A média das avaliações dos analistas, feitas com base em projeção de resultado da empresa, aponta um valor justo de R$ 16,05 para as ações preferenciais da Aracruz. Esse valor considera os cálculos de 14 analistas da base de dados da Bloomberg. A relação de troca de ações proposta pela VCP equivalia a um intervalo de R$ 8,03 a R$ 8,76 por preferencial da Aracruz, conforme os preços do mercado na data anterior ao anúncio da fusão (5 de agosto). Nesse dia, as ações fecharam o pregão a R$ 10,50. A sugestão representava um desconto da ordem de 20% sobre a avaliação em bolsa, quando foi anunciada.


Além disso, a oferta feita à família Lorentzen e ao Safra, que conferirão a maioria do capital votante à VCP - de R$ 21,25 por ação ordinária - é cerca de 150% mais alta do que os valores embutidos na proposta aos minoritários.


A relação de troca que está por traz dos cálculos sugeridos aos minoritários foi desenvolvida pelo Banco ABN Amro Real e indica que cada ação da Aracruz será trocada por algo entre 0,22 e 0,24 ação da VCP. O laudo do banco que fundamenta essa proposta, porém, só ficará acessível após as etapas que garantam o controle ao grupo Votorantim estarem encerradas.


Desde que a VCP tornou pública a intenção de reorganização para fusão das operações, as cotações na bolsa de ambas as companhias vêm se ajustando à relação de troca proposta. As preferenciais da Aracruz caíram 11,4% e as de VCP recuaram 4,7%. Já se comenta abertamente no mercado financeiro que a proposta deve gerar debate com os minoritários da Aracruz.


As transações de compra de controle com posterior incorporação de ações não são novas. Ao contrário, são operações tradicionais do mercado de capitais brasileiro, e praticamente todas geraram algum embate com minoritários. Em boa parte deles, a discussão foi sobre o laudo de avaliação, peça que valida as relações de trocas de ações estabelecidas. Até mesmo a VCP já enfrentou a discussão, na incorporação das ações da Ripasa. Muito antes o grupo Votorantim já havia enfrentado as discussões do fechamento de capital da Cimento Itáu. Não será a primeira disputa com os acionistas.


Apesar dos embates tradicionais, essas operações quase sempre seguiram adiante. A única paralisada foi a tentativa de incorporação de ações da Tele Centro Oeste Celular (TCO) pela Telesp Celular. A transação não seguiu adiante porque o então presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) emitiu um parecer sobre a proposta, considerando-a abusiva. O motivo pelo qual tal transação sempre se concretizou é o fato de não ser ilegal, nem irregular.


Mas as mudanças no mercado de capitais brasileiro, que culminaram com a criação do Novo Mercado da Bovespa, garantiram mais direitos e proteção aos minoritários. Caso as companhias estivessem nesse segmento da bolsa, a discussão poderia ser minimizada, já que as empresas do Novo Mercado possuem apenas ações ordinárias e todos os acionistas têm o mesmo tratamento dado ao controlador. O Novo Mercado, porém, não está nos planos da VCP, nem depois da reestruturação societária com a Aracruz.


"É um modelo polêmico. Na prática, é um fechamento de capital, mas fugindo de algumas regras", afirmou André Antunes Soares de Camargo, coordenador ajunto de direito societário do Ibmec São Paulo.


Tanto no fechamento de capital como na incorporação de ações o resultado é que a companhia absorvida transforma-se numa subsidiária integral daquela que fez a oferta. Diferença importante é o desembolso financeiro. O fechamento de capital envolve pagamento em dinheiro.


Caso a VCP decidisse fazer uma oferta pelas ações, no lugar de incorporar os papéis, o custo da operação subiria substancialmente. O valor de mercado das preferenciais somava R$ 5,4 bilhões, no pregão de ontem.


É por conta desse cenário que, na semana passada, o ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários Francisco da Costa e Silva fez uma sugestão pública para o regulador encontrar uma saída para esse dilema. Para ele, as incorporações de ações deveriam ser consideradas um fechamento de capital e seguir as regras para tanto. Com isso, minoritários descontentes ganhariam a possibilidade de pedir um laudo de avaliação para combater a proposta feita. Além disso, a operação só se concretizaria se, no mínimo, dois terços das ações alvo aceitassem a proposta.


Um dos grandes problemas das incorporações de ações é que não dependem de aval da CVM, apenas da aprovação em assembléia - na qual o controlador, normalmente, o próprio ofertante da incorporação decide. Uma vez aprovadas, são compulsórias, ou seja, serão executadas, queiram os acionistas minoritários ou não.


Ao fazer sua sugestão ao regulador, durante um seminário em São Paulo, Costa e Silva não poupou o público dos detalhes críticos dessas operações, que vão desde laudos de avaliação pouco independentes à lógica econômica que deixa os minoritários com a "sobra" do valor investido numa aquisição de controle.


"Não conheço um laudo que não tenha sido feito de traz para frente." Por isso, na opinião dele, além da CVM passar a tratar tais operações como fechamento de capital é preciso modificar a Lei das Sociedades por Ações para se atribuir mais responsabilidade aos avaliadores contratados para fazer o laudo dessas operações.


O modelo sugerido por Costa e Silva não seria inédito. Há experiências internacionais nesse sentido. Soares de Camargo, professor do Ibmec, explica que em alguns países da Europa já há regras semelhante. Propostas de incorporação disparam a obrigatoriedade de oferta para todos os acionistas, por serem consideradas fechamento de capital.


A proposta faz coro ao pleito da Associação dos Investidores do Mercado de Capitais (Amec), encaminhada formalmente à CVM em outubro do ano passado. Em carta enviada ao regulador, a associação questiona o modelo e pede cuidado para a subjetividade dos laudos. Questionada sobre as sugestões, a CVM respondeu que tudo é avaliado e que, no momento, não há nada a apresentar sobre as sugestões, especificamente.


