SALSIFI INVESTMENTS
  

Supremo rejeita recursos de 10 réus do mensalão

Valor Econômico  - 20/06/2008 07:46

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por unanimidade, os recursos apresentados por 10 dos 40 acusados no processo do mensalão - esquema que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político - contra o recebimento da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Cada um dos réus apresentou uma justificativa diferente. A denúncia do mensalão foi aceita pelo STF em agosto de 2007, quando todos os 40 indiciados no caso foram transformados em réus.

Cada um alegou um detalhe diferente para tentar reverter a abertura de processo contra si. O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu alegou que se tratou de um " julgamento político " .

O ex-deputado federal Roberto Jefferson disse que o STF foi omisso por não ter incluído o presidente da República como co-participante dos crimes.

Para o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, o Ministério Público obteve prova ilícita perante o Banco Central.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha afirmou que houve contradição por parte do Supremo, pois teria sido utilizada fundamentação quanto ao crime de peculato para enquadrá-lo no de corrupção passiva.

O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), ex-presidente do antigo PL, questionou o recebimento da denúncia pelo crime de formação de quadrilha, alegando que, no seu caso, essa não teria o mínimo de quatro pessoas.

Mas, os ministros do STF não apenas mantiveram a sua decisão como acolheram somente o recurso apresentado por Antonio Fernando de Souza. O procurador-geral pediu que o tribunal deixasse claro na ementa (resumo) do julgamento que houve o recebimento da denúncia contra o publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, com relação aos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas praticados no Brasil e no exterior. Os ministros aceitaram o pedido.

Os mensaleiros ingressaram com embargos de declaração - um tipo de recurso utilizado quando há obscuridade ou omissão na decisão do tribunal.

O Supremo considerou que a decisão foi bastante clara e decidiu mantê-la na íntegra, alterando apenas um detalhe pedido por Antonio Fernando. O tribunal não tem prazo para julgar em definitivo a denúncia do mensalão. O STF ainda terá de ouvir várias testemunhas antes de colocar o processo na pauta de julgamentos.

Entre os denunciados estão os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) e Anderson Adauto (Transportes).

(Juliano Basile | Valor Econômico)


Escrito por SALSFI às 08h05
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BNDES manobra para manter fôlego

 Chico Santos - 19/06/2008

O ciclo de crescimento dos investimentos na economia brasileira, que já dura 17 trimestres consecutivos, com perspectiva de continuidade, começa a pressionar o caixa da principal fonte de financiamentos de longo prazo do país, o BNDES. Com o objetivo de administrar a crescente escassez de recursos, o banco estatal decidiu no mês passado cortar de 10 a 20 pontos percentuais seu limite de participação no valor dos investimentos de grande número de setores.


A medida começa a gerar reação negativa no setor produtivo. Paradoxalmente, isso ocorre em um ano no qual a instituição de fomento vai bater o quinto recorde consecutivo de desembolsos anuais, alcançando R$ 80 bilhões de janeiro a dezembro. O número é quase quatro vezes o valor de R$ 23,04 bilhões desembolsado no ano 2000 e 23,3% maior do que os R$ 64,9 bilhões emprestados no ano passado.


Agora, projetos com 100% de participação do BNDES somente se forem para inovação, para micro, pequena e média empresa ou para logística, mais especificamente, para resolver gargalos ferroviários nas regiões Norte e Nordeste. Para bens de capital, o limite de participação do banco por projeto caiu de 100% para 80%. Para o setor agropecuário, que inclui o sucroalcooleiro, a redução foi de 80% para 60%. Para geração de energia, que chegava a 85%, foi unificado em 80%. Para transmissão, caiu de 80% para 70% e para distribuição permaneceu em 60%.




Para projetos considerados de desenvolvimento regional, os percentuais podem subir. Se for em um município considerado de média ou baixa renda, a participação é 10 pontos percentuais maior, em qualquer região do país. Caso esse município esteja nas regiões Norte ou Nordeste (incluindo as áreas de Minas Gerais e Espírito Santo que estão no âmbito da Sudene), a participação cresce mais 10 pontos. Uma operação de bens de capital por exemplo, nesses casos, volta a ter direito a 100% de participação.


Ficam fora desse benefício gerado pela classificação dos municípios brasileiros por faixa de renda os projetos de insumos básicos industriais, exceto aqueles de origem agropecuária ou de exploração florestal. Também estão excluídos os projetos de comércio e serviços e os de infra-estrutura de comunicação e de energia elétrica.