Entretanto, algumas medidas já foram tomadas pela própria CVM, em razão dos recorrentes dilemas envolvendo incorporação de ações. A autarquia está buscando reduzir o conflito aumentando a responsabilidades dos administradores das empresas na aprovação dessas operações. Desde março, está em consulta pública um parecer que pede a formação de um comitê especial, formado por membros independentes, para aprovar as condições de operações desse tipo. Esse colegiado pode, inclusive, contratar serviços de terceiros para auxiliar nas decisões.


Questionada se seguirá tal procedimento para a pretendida incorporação de ações da Aracruz, a VCP respondeu que o assunto ainda está em audiência pública e que, por ser algo novo, a companhia ainda não tem como comentar a questão.


Renato Chaves, ex-diretor de participações do maior fundo de pensão do país, a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, acredita que tratar essas operações como fechamento de capital pode ser positivo. Para ele, é importante dar atenção a esse tema, em função dos históricos dilemas. No entanto, é preciso ficar atento para não engessar as companhias com excesso de regras. Procurada pela reportagem, a VCP não quis se manifestar.






Escrito por SALSFI às 02h41
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   Acionista minoritário já reclamou na CVM
Graziella Valenti e Vera Saavedra Durão, De São Paulo - 20/08/2008
 

Nelson Perez/Valor
Norma Parente, ex-CVM, vê necessidade de regulador acompanhar debate pela polêmica potencial do negócio

 

Antes de chegar ao provável debate com os preferencialistas da Aracruz, a VCP vai ter que encarar a discussão sobre a estrutura de controle da companhia. Mesmo ainda sem uma definição sobre a novo controle da empresa, a operação já foi alvo de queixa de minoritários na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).



O investidor Antônio Paulo Calcagni Klapka, 43, de Juiz de Fora (MG), enviou no dia 13 uma carta ao regulador queixando-se da decisão da VCP de não fazer oferta aos minoritários de ações ordinárias da Aracruz, conforme a Lei das Sociedades por Ações determina em caso de venda de controla. Ex-analista de mercado, ele acredita que ao comprar ações ordinárias estava protegido desse debate.


Em casos de alienação de controle, a legislação obriga que se ofereça ao acionista minoritário de ações ordinárias 80% do valor pago pelo controle, o que seria equivalente a R$ 17,00. Investidor há quatro anos da companhia, em ações ordinárias, Klapka viu seus papéis caírem expressivos 22% des o anúncio do negócio, para R$ 12,15. Antes do anúncio da fusão, os papéis valiam R$ 15,59.


Dona de 28% das ações ordinárias da Aracruz, a Votorantim alega que já pertencia ao bloco de controle. A oferta lançada dia 6 foi de R$ 2,7 bilhões por fatia igual a sua, detida pela família Lorentzen com outros minoritários. A família Safra, dona de outros 28%, possui acordo com os Lorentzen e tem até 6 de outubro para o que fará com sua participação - vender ou comprar mais pelo preço oferecido.


O assunto causou debate no mercado. Norma Parente, ex-rediretora da CVM, acredita que a autarquia precisa acompanhar de perto os desdobramentos dessa operação. Demonstrou sua preocupação em evento em São Paulo, na semana passada.


Porém, a aposta corrente no mercado - e já sinalizada oficialmente - é de que os Safra buscarão um novo acordo de acionistas. Para especialistas no setor, tal decisão só faz sentido com dois outros movimentos: a aquisição da fatia dos Lorentzen em conjunto com a VCP, para não deixar o grupo com larga vantagem, e ainda a compra de uma fatia adicional na companhia resultante da fusão. Isso tudo para ficar em pé de igualdade com o Grupo Votorantim.


Os analistas descartam a possibilidade de os Safra deixarem suas ações de Aracruz serem convertidos na relação de troca sugerida pela VCP, para etapa seguinte. A situação mudaria o debate da oferta aos minoritários, pois fortaleceria o argumento de rearranjo dos controladores. Ficaria difícil para os minoritários de ordinárias - com 3,5% das ações - brigarem por uma oferta. Klapka tem ciência disso. "Aí, posso até concordar." Porém, já quis registrar sua queixa.


A mesma expectativa em relação aos Safra vale para o BNDES, apesar de a instituição não participar de nenhum acordo que lhe garanta tratamento diferenciado. O documento que regia o controle da empresa e do qual participava expirou em 12 de maio. A despeito da aposta do mercado, o BNDES se vê como mero minoritário, dono de 12,5% das ordinárias da Aracruz, despido de proteção ou privilégio em meio a complexa operação desencadeada pela VCP. Por isso, evita comentar o assunto, mas observa com lupa o desdobramento das negociações com os Safra.


Por conta dessa variável, o BNDES não tem ainda claro com quem negociar, nem o quê. Qual será o principal negociador da operação a quem deverá se dirigir. Por isso, a opção é a de aguardar os acontecimentos para ver como o Safra se posicionará neste jogo de mudança de controle da Aracruz.


A perspectiva que Safra e BNDES busquem posição no controle vem da situação a qual seriam submetidos caso fossem convertidos na etapa seguinte. Nesse cenário, os Safra e o BNDES veriam suas fatias na Aracruz serem reduzidas à metade na nova companhia, enquanto o ficaria com aproximadamente 78% - ampla maioria e uma situação que não existia na Aracruz.


Em volume financeiro, para o Safra significaria trocar uma posição no comando da nova empresa ou R$ 2,7 bilhões no bolso por uma fatia equivalente a R$ 1,0 bilhão. No caso do BNDES, a situação é mais delicada, pois a instituição não tem direitos iguais em acordo e poderia perder até R$ 700 milhões, sem oferta de troca de controle aos minoritários.