Formalmente, as mudanças foram feitas com o objetivo de adaptar as políticas operacionais do banco à Política de Desenvolvimento Produtivo, a nova política industrial do país. Tanto que as mudanças foram implementadas no mesmo dia 9 de maio em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a nova política.


Mas já é público o esforço que a diretoria do banco vem fazendo, seja para aumentar as fontes de recursos, ampliando, por exemplo, a captação externa, seja para racionalizar os recursos disponíveis. O descompasso entre a oferta e a demanda é evidente. Em palestra feita anteontem no auditório do banco, o superintendente da Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico da instituição, Ernani Teixeira Torres Filho, mostrou um gráfico evidenciando o descolamento entre as disponibilidades, representadas pelos desembolsos, e a demanda, expressa nas aprovações de novos projetos.


Em 2004, as aprovações foram até menores do que os desembolsos, mas já em 2005 ficaram R$ 7,5 bilhões maiores. O hiato ampliou-se em 2006, quando desembolsos e aprovações foram, respectivamente, de R$ 51,3 bilhões e R$ 74,3 bilhões. Em 2007 a diferença ultrapassou R$ 30 bilhões, patamar no qual permaneceu nos 12 meses encerrados em abril deste ano.


Com a pressão da demanda, a liquidez do banco foi reduzida. Enquanto em 2003 o retorno dos empréstimos e a monetização de ativos financeiros representaram 107% do total desembolsado, no ano passado o número caiu para 83%. Tudo isso em uma conjuntura na qual, conforme demonstrou Torres, as outras fontes de recursos de longo prazo, como o mercado de capitais, cresceram, mas continuam limitadas, deixando a parte do Leão a cargo do autofinanciamento e do BNDES.


O cobertor curto do banco, cuja principal fonte de dinheiro novo é o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), já gera reclamações entre quem se sente prejudicados. O presidente da poderosa União dos Produtores de Bioenergia (Udop), José Carlos Toledo, pediu em entrevista ao Valor que os limites anteriores de financiamento ao setor pelo BNDES sejam restabelecidos. Segundo ele, com a demanda por etanol "crescendo uma barbaridade", a decisão vai dificultar a manutenção do crescimento anual de 14% na oferta, necessário para suprir essa demanda.


Escrito por SALSFI às 08h22
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   WTorre vê a luz no fim do túnel

Santander e Votorantim tornam-se acionistas da WTorre.

 

 

São Paulo - 18/06/2008

 

 

 

Os bancos Santander e Votorantim passam a deter participação direta na construtora WTorre.

Marco Antonio Bologna, diretor geral da WTorre, ex-presidente da TAM, fechou o negócio ontem, dia 17/06, e assim deu finalmente um passo  no caminho para abertura de capital.

"Se o ambiente estiver bom, poderemos fazer isso em 30 dias", disse.

 

 

As duas instituições transformaram parte da dívida da construtora em participação acionária.

O Santander, que tem crédito de R$ 500 milhões, passa a deter 8,545% do capital social total.

Já o Banco Votorantim assume 6% em troca de parte de uma dívida em torno de R$ 270 milhões.

Os dois valores não incluem os juros. 

 

 

O termo de compromisso foi assinado ontem, pouco menos de uma semana depois de o banco espanhol fechar a maior compra de um imóvel no Brasil com a própria WTorre. Na quinta-feira, o Santander fechou a compra do edifício JK, que está sendo construído sobre o antigo esqueleto onde seria a sede da Eletropaulo, na marginal Pinheiros, em São Paulo. O banco concordou em pagar R$ 1 bilhão, valor que surpreendeu o mercado. 



Escrito por SALSFI às 02h05
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   Lula, quem diria, virou ídolo dos operadores

A CATARSE, ROUSSET, A BOLSA E O PRESIDENTE.

 

 

Há algo de estranho nesta alegria, quando pólos diametralmente opostos mais que se atraem, desconhecem a simbiose da incompatibilidade.

 

Salvador Sícoli Filho – 17/06/08

 

 

Enquanto paradoxos se empoleiram o presidente faz graça.

As razões são exógenas, mas o Banco Central, a troco de conter a inflação estrangeira, detona mais um precário aumento na taxa de juros.

 

O timoneiro enxerga tão longe que mesmo não havendo inflação no horizonte, ele é o agente catalisador da sinalização.

Quando esta se anuncia o efeito faz a sua devastação e propaga o que há de ruim. Tolhe o crescimento mas deixa sempre intocado o sagrado lucro dos bancos.

 

Da Nova Zelândia para o sistema de metas tupiniquim. De olho na inflação e vistas vendadas para o despautério do gastos governamentais perdulários. De Armínio a Meireles segue o sistema intacto e altaneiro.

A galera aplaude e quando começamos a crescer vem o freio que faz derrapar.

 

Agora até a Bolsa aplaude.

Corretores alegres com IPOs inflados para a 3ª geração.

Mas a atual emplaca os lucros e cultua o ídolo. Enquanto este passeia, discursa.

E sutilmente se apropria de todo o sucesso alheio.

Se empaca o PAC, os escândalos são varridos para embaixo dos tapetes da casa de tolerância máxima pelos serviçais da oposição.

 

Mágicos fascinantes e suas cartolas interioranas para incautos.

 

Mas a mão que embala o berço é a mesma que empurra o carro para o meio da turbulência. Turbulência do trânsito – vamos todos de carro que a nossa gasolina não é aumentada pela Petrobrás há meses embora o petróleo já tenha raspado em US$ 140 o barril. A empresa tem que investir bilhões no pré-sal, mas seu circulante encolhe a cada dia. Não é governo, está governo, as ações baixam detonadas pelos estrangeiros que não entendem a sua política ditada pelo aparelhamento. Competência técnica de um lado e de outro o desmando administrativo.

Com direito a comentários capciosos de Wall Street.- leia-se Mary O´Grady.

Benesses para bolivianos, venezuelanos e sarneysistas. Vamos até fazer refinaria no Maranhão. Por que não em Garanhuns, meio a meio com Chávez?

 

A bolsa de Magliano aplaude. Quem te viu quem te vê?!

 

Presidente não move uma palha. Mas tira uma palhinha com cada um.

A metamorfose ambulante faz um IPO tupiniquim. A captação se dá em gays e lésbicas tonitruantes com a sua reputação em êxtase na alta escala dos letrados que dominam Brasília. O MST prejudica o direito constitucional de ir e vir ante um governo sem pulso e inerte. Tumultua as exportações cercando trens, lança estilhaços de vidros quebrados de bancos na honra da polícia, dos delgados políticos e do presidente.

 

Em troca dá um boné de prestidigitador ao proficiente mago e sócio benemérito.

 

A bolsa baixa, mas o presidente aciona o sino e a cúpula, ainda gozando o IPO recordista e que fez corretores bilionários, entra para a nova classe dos preparados MBAs da esperteza.

 

A policia, o exército se digladiam nas favelas em crise do Rio, os índices de criminalidade aumentam enquanto o despreparo de ministros se avoluma. Quadros são roubados à luz do dia numa estranha conivência, mas o curador diz que a segurança é extraordinária. Mentir não é mais pecado. É paradigma para enrustir incautos inclusive de alguns renomados trambiqueiros.

 

As commodities sobem no mundo e beneficiam a todos os produtores com o petróleo a frente.

Mas entre nós o efeito é neutralizado pelo estupro dos juros que traz dólares que devastam nossas relações de troca. Temos a moeda mais valorizada do mundo e as reservas mais potencialmente voláteis do planeta. Basta um espirro amarelo e tudo voa pelos ares.

 

Mas a magia que fascina incauto conta com o aparato dos deuses, mestres e croupiers da sorte.

 

Enquanto não vem o tsunami por aqui vemos em alta definição novelas educativas e a catarse de Tio Sam. Enquanto quebram lá os bancos, vamos aqui aplicar em treasures para ajudar na semeadura do caos futuro. O fundo é soberano e a submissão à mediocridade de idéias não é combatida.

 

Sem poupança interna, com moeda impávida, um colosso, carga tributária se aproximando dos 40 % , aparelhamento e gastança pública potencializando o déficit fiscal e sorrindo na ultrapassagem do crescimento do PIB, estamos instituindo um país original no mundo.

 

A solerte economia dos paradoxos de Rousset.

 

É só o inicio dos Princípios da Crueldade!