Os analistas também apostam em acordo pacífico com o BNDES, dada a participação do banco nos financiamentos do setor. A VCP recebeu, só nesta década, R$ 676 milhões para expansão de projetos de celulose e a Aracruz, mais de R$ 800 milhões. Recentemente, buscou outros R$ 585,8 milhões para ampliar produção. (Colaborou Catherine Vieira)


Escrito por SALSFI às 02h38
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PRESSÁGIOS DO PRÉ -SAL

20/08/2008



Provavelmente o principal elo econômico entre Brasil e Noruega por décadas, o bacalhau está sendo agora suplantado por uma outra mercadoria, que costuma ocorrer em águas muito mais profundas: o petróleo. Nesse caso, o interesse brasileiro está focalizado menos no produto em si e mais no modelo sui generis de organização da indústria norueguesa do petróleo, que é apoiado em um ente estatal gestor das reservas, uma empresa de economia mista líder na produção e um fundo soberano desenhado para assegurar a distribuição intertemporal da riqueza petrolífera.


Desde que adotou como paradigma a produção offshore, a Petrobras seguiu com tremenda eficiência uma trajetória de capacitação em inovação e produção em águas cada vez mais profundas. O resultado do sucesso é facilmente visível em números. Apenas nos últimos 10 anos a produção de petróleo no Brasil mais que duplicou, passando de 900 mil para 1.900 mil barris/dia, enquanto a geração de royalties e participações especiais para o governo evoluiu de meros R$ 200 milhões para mais de R$ 15 bilhões. O esforço de investimento do setor petróleo esperado para esse ano deve passar a casa dos R$ 35 bilhões, seis vezes mais que o realizado em 97. Com tudo isso, o fato mais marcante - e de maiores implicações para a reflexão - é que a participação das atividades relacionadas ao setor petróleo passou de 2% para 10% do PIB do Brasil.


Se essa trajetória de expansão, mesmo incremental, já foi capaz de fazer do petróleo um carro-chefe da economia brasileira, é fácil imaginar a ruptura que significa o anúncio das descobertas das grandes acumulações de petróleo na camada de pré-sal, que se estende pela plataforma continental de Santa Catarina até o Sul da Bahia, 6.500 metros abaixo do nível do mar e sob lâmina d´água de 2.500 metros de profundidade. Para se ter uma idéia da dimensão da descoberta, enquanto todo o petróleo já extraído no Brasil perfaz o montante de 11,5 bilhões de barris e o volume das reservas provadas hoje é de 12 bilhões de barris, as reservas prováveis do pré-sal poderão facilmente passar os 80 bilhões de barris.



A camada do pré-sal é uma grande oportunidade de desenvolvimento de práticas industriais e de serviços de alto valor agregado


Quase um ano após o anúncio da descoberta do megacampo, o debate sobre qual deve ser a nova organização da atividade petrolífera no Brasil vem finalmente ganhando o destaque que merece. É certo que as descobertas do pré-sal significam quebra das equações de risco que usualmente comandam as operações das empresas petrolíferas. Fundamentalmente, o risco geológico é pequeno ou nulo no pré-sal. Adicionalmente, o risco político é hoje não apenas baixo como declinante, como atesta, dentre outros fatos, a recente elevação do país ao grau de investimento. Resta o risco econômico-financeiro relacionado às condições do mercado mundial de petróleo, em especial na determinação dos preços e quantidades futuras das diversas fontes de energia. Também nesse plano, tudo indica que os preços do petróleo, mesmo que não se sustentem nos valores estratosféricos da atual conjuntura, dificilmente recuarão para níveis que não dêem rentabilidade às operações no pré-sal.


Por essas razões, não há dúvida quanto a necessidade de reformulação do marco regulatório de modo a ajustá-lo às novas condições de operação da indústria. Nessas rodadas iniciais, o debate gira em torno de duas questões centrais: o modelo institucional e o modelo de repartição da renda governamental gerada pela atividade. No primeiro caso, comandados por uma Comissão Interministerial criada para isso, discutem-se vantagens e desvantagens entre a manutenção do sistema de concessão só com o aumento do take governamental, a adoção do sistema de partilha de produção ou o estabelecimento do regime de prestação de serviços, e ainda a criação ou não de uma nova empresa estatal nos moldes existentes na Noruega. No segundo caso, sob a liderança do Congresso, discutem-se mais de 50 projetos baseados em critérios cartográficos, demográficos ou outros que buscam adequar os princípios distributivos aos novos valores projetados.


No entanto, tanto a escolha do melhor modelo institucional quanto da melhor forma de dividir a renda do petróleo dependem de uma decisão prévia: qual o modelo de produção que se deve implantar no país, isto é, deve o Brasil tornar-se um grande produtor e exportador mundial de petróleo ou deve o país tão-somente assegurar a sua auto-suficiência em um primeiro momento e manter as grandes reservas ora descobertas para entrada em produção em um futuro mais distante. Enfim, o petróleo existente no pré-sal vale mais extraído ou mantido onde está? Alguns analistas receiam que a entrada do Brasil como exportador de petróleo em grande escala traga um risco de doença holandesa para a economia nacional, retirando a competitividade cambial da indústria de transformação e deprimindo o potencial de desenvolvimento nacional. No entanto, esse risco pode ser afastado por meio de um elenco de políticas que hoje, mais do que nunca, estão ao alcance do governo brasileiro. É possível, em primeiro lugar, constituir um fundo soberano que preserve a riqueza para o futuro. Em segundo lugar, a folga fiscal proporcionada pela taxação da renda petrolífera pode abrir uma gama de possibilidades de reestruturação das contas públicas brasileiras, propiciando enfim uma base concreta para a implementação de uma reforma tributária "de verdade", que certamente terá importantes impactos pró-competitivos. Em terceiro lugar, há chances reais de inverter a curva crescente de custos de energia e transportes que, tanto quanto a valorização cambial e a tributação, vêm retirando competitividade da indústria brasileira. Em quarto lugar, e talvez o mais importante, há a possibilidade de colocar em prática uma política industrial e tecnológica que transforme o pré-sal em uma grande oportunidade de desenvolvimento de atividades industriais e de serviços de alto valor agregado.