Escrito por SALSFI às 04h36
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   Lula é aplaudido na Bolsa por grau de investimento
Caio Junqueira - 17/06/2008
 

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
Lula: "O presidente pode no mesmo mês receber boné de dirigentes sindicais e de sem-terra, ir a encontro de gays e lésbicas e colocar o boné da Bolsa na cabeça. Presidente não tem partido"
 
A troca de elogios deu o tom da primeira visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez à Bolsa de Valores de São Paulo. Executivos do setor financeiro enalteceram o petista pelo atual quadro macroeconômico do país. Em resposta, ele disse que "o Brasil precisa da Bovespa e a Bovespa precisa do Brasil" e que "esse país fez do mercado de capitais uma das molas do seu desenvolvimento".


O enfoque do discurso, no entanto, foram as políticas sociais do governo. "Tenho certeza de que é possível conciliar progresso do mercado financeiro com a melhora na vida de vida de todos os brasileiros. O nosso desafio é trabalhar junto para que o desenvolvimento financeiro ande ao lado do desenvolvimento econômico e social nos próximos anos. Já estamos provando que isso é possível portanto vamos continuar trabalhando juntos para aprofundar nossas conquistas", afirmou, durante evento para homenageá-lo em razão do grau de investimento obtido recentemente pelo país.


O presidente disse que "a conquista do grau de investimento é um marco histórico para a nossa economia que resulta de uma construção coletiva" e que "vivemos um grande momento econômico graças a uma série de esforços dos mais variados setores da sociedade". Ressaltou, porém, que "mais importante é que a aceleração do crescimento ocorreu com inclusão social, isto é, com aumento do emprego e salário, redução da pobreza e ascensão social de milhões de brasileiros".


Lula creditou o desempenho econômico a duas de suas políticas sociais: "O programa Bolsa Família e a política de recuperação do salário mínimo foram importante não só para melhorar a vida de milhões de brasileiros mas também para dar início ao atual ciclo de crescimento".


Ele estava acompanhado do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento). O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), também participou. Na mesa estavam ainda ex-presidentes das Bovespa e da BM&F. "O presidente Lula entra na história com o merecido credito da estabilidade econômica por isso gostaria de pedir uma salva de palmas a ele", disse Manoel Felix Cintra Neto, ex-presidente da BMF. "A solidez da economia ficou comprovada quando o país não foi afetado pela crise do subprime americana."


O ex-presidente da Bovespa, Raimundo Magliano Filho lembrou a visita de Lula a Bolsa em 2002. " Convidamos ele mas as tratativas não foram fáceis devido a uma visão errada sobre o sindicalismo. Mas, na ocasião, Lula demonstrou grande capacidade de ação e mobilização e determinou a criação de um grupo de trabalho conjunto. Hoje, o mercado deve muito ao presidente Lula porque ele conseguiu fazer uma revolução silenciosa, dos investidores com uma visão moderna e dos empresários que acham plenamente viável ter sócios para investir. É uma revolução cultural que veio para ficar".


"Esteja certo senhor presidente que sempre saberemos reconhecer a contribuição do seu governo para o mercado de capitais", Gilberto Mifano, presidente do Conselho de Administração da BMF & Bovespa


Lula disse que sua presença no local representava uma alteração no modo de fazer política no Brasil e tambem na sociedade. "Minha vinda aqui prova não apenas a mudanca no patamar da politica macroeconômica do Brasil, mas o avanço político da nossa sociedade. Estamos provando que o presidente pode no mesmo mês receber boné de dirigentes sindicais e colocar na cabeça, receber boné dos sem-terra e colocar na cabeça, ir em um encontro que a primeira vez que um presidente do mundo participa, do GLBT, de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis, e vir na Bolsa e colocar o boné da Bolsa na cabeça", afirmou, tendo sido muito aplaudido. Ele disse ainda que presidente da República "não tem partido".


Recebeu um boné e uma jaqueta semelhante a que os operadores da Bolsa usam, só que personalizada com o seu nome. Sobre a economia, disse trabalhar "com a hipótese de que tenhamos 10 anos de crescimento sustentável para que possamos recuperar todos os males que 20 anos de não-crescimento causaram ao nosso país". Disse também que o controle da inflação é prioridade de seu governo.


Escrito por SALSFI às 02h52
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   Uma privada decente por família

17/06/2008



Artigo publicado nesta página do Valor no dia 09/06, intitulado "Sonhos de saneamento", parte de um pressuposto, ao meu ver correto em análise econômica, de que os benefícios da decisão de política devem exceder os seus custos. Na verdade, o sonho de qualquer gestor de política pública é ter na sua frente um painel de controle, ou uma espécie de "cockpit", onde todos custos e benefícios relevantes de suas decisões podem ser avaliados por antecipação. O problema é que na grande maioria dos casos as decisões são tomadas sem bola de cristal. Os gestores freqüentemente se deparam com um véu de incertezas na hora de decidir. Tão importante quanto a escassez, é o excesso de informações. Se navegar na internet é preciso, filtrar informações se torna ainda mais necessário. Há que se enfatizar regras, não as exceções. O fato de uma bactéria ter sido detectada durante o banho do bebê, não justifica jogá-lo fora junto com a água de banho (e supostamente com a bactéria).



A iniciativa PDF não tem nada a ver com software, mas algo mais básico: as cidades brasileiras precisam ainda entrar no século XX


O artigo segue uma linha provocativa à idéia de expansão da oferta de serviços de água e esgoto citando contra-exemplos que privilegiam soluções criativas, sob o argumento de que em alguns casos podem ser superiores às soluções-padrão. O problema da transposição desse ceticismo baseado em casos pontuais (em geral no âmbito rural) ao caso brasileiro é reforçar a nossa natural inércia em ações básicas de prevenção como a oferta de saneamento, onde pouco avançamos. O brasileiro tem sempre uma predileção por jabuticabas, que no caso tendem a entupir o débil fluxo de oferta de saneamento. A taxa de redução anual do nosso déficit de rede geral de esgoto, nos últimos 14 anos, tem sido um quarto daquela observada no déficit de renda da população, leia-se pobreza. É certo que o debate de políticas deve transcorrer a partir da comparação de custos e benefícios subjacentes às escolhas. Começando pelos custos: apesar de seu vasto território, o Brasil abriga mais de 80% de sua população em áreas urbanas, e uma parcela considerável desta nas grandes metrópoles. Apesar dos marcados caos urbanos derivados desta configuração geográfica populacional - o trânsito de São Paulo talvez seja o exemplo mais simbólico -, pouco aproveitamos dos potenciais benefícios das economias de escala, de escopo e de rede associadas à nossa concentração populacional. O Brasil poderia avançar de maneira decisiva na oferta de saneamento, e a baixo custo, fazendo o básico do básico nas grandes cidades: coleta e tratamento de esgoto. Segundo a percepção captada pela última Pnad, 37% da população metropolitana não estão ligadas, ou não percebem estar, à rede geral de esgoto em sua residência. O nível e a taxa de crescimento da oferta de saneamento têm sido inferiores à de outros serviços públicos como eletricidade, lixo e mesmo água. Este déficit também ocorre na qualidade da oferta percebida por aqueles que têm acesso, que também é inferior dos demais serviços públicos.


Passando agora aos benefícios da decisão de se investir em saneamento, a literatura tem mostrado redução diferenciada em mortalidade infantil frente ao aumento da oferta de saneamento básico. Por exemplo, Sebastian Galiani e co-autores publicaram artigo no "Journal of Political Economy" onde estimam em 24% a queda nas taxas de mortalidade infantil em área pobres de Buenos Aires pós-expansão de serviços privatizados das companhias locais de água e esgoto. Resultados similares têm sido observados no caso brasileiro mas, apesar dos impactos sobre a expectativa de vida média da população, a mortalidade infantil é apenas a ponta do iceberg dos efeitos da falta de saneamento básico. A chance de filhos nascidos mortos sobe 24% com a ausência de esgoto. Perdas de dias de aula e de trabalho são outros efeitos colaterais. 60% das faltas de crianças matriculadas se dão por motivo de saúde. As chances de quem tem acesso a saneamento perder dias acamado com sintomas de diarréia e vômito são 9% menores.