O fato é que não há qualquer evidência que comprove a tese da "maldição dos recursos naturais", isto é, a pura e simples disponibilidade de recursos naturais não é determinante do potencial de desenvolvimento econômico. A maldição é outra e está muito mais associada a qualidade das instituições que gerenciam essas riquezas. O pré-sal pode estar trazendo bons presságios. Concretizá-los vai requerer muita competência, porém certamente valerá a pena.

David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ. Escreve mensalmente às quartas-feiras. www.ie.ufrj.br/gic

gic@ie.ufrj.br




Escrito por SALSFI às 02h34
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   "Expectativas" relevantes
Por Samuel Brittan - 20/08/2008
 

Nesta altura dos acontecimentos, o termo "expectativas inflacionárias" devem ser familiares a todo leitor de jornal, mesmo que apenas passe de relance por pronunciamentos econômicos. Mas poucos anos atrás as duas palavras eram desconhecidas fora de círculos especializados. Autoridades de bancos centrais certamente manifestavam-se sobre elas, mas não eram a parte de suas declarações que chegavam às manchetes. Agora, porém, a importância de mantê-las baixas tornou-se quase um clichê.


Elas apareceram no debate acadêmico já desde a década de 1970 e 1980, em relação à denominada controvérsia monetarista. O argumento central dos monetaristas não era sobre a necessidade de metas de oferta monetária, como assumiram os tecnocratas, mas de que política monetária, em lugar de intervenção direta na fixação de salários ou preços, é o método acertado de combater a inflação. Seus oponentes acreditavam que isso poderia funcionar apenas mediante a criação de um desaquecimento econômico no qual milhões de pessoas perderiam seus empregos. Os monetaristas mais agudos não negaram haver um custo transicional para expulsar a inflação da economia. Mas a severidade desse custo dependeria do grau de credibilidade da política. Se os principais agentes econômicos acreditassem que as autoridades econômicas iriam manter-se inflexíveis em sua política, baseariam suas ações na premissa de baixa inflação e balizariam seu comportamento nisso, aceitando aumentos moderados em salários e preços. Se, por outro lado, acreditassem que a política monetária viria a ser, em algum momento, abandonada, o principal efeito de um aperto monetário seria, de fato, uma queda na produção e no nível de emprego.


Esses argumentos foram a base da política monetária em muitos países, pelo menos na última década e meia. Cínicos podem afirmar que, em síntese, o relatório de agosto do Banco da Inglaterra sobre a inflação diz que as perspectivas são terríveis, mas nada há que possa ser feito a respeito. Existe, porém, uma mensagem mais sutil, bem resumida por Mervyn King, presidente do Banco da Inglaterra, em seus comentários de abertura nesse relatório. Altas de preços de energia, alimentos e importações estão pressionando a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor bem acima da meta de 2%, e continuarão a fazê-lo bem adiante, em 2009, e assim exercerão uma pressão descendente sobre os padrões de vida e salários reais. Mas "esses aumentos nos preços das commodities não podem, por si só, elevar uma inflação sustentada, a menos que outros preços comecem a subir a um ritmo mais rápido. E é tarefa da comissão de política monetária assegurar que isso não aconteça". Se tiver êxito, a queda nos padrões de vida será um evento não recorrente "e assim retornaremos, se não à 'bela' década, pelo menos a uma que, como dizem as autoridades de bancos centrais, não seja tão ruim". Não surpreende que as expectativas inflacionárias tenham crescido após os recente choques, mas que tenham crescido tão pouco, especialmente no médio prazo.


Os princípios subjacentes foram enunciados mais amplamente por Ben Bernanke pouco antes de ter assumido o Fed, em 2002. Um princípio crucial foi de que os bancos centrais não deveriam tentar influenciar os movimentos nos preços de ativos, exceto na medida em que estes contribuam para pressões inflacionárias ou deflacionárias. De fato, a perseguição bem-sucedida de metas para o índice de preços ao consumidor (IPC) contribuiria, em si mesma, para reduzir bolhas nos preços de ativos.



Os BCs não deveriam tentar influenciar os preços de ativos, exceto na medida em que estes contribuam para pressões inflacionárias ou deflacionárias


A relativa negligência em relação aos preços de ativos foi por muito tempo condenada por William White, até recentemente assessor econômico no Banco para Compensações Internacionais (BIS), para quem essas bolhas nos preços de ativos poderiam gerar instabilidade econômica mesmo se as metas para os preços ao consumidor fossem respeitadas, como aconteceu até recentemente. Ele resistiu heroicamente à tentação de dizer: "eu bem que avisei". Minhas dúvidas estão centradas se seria recomendável implementar metas de inflação válidas para um um curto período de dois anos. No auge do dinheiro estável sob o padrão ouro vitoriano houve muitos anos de inflação de 5%, 6% ou 7%, e outros quando o nível de preços efetivamente caiu. Mas havia uma premissa geral de improbabilidade de que o valor da moeda viria a variar muito ao longo de gerações. Variações de curto prazo no nível de preços eram uma válvula de segurança contra choques.


Em seu novo livro, "Bubbles in Credit and Currency" (Bolhas nos mercado de crédito e cambial), Brendan Brown, um economista da Mitsubishi, sugeriu um nova estrutura que, juntamente com mudanças em procedimentos bancários e regulamentares, estabeleceriam um balizamento rigoroso para os preços no longo prazo - por exemplo, um nível de preços médio, na próxima década, 10% mais alto do que na década passada - para ancorar as expectativas, mas admitiriam flexibilidade muito maior de ano para outro.