Anos atrás, empreendemos no Centro de Políticas Sociais o primeiro estudo sobre acesso a computador doméstico a partir dos microdados das pesquisas domiciliares do IBGE. O resultado empírico da pesquisa foi monótono: onde a renda é baixa, o acesso a computador também é. Desconfio que com a expansão do crédito popular este mapa pode ter mudado. Propusemos no âmbito das políticas públicas o paradigma do computador coletivo, em contraposição ao computador pessoal, como forma de socializar a depreciação decorrente da obsolescência tecnológica. Já o mapa do saneamento básico reserva várias surpresas: a Grande Porto Alegre, que normalmente habita o pódio dos rankings sociais metropolitanos, está na penúltima posição do ranking de acesso à rede geral de esgoto. Em visita local pude perceber que o problema vai desde ineficiências do marco institucional até peculiaridades da cultura local. O Instituto Trata Brasil realiza pesquisa junto à população gaúcha da Vila Dique para tentar desvendar as causas e as conseqüências deste mistério. Salvador constitui um contra-exemplo de oferta de saneamento básico. O programa Baía Azul, financiado pelo BID, conseguiu, no prazo de cinco anos, dobrar a oferta de conexões à rede geral de esgoto. O Programa de Despoluição da Baía de Guanabara no Grande Rio (PDBG), similar em objetivos, filosofia, motivações turísticas e dotações orçamentárias, apresenta resultados bem menos expressivos. Isso demonstra que boas intenções, planos e mesmo recursos abundantes são condições necessárias, mas insuficientes ao aumento de oferta efetiva de saneamento. Há que se ter boa gestão e vontade política.


Enquanto alguns cogitam programas como o "um computador por criança", inspirado na iniciativa americana OLPC "One Laptop Per Child", propomos a iniciativa PDF, que não tem nada que ver com software, mas de algo mais básico na vida humana: "uma Privada Decente por Família". Talvez pela invisibilidade das externalidades emanadas do fato de as principais vítimas serem crianças sem voz ou voto, a causa do saneamento básico para todos precisa de impulso para vencer os obstáculos da indiferença. Não vale inverter a questão (e a sigla), atribuindo os problemas (e as soluções) do saneamento aos outros. A falta de esgoto de uns é a falta de esgoto de todos nós. As grandes cidades brasileiras precisam ainda entrar no século XX.

Marcelo Néri , chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de "Retratos da Deficiência" e "Cobertura Previdenciária: Diagnóstico e Propostas" E-mail: mcneri@fgv.br

mcneri@fgv.br



Escrito por SALSFI às 02h42
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   Dólar (16/06/08 - 16:52)
  Compra Venda
Comercial 1,6240 1,6260
Turismo 1,5900 1,7400
Paralelo 1,7300 1,8300
16/06/08 * 16:52 * 1,626

Euro (16/06/08 - 04:00)
Dólar 1,5528 1,5533
Real 2,5191 2,5216
Turismo 2,4600 2,7200
Outros indicadores
Selic 12,17
TR 0,1349
TJLP 6,25
CDB 30 12,08
Ouro-g 46,100
IGP-M 1,61
Fonte dos indicadores: CMA


Escrito por SALSFI às 02h37
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Paralelo 1,7300 1,8300
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TJLP 6,25
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Fonte dos indicadores: CMA


Escrito por SALSFI às 02h37
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   A boa gestão pública do petróleo
Por Mary Anastasia O´Grady - 17/06/2008

 


O executivo-chefe da Petrobras, José Sergio Gabrielli, mostrou-se animado por perspectivas otimistas quando visitou o "Wall Stret Journal" em Nova York, na semana passada, para falar sobre a companhia petrolífera brasileira.


Uma razão pela qual Gabrielli está otimista é a descoberta, no ano passado, do campo Tupi, na costa brasileira, com reservas estimadas entre cinco bilhões e oito bilhões de barris do ouro negro. Outra razão igualmente importante é que, segundo Gabrielli, tanto ambientalistas como políticos brasileiros não expressaram preocupações sobre a extração de petróleo nas águas ao largo da costa brasileira. Isso representa um marcante contraste com atitudes nos Estados Unidos, onde a prospecção e extração costeira foi praticamente paralisada, exceto no Golfo do México.


Uma explicação para a diferenças entre as políticas americana e brasileira, segundo um executivo da companhia, é que os brasileiros compreendem a importância da energia para seu futuro, ao passo que os americanos a ignoram.


Tenho outra teoria, e a minha é coerente com o padrão de exploração existente - ou inexistente - de recursos naturais em todo o Hemisfério Ocidental. Em suma, trata-se do seguinte: onde governos detêm os direitos de propriedade, as restrições à exploração tendem a ser baixas. Mas quando o setor privado é o proprietário, florescem as preocupações ambientalistas.


Uma prova é a Petrobras. Gabrielli não disse apenas que não existe apetite por impedir projetos na costa, em seu país. Ele disse mais. "O Brasil tem uma das legislações mais livres e mais focadas no investidor em todo o mundo. Mais franca até mesmo do que nos EUA", disse ele, referindo-se ao clima para prospecção de petróleo.


Talvez seja assim, mas seria interessante saber por que, em vista da notória adesão brasileira pelo socialismo. Pode ser que o país esteja mudando. Afinal de contas, hoje existe competição privada na indústria petrolífera. Mas vale também notar que o governo brasileiro têm uma participação controladora de 58% em ações com direito a voto na Petrobras e 32% do total das ações da companhia. Isso significa que os lucros da Petrobras vão diretamente para as finanças governamentais, proporcionando aos políticos mais dinheiro para gastar subornando seu eleitorado.



Os lucros da Petrobras vão para as finanças do governo, proporcionando aos políticos mais dinheiro para gastar subornando seu eleitorado


Nos EUA, o Congresso nem de longe tem tal interesse corporativo no êxito da indústria petrolífera. De que serviriam lucros empresariais se vão diretamente para seus acionistas, aposentados e empregados? Ao Congresso americano foi negado acesso até mesmo ao imposto sobre lucros extraordinários. Para os políticos americanos, há uma motivação muito maior em reagir ao poder concentrado do grupos vinculados a interesses especiais "verdes".


Em 1995, o governo britânico vendeu as últimas ações que possuía da British Petroleum (BP), empresa que havia sido privatizada em sua maior parte ao longo da década de 80. Em outubro de 1996, um membro britânico do Parlamento Europeu, o socialista Richard Howitt, começou a pressionar a BP por supostos danos ao meio ambiente e desrespeito aos direitos humanos na Colômbia. Será que a companhia de uma hora para outra converteu-se de cidadã modelo em empresa mortífera? Ou será que os socialistas britânicos perderam as motivações que os levavam a apoiar a companhia e descobriram novas razões para atacá-la, em vista da aliança ideológica do eleitorado de esquerda com os rebeldes colombianos que estavam explodindo oleodutos da BP?


Pelo menos a Petrobras é uma companhia de capital aberto bem administrada que precisa prestar contas a seus acionistas. A Pemex, um monopólio petrolífero estatal mexicano, é uma notória poluidora e aparentemente isenta de pressões políticas para que corrija suas falhas.


O setor de mineração oferece uma percepção ainda mais nítida dessa contradição. Bolívia, Venezuela e Cuba são, todos, países com agressivas operações mineradoras estatais. Tanto as ONGs ambientalistas como a classe política não levantam um dedo sequer em oposição.


Onde o setor privado propõe prospecção mineral, a história se inverte. Em fevereiro, visitei uma cidade rural em El Salvador nas proximidades da fronteira hondurenha, onde a Pacific Rim Mining Corporation (PRMC) está tentando reabrir a mina de ouro El Dorado. A companhia dedicou um ano elaborando projetos para a mina, em um processo que envolveu mais de 20 consultas públicas com comunidades locais. A PRMC diz que o projeto final excede os padrões internacionais. O governo do presidente Tony Saca reconhece isso ao dizer à companhia não haver problemas técnicos envolvendo a mina, apenas políticos.


Esses problemas políticos vêm do FMLN um partido político de esquerda, e das ONGs que compartilham a ideologia anti-setor privado do FMLN. Eles moveram uma campanha violenta contra a companhia por agressão ao meio ambiente, embora nenhuma prova tenha sido apresentada. Apesar disso, a reação do governo de Saca foi colocar em banho-maria por quatro anos a autorização para as operações da PRMC, sinalizando a investidores que em El Salvador as portas estão fechadas para negócios.


O prefeito local me disse que a comunidade quer o projeto, que criará 600 novos empregos diretos e poderá resultar em até 3 mil empregos indiretos. O único problema é que, como o governo não é o dono, a mina de El Dorado não inspira os políticos em El Salvador da maneira que a Petrobras inspira Brasília.