Como qualquer coisa que possa ser mal entendida será mal entendida, devo enfatizar minha concordância com o relatório de Consulta com o Reino Unido sobre o Artigo IV do Fundo Monetário Internacional (2008), onde se lê que "ajustar a meta do índice de preços ao consumidor, sua definição ou o mandato do Banco da Inglaterra seria um grave erro" e que, com base nas evidências atuais, "não há margem para alívio monetário no curto prazo". Tais mudanças, argumenta acertadamente o relatório, criaria um risco de desestabilização das expectativas inflacionárias "sem mudar os problemas fundamentais com que se defronta a economia". Não se muda uma estratégia militar no auge de uma batalha. Mesmo a mudança na definição da meta de inflação em 2004 chegou muito perto de um desastre. É permissível, porém, considerar, para mais adiante, mudanças que podem ser realizadas em um momento mais calmo ou por países com desequilíbrios menores do que o Reino Unido.


Samuel Brittan é comentarista econômico do "Financial Times" desde 1966.


Escrito por SALSFI às 02h28
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Petrobras terá recursos para explorar áreas no pré-sal, diz Gabrielli

Valor Online - 15/08/2008 16:38

 


RIO - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou hoje que a empresa não terá problemas de recursos para explorar as áreas do pré-sal que tem sob concessão. Para as áreas não licitadas na região, o executivo lembrou que qualquer decisão depende da definição do novo marco regulatório.

"No entorno de Tupi nós temos condições (de explorar). Agora, para toda a área do pré-sal será provavelmente necessário ter um novo marco regulatório, uma nova situação e novos investidores", frisou Gabrielli. O executivo participou hoje de cerimônia de lançamento do programa Petrobras Ambiental, que vai destinar R$ 500 milhões para ações na área do meio ambiente até 2012.

Gabrielli confirmou que o novo plano de investimentos da companhia - que deve ficar pronto em setembro e contemplará os investimentos até 2013 - deverá trazer os recursos necessários para explorar os blocos que a empresa tem no pré-sal.

Sobre o desenvolvimento das áreas não licitadas da reserva pré-sal, Gabrielli frisou que as mudanças no marco regulatório só serão discutidas no âmbito da comissão interministerial, que foi criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para debater o assunto.

Além disso, o executivo deixou claro que ainda é cedo para falar no volume de recursos que seria necessários para o desenvolvimento de todo o pré-sal. "São muitos recursos para desenvolver o pré-sal, que é uma província extremamente grande e o conhecimento que se tem delas hoje é muito limitado. Portanto, dizer quanto se precisa é muito difícil com os conhecimentos que se tem hoje", disse.

Gabrielli acrescentou que, no ano passado, apenas 6% do que foi gerado de riqueza pela companhia ficou com acionistas governamentais e privados, enquanto os outros 94% foram para investimentos e pagamento de impostos e participações.

(Rafael Rosas | Valor Online)


Escrito por SALSFI às 07h07
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   Petrobras: sem pré-sal e até sem petróleo

18/08/2008



O mercado está em polvorosa desde que o governo deu as primeiras declarações sobre a possibilidade de transferir o pré-sal para uma nova estatal do petróleo que deve ser criada. Os investidores não pensaram duas vezes para vender as ações da Petrobras, já que, na visão de muitos deles, a companhia era a dona absoluta de todo o petróleo que existe no pré-sal. Da mesma forma que eles exageraram na dose de otimismo quando foi divulgada a descoberta de petróleo leve no campo de Tupi, agora estão carregando no pessimismo. Estudo elaborado pelo sócio da InvestCerto Consultoria Financeira e de Investimentos, Luiz Francisco Rogé Ferreira, à pedido do Valor, revela que os papéis da estatal já devolveram todo o ganho que tiveram com as descobertas do pré-sal. E mais: as ações estão valendo menos do que deveriam considerando a correlação entre elas e o preço do barril do petróleo, antes mesmo das descobertas.


"O investidor se assustou e vendeu as ações da Petrobras sem nem saber direito quais as consequência dos planos do governo para a companhia, o que fez os papéis caírem excessivamente e ficarem pra lá de atraentes", diz Rogé. A divulgação das descobertas no campo de Tupi ocorreu em 7 de novembro de 2007 e, no dia seguinte, as preferenciais (PN, sem voto) subiram nada menos que 14,45%. Desde então, os papéis acumulam até sexta-feira uma queda de 6,40%, sendo que, em 21 de maio, quando as PNs atingiram a máxima de R$ 52,51, elas chegaram a ter uma alta de 50,44% desde o dia da descoberta de Tupi.


Em outras palavras, isso significa que, depois de o pré-sal e outros motivos - como o petróleo e o próprio mercado - trazerem um ganho de mais de 50% para as ações da companhia, as preocupações com relação ao destino dessas reservas sugaram todos esses ganhos e ainda trouxeram prejuízos aos acionistas. "Os investidores tiraram dos preços da ação todos os ganhos do pré-sal, eles só esqueceram que, mesmo que o governo crie uma nova estatal, uma boa parte dessas reservas, como a própria Tupi, já é da Petrobras e ela não irá perder esse quinhão que é direito adquirido", afirma Rogé.


Das oito reservas que estão no pré-sal e já foram licitadas, a Petrobras tem participação majoritária em sete delas. Só em Tupi estima-se que a capacidade de exploração seja entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo que a Petrobras tem hoje reservas que totalizam cerca de 14 bilhões de barris.




Até o petróleo já foi para o ralo


A justificativa dos próprios executivos da Petrobras para a queda das ações é o recente movimento de desvalorização do petróleo, juntamente com as demais commodities. Essa tese, no entanto, cai por terra quando se observa a correlação histórica entre os papéis e o preço do barril do petróleo antes da descoberta de Tupi para expurgar o efeito desse fato sobre o preço das ações. Pelo estudo de Rogé, dentro de tal paridade entre os dois ativos, para uma cotação do petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York, de US$ 115 o barril - próximo do fechamento de sexta que foi de US$ 113,77 -, as PN da Petrobras deveriam ser negociadas a R$ 41,78, um valor 27,88% acima dos R$ 32,67 do fechamento na semana passada. Seguindo essa mesma relação de paridade, o barril do petróleo precisaria estar valendo aproximadamente US$ 90 - um valor de US$ 23 abaixo do quanto estava na sexta-feira - para justificar o fato de as ações da companhia estarem na casa dos R$ 32. "Os papéis fora dessa correlação são um importante sinal de que eles caíram bem mais que a cotação do petróleo, ou seja, as discussões sobre o controle do pré-sal atingiram, sim, o desempenho das ações da companhia", diz Rogé. O resumo da ópera é que, para quem acredita nos fundamentos da Petrobras e que essa distorção será corrigida, os papéis da companhia são uma excelente oportunidade de investimento no longo prazo, diz.