Mary Anastasia O´Grady é jornalista do "The Wall Street Journal" e pertence ao Conselho Editorial do jornal


Escrito por SALSFI às 02h35
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   Inflação: algumas lições da história

16/06/2008

Atualmente, tanto quanto nos anos 70, vivemos um ciclo de inflação mundial. Há diferenças importantes, mas há também lições a serem extraídas para que os mesmos erros não se repitam. No início dos anos 70 ainda estávamos no regime de Bretton-Woods, com os Estados Unidos no seu "centro", emitindo a moeda que desempenhava o mesmo papel do ouro no regime do padrão-ouro, com os países da "periferia" fixando suas taxas cambiais com relação ao dólar. Quando os EUA aumentavam a oferta de moeda, obrigavam os demais bancos centrais a comprar dólares para sustentar as taxas cambiais, elevando o estoque mundial de moeda e determinando a inflação mundial. Nos anos 60, os EUA começaram a financiar com déficits públicos a guerra do Vietnã. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) poderia ter resistido, elevando a taxa de juros e limitado a expansão monetária, mas optou pela acomodação monetária, levando ao crescimento da inflação mundial.


Quando os preços internacionais de commodities iniciaram o ciclo de alta, em 2002, muitos julgaram que ele derivava exclusivamente da expansão da demanda gerada pela China. Embora a China possa ter contribuído para parte da elevação, se estivéssemos assistindo apenas a uma mudança de preços relativos, aquele ciclo se encerraria quando os novos "preços de equilíbrio" fossem atingidos. Contudo, a contínua aceleração dos preços reflete um quadro diferente. Não estamos diante de uma simples mudança de preços relativos, mas sim de um aumento generalizado de preços nominais, que se iniciou com as commodities e está se espalhando para todos os demais preços. Por que a inflação mundial está retornando?


Atualmente não estamos mais no regime de Bretton-Woods, mas ainda assim há um grande número de países que fixam suas taxas cambiais com relação ao dólar, embora existam exceções, como a do Banco Central Europeu. Por outro lado, os EUA mantiveram taxas de juros extremamente baixas por um longo período, e mais recentemente aceleraram a expansão monetária, não para financiar déficits públicos como nos anos 60, mas para evitar que, ao atingir o sistema bancário, o estouro da bolha imobiliária produzisse uma crise bancária sistêmica. A China, que era freqüentemente apontada como uma "exportadora de deflação", devido ao seu câmbio subvalorizado e salários baixos, vem contribuindo para a inflação mundial ao acumular reservas expandindo sua oferta monetária. Poder-se-ia argumentar que todas estas intervenções no mercado de câmbio são "esterilizadas", mas, diante da queda das taxas reais de juros na grande maioria destes países da "periferia", o processo de esterilização nos parece imperfeito. O paradoxo é que, ao evitar o erro cometido pelo Federal Reserve de 1929, quando contraiu a oferta monetária provocando uma crise bancária, o Fed de 2007/2008 caiu no mesmo problema vivido nos anos 70: o agravamento da inflação mundial.


Nos anos 70, as autoridades brasileiras reagiram negando que a inflação brasileira derivasse da expansão fiscal e monetária, preferindo o diagnóstico de que assistíamos apenas uma inflação importada. Recomendaram (e adotaram) a mesma acomodação monetária que tem sido insistentemente sugerida atualmente pelo ministro da Fazenda. Há três lições que podemos extrair daquela experiência. A primeira é que a decisão de acomodar a política monetária fez com que a inflação saísse do controle. A segunda é que, ao tentar evitar no curto prazo o custo de combater a inflação, tivemos que pagar um custo muito mais alto a médio e longo prazos. A terceira é que, tanto quanto nos anos 1970, o presente surto de inflação mundial não é um "novo paradigma" da economia mundial, e terá que ser combatido. Da mesma forma como ocorreu nos anos 70, o final deste ciclo inflacionário exige uma fase de aperto monetário na maioria dos países, que ocorrerá mais cedo ou mais tarde. Nas últimas semanas, importantes banqueiros centrais vêm enfatizando sua preocupação com a inflação mundial, indicando que o momento do reconhecimento se aproxima. Que reflexos isto terá sobre a economia brasileira?



A inflação mundial levou à valorização do câmbio real, estimulando investimentos e acelerando o PIB: este foi o "presente" que o mundo nos deu


Felizmente a dívida externa em proporção ao PIB é menos do que 1/3 inferior ao que era em 2002; as reservas internacionais se aproximam de US$ 200 bilhões; e o governo eliminou seu passivo em dólares. Com isso, os