Daniele Camba é repórter de Investimentos





Escrito por SALSFI às 06h57
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Encurta o prazo

para CEOs mostrarem serviço

Luiza Dalmazo, de São Paulo - 18/08/2008

Davilym Dourado / Valor
Gottfredson, da Bain & Company, diz que 40% saem antes de dois anos no cargo
A pressão por resultados é cada vez maior. Executivos de quase todos os níveis hierárquicos sofrem com isso, mas nenhum como o CEO. Pesquisa da empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas, com todas as empresas sediadas nos EUA, mostra que nos últimos cinco anos o número de CEOs que deixaram o cargo subiu 95%, de 695 em 2003 para 1356 em 2007. E o ritmo dessa dança das cadeiras continua acelerado. Até julho de 2008, 848 já haviam saído do cargo, de acordo com a empresa. O prazo para que eles apresentem resultados hoje é tão curto que, segundo análise da consultoria Bain & Company, somente 40% permanecem nos postos depois de dois anos. Não há tempo para errar.


O principal segredo para ser efetivo e não ter que abandonar o posto tão cedo é priorizar o diagnóstico do negócio nos primeiros 100 dias no cargo, afirma o sócio da Bain & Company em Dallas (EUA), Mark Gottfredson. O executivo esteve no Brasil esta semana para divulgar seu livro "Administração de Alto Impacto", escrito em parceria com Steve Schaubert. Na obra, ele avalia o trabalho de 225 CEOs que deixaram a presidência de suas empresas até 2006 e conclui que 38% saíram por não apresentarem um desempenho satisfatório. Entre os que não resistiram no posto mais cobiçado das corporações o autor observou alguns erros comuns.


O primeiro vacilo dos comandantes é não perceber que os custos e preços sempre caem. Segundo Gottfredson, estudos revelam que quando a produção dobra, o custo inicial cai 25%. "É a chamada 'curva de experiência'", diz. O consultor conta que os profissionais costumam falhar ao planejar orçamentos e negócios sem levar em conta esse ciclo.


O segundo erro comum dos CEOs é não ter uma visão clara sobre a competitividade do negócio na ao fazer opções de investimento. Eles precisam avaliar com mais profundidade a situação da empresa e dos concorrentes; o tamanho do mercado em que atuam, se a empresa está de fato ganhando participação; e, finalmente, quais são as competências que geram vantagem naquele momento. "São fatores que dão dicas, por exemplo, se é melhor vender uma divisão ou se é preciso se concentrar numa área que tem mais chance de se tornar inovadora para conquistar o mercado", explica.


Outro engano bastante comum dos CEOs, segundo Gottfredson, é na avaliação do negócio. É próprio das pessoas quererem guiar a organização para um setor aparentemente seguro, rentável. "Mas isso não existe porque o mercado é dinâmico", diz. Por isso, vale manter em mente questionamentos como "por que a receita está aqui e não aqui; ou estou atuando no ramo certo?", sugere.


Um bom exemplo de quem está seguindo o caminho correto, na opinião de Gottfredson, é Paul Otellini, CEO da Intel. Ele assumiu o comando em maio de 2005 com um cenário no mercado de chips bastante favorável para a sua principal concorrente, a Advanced Micro Devices (AMD). "Ele conseguiu reverter esse quadro, graças a um bom diagnóstico", diz.


Para Gottfredson, o segredo para o sucesso dos CEOs está nos estudos iniciais, pois as estratégias vêm deste planejamento. "Logo que assumem eles ficam expostos ao assédio dos investidores, clientes, fornecedores, integrantes do conselho e imprensa", lembra. "Num primeiro momento, há de se educadamente dispensá-los".


Por último, o líder ao assumir o cargo de CEO, precisa encontrar as pessoas certas e criar uma cultura que apóie suas mudanças na operação. E lembrar que só a experiência não é suficiente para quem assume cargos de grande responsabilidade. "Os diagnósticos são muito mais efetivos", conclui.


Escrito por SALSFI às 06h54
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   CEMIG - RESULTADOS - 2º TRIMESTRE

EARNINGS RELEASE

2º TRI 2008           CEMIG

O DiretorPresidente, Dr. Djalma Bastos de Morais, afirmou que “os excelentes resultados

apresentados no segundo trimestre de 2008 refletem a assertividade do nosso Plano Diretor, reafirmando

nossa liderança, fruto de uma política criteriosa de investimentos, pois estamos crescendo de uma forma

intensa e equilibrada. Buscamos a melhoria contínua de nossos serviços através de padrões ímpares de

excelência operacional, o que pode ser demonstrado pelos crescentes índices de produtividade, que nos permite

fornecer uma energia segura, de qualidade, e principalmente, que respeite a toda a sociedade ao nosso redor.

Com os investimentos já em curso vamos crescer na geração, distribuição e transmissão de energia, como

também estamos atentos a todas as oportunidades de aquisições que agreguem valor e rentabilidade ao nosso

negócio. Celebramos também o maior contrato de que se tem notícia, para o fornecimento de energia elétrica

no país, com o Grupo Votorantim, que alcança quase R$ 10,5 bilhões, e que ilustra a nossa habilidade e

agilidade para atuar de forma lucrativa em um setor cada mais dinâmico e competitivo, posicionando a Cemig

com supridora nacional de energia elétrica aos mais importantes grupos industriais do país. No segundo

trimestre passamos pelo processo de revisão tarifária, que a nosso ver foi bemsucedido e mostra o quão

maduro está se tornando o marco regulatório. A redução na tarifa estava contemplada nas nossas projeções

financeiras, levando à manutenção do nosso guidance. Continuamos a fazer o nosso dever de casa, crescendo

em todos os setores de forma equilibrada e com foco em excelência operacional, mitigando riscos e aproveitando

todas as sinergias que uma empresa integrada e do porte da Cemig oferece”.

O Diretor de Finanças, Relações com Investidores e Controle de Participações, Dr. Luiz Fernando

Rolla, ressaltou que “no segundo trimestre nossa empresa continuou a apresentar uma geração de caixa

consistente, robusta, que é o resultado de nossas operações, que buscam, de forma incessante e contínua,

agregar valor e rentabilidade aos nossos negócios. Nosso LAJIDA alcançou a cifra de R$982 milhões, com

uma margem que foi de quase 37%, positivamente impactada pela nossa política de redução e controle de

custos operacionais e manutenção de elevados níveis de eficiência operacional. Esse novo patamar de geração

de caixa está em linha com os valores estimados em nossas projeções financeiras e no Plano Diretor, e refletem

o acerto de estratégia de crescimento via aquisições e novos projetos, dentro do processo de consolidação do

setor. Nos últimos doze meses nosso LAJIDA já alcança nível superior aos R$4,2 bilhões, resultado esse que

mostra como os nossos resultados são sólidos e consistentes. A revisão tarifária da Cemig Distribuição terá

um impacto em nossa geração de caixa amenizado pelo nosso portfólio de negócios, uma vez que o Grupo

Cemig é composto por quase 43 empresas, 7 consórcios, com operações sinérgicas e cada vez mais lucrativas.

Estamos preparados para atuar de forma decidida para adequar a operação de distribuição aos limites

regulatórios, focando na redução de custos e ajustes de processos, no intuito de aumentar a eficiência

operacional. Nossos indicadores econômicofinanceiros estão cada vez mais fortes, e estamos dispostos a

participar, de forma lucrativa e remuneradora, em todas as oportunidades que o setor elétrico tem a oferecer

durante 2008, sejam eles de aquisições ou novos projetos, através de parcerias estratégicas. Nossa política de

investimentos, dentro dos princípios do nosso Plano Diretor, aliada à incessante busca de eficiência, tem

proporcionado geração de valor e retorno aos nossos acionistas, de forma sustentável e crescente. Adiante,

nossos destaques:”.

 



Escrito por SALSFI às 21h32
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   CEMIG

EARNINGS RELEASE

2º TRI 2008CEMIG

O DiretorPresidente, Dr. Djalma Bastos de Morais, afirmou que “os excelentes resultados

apresentados no segundo trimestre de 2008 refletem a assertividade do nosso Plano Diretor, reafirmando

nossa liderança, fruto de uma política criteriosa de investimentos, pois estamos crescendo de uma forma

intensa e equilibrada. Buscamos a melhoria contínua de nossos serviços através de padrões ímpares de

excelência operacional, o que pode ser demonstrado pelos crescentes índices de produtividade, que nos permite

fornecer uma energia segura, de qualidade, e principalmente, que respeite a toda a sociedade ao nosso redor.

Com os investimentos já em curso vamos crescer na geração, distribuição e transmissão de energia, como

também estamos atentos a todas as oportunidades de aquisições que agreguem valor e rentabilidade ao nosso

negócio. Celebramos também o maior contrato de que se tem notícia, para o fornecimento de energia elétrica

no país, com o Grupo Votorantim, que alcança quase R$ 10,5 bilhões, e que ilustra a nossa habilidade e

agilidade para atuar de forma lucrativa em um setor cada mais dinâmico e competitivo, posicionando a Cemig

com supridora nacional de energia elétrica aos mais importantes grupos industriais do país. No segundo

trimestre passamos pelo processo de revisão tarifária, que a nosso ver foi bemsucedido e mostra o quão

maduro está se tornando o marco regulatório. A redução na tarifa estava contemplada nas nossas projeções

financeiras, levando à manutenção do nosso guidance. Continuamos a fazer o nosso dever de casa, crescendo

em todos os setores de forma equilibrada e com foco em excelência operacional, mitigando riscos e aproveitando

todas as sinergias que uma empresa integrada e do porte da Cemig oferece”.

O Diretor de Finanças, Relações com Investidores e Controle de Participações, Dr. Luiz Fernando

Rolla, ressaltou que “no segundo trimestre nossa empresa continuou a apresentar uma geração de caixa

consistente, robusta, que é o resultado de nossas operações, que buscam, de forma incessante e contínua,

agregar valor e rentabilidade aos nossos negócios. Nosso LAJIDA alcançou a cifra de R$982 milhões, com

uma margem que foi de quase 37%, positivamente impactada pela nossa política de redução e controle de

custos operacionais e manutenção de elevados níveis de eficiência operacional. Esse novo patamar de geração

de caixa está em linha com os valores estimados em nossas projeções financeiras e no Plano Diretor, e refletem

o acerto de estratégia de crescimento via aquisições e novos projetos, dentro do processo de consolidação do

setor. Nos últimos doze meses nosso LAJIDA já alcança nível superior aos R$4,2 bilhões, resultado esse que

mostra como os nossos resultados são sólidos e consistentes. A revisão tarifária da Cemig Distribuição terá

um impacto em nossa geração de caixa amenizado pelo nosso portfólio de negócios, uma vez que o Grupo

Cemig é composto por quase 43 empresas, 7 consórcios, com operações sinérgicas e cada vez mais lucrativas.

Estamos preparados para atuar de forma decidida para adequar a operação de distribuição aos limites

regulatórios, focando na redução de custos e ajustes de processos, no intuito de aumentar a eficiência

operacional. Nossos indicadores econômicofinanceiros estão cada vez mais fortes, e estamos dispostos a

participar, de forma lucrativa e remuneradora, em todas as oportunidades que o setor elétrico tem a oferecer

durante 2008, sejam eles de aquisições ou novos projetos, através de parcerias estratégicas. Nossa política de

investimentos, dentro dos princípios do nosso Plano Diretor, aliada à incessante busca de eficiência, tem

proporcionado geração de valor e retorno aos nossos acionistas, de forma sustentável e crescente. Adiante,

nossos destaques:”.

---------- Destaques do 2º Trimestre

Lajida de R$982 milhões:

Lucro Líquido de R$599 milhões:

Receita Líquida alcança R$2,6 bilhões:

Firmado o maior contrato do setor elétrico brasileiro:

R$10,5 bilhões

---------- Sumário Econômico

Valores Financeiros em R$ Milhões

2ºTri 2008 2ºTri 2007 Var. %

Quantidade de energia vendida GWh* 14.412 13.922 3,51

Receita Bruta 4.040 3.991 1,22

Receita Líquida 2.626 2.546 3,14

LAJIDA 982 1.057 -7,09

Lucro Líquido 599 515 16.37

* Inclui números da Light S.A.



Escrito por SALSFI às 21h32
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   Varejo quebra 2ª perna do aperto

15/08/2008



Passados apenas 22 dias desde que decidiu, contra o consenso, aumentar a dose do aperto monetário, o Banco Central já perdeu os seus dois pontos de apoio para justificá-la sem que um terceiro, novo, esteja maduro o suficiente para sustentar um discurso conservador coerente. A muleta do choque de commodities já foi chutada para longe. A retórica trovejante da demanda interna em ebulição, já questionada seriamente pelos não-alinhados, foi emudecida pelos dados nacionais sobre as vendas varejistas feitas no último mês do primeiro semestre. O fator novo capaz de, no futuro, dar razão ao rigor monetarista - a alta do dólar - ainda se mostra incipiente e tateante. De resto, a sua invocação oficial seria incompatível com a descuidada manipulação dos efeitos sobre a economia do déficit em conta corrente. Se nada de dramático surgir até o dia 10 de setembro, data do próximo Copom, será difícil achar pretextos racionais para manter o ritmo de aceleração da Selic no 0,75 ponto inaugurado há 22 dias. Será aliás difícil encontrar argumentos para amparar qualquer tipo de arrocho. Mas o Copom precisa de pretextos?



Dólar acumula alta de 4,09% em agosto


O dólar fechou ontem em alta de 0,68%, cotado a R$ 1,6260. A trégua da véspera, dia em que a moeda cedeu após arrancada altista de sete pregões, revelou-se muito frágil. Mesmo baleados e sofrendo de um surto inflacionário, os EUA parecem estar melhores que a Europa. Esta percepção fortalece o dólar perante o euro e o iene, e diante das moedas usadas como contraface do carry trade especulativo, cuja coqueluche era o real. O PIB da zona do euro registrou uma retração de 0,2% no segundo trimestre do ano. Trata-se da primeira contração na margem ocorrida desde 1995, quando foi iniciada a série. Enquanto isso, nos EUA, o dado econômico que chamou atenção foi estudo da Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR), segundo o qual a revenda de imóveis residenciais feita no segundo trimestre conseguiu crescer em 13 Estados. O problema maior americano é a inflação.


Divulgado ontem, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) apresentou alta de 0,8% em julho (o dobro do previsto pelos analistas), após avanço de 1,1% em junho. Nos últimos doze meses, a inflação alcança 5,6%. O seu núcleo registrou alta de 0,3%, também acima do esperado (0,2%). O acumulado de um ano do núcleo, de 2,5%, também supera a taxa básica de juros, de 2%. Se as quedas das commodities e do petróleo não fizerem efeito rápido e duradouro sobre a inflação, o Fed terá de elevar a taxa em algum momento do segundo semestre. Mas, ao contrário do Copom, o Fomc não tem nenhuma pressa. O economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo da Silveira, lembra que o Fed fez no início do ano uma política monetária francamente expansionista, com o intuito de evitar que a economia americana entrasse numa recessão mais severa na esteira do colapso do mercado imobiliário.


"Se o cenário de deterioração econômica se confirmasse de fato, a situação do mercado financeiro iria piorar significativamente, o que traria pânico aos investidores ao redor do mundo", diz ele. O Fed preferiu focar no crescimento e na liquidez do sistema ao invés de mirar a inflação e, com isso, ganhou tempo para tentar expurgar de vez os créditos podres lastreados em empréstimos imobiliários duvidosos. Aparentemente, esse tempo acabou. Mas subir juros lá não é, como no Brasil, decisão prosaica equivalente a ir comprar pão na padaria da esquina. "Aumentar a taxa de juros é tudo o que o Fed não gostaria num cenário de desaquecimento econômico e perdas contábeis nos principais bancos norte-americanos. Principalmente com Europa e Japão em compasso de espera", diz Silveira.




Os juros negociados no mercado futuro da BM&F, apesar da resistência movida pelos "comprados em taxa", caíram na BM&F. O contrato mais negociado, para janeiro de 2010, cedeu de 14,75% para 14,73%. Além da queda do petróleo (o barril recuou US$ 0,99, para US$ 115,01) e das commodities, o pregão sofreu influência baixista exercida pelos dados decepcionantes do IBGE sobre as vendas no varejo. Elas cresceram 1,3% em junho comparativamente a maio. Esse avanço consegue ser mais baixo que o prognóstico mais negativo dos economistas. Estes esperavam algo entre 1,35% e 2,80%. A alta anual foi de 8,2%, para uma previsão média de 9,4%. O comércio desacelera a cada novo trimestre, já que a alta anual do primeiro trimestre foi de 11,6%. O mercado não aposta em comportamento diferente para o terceiro trimestre. Para tanto, se baseia em dados (pedido de crédito e confiança do consumidor) a disposição de qualquer um. Até do BC.

Luiz Sérgio Guimarães é repórter de finanças

luiz.guimaraes@valor.com.br




Escrito por SALSFI às 19h26
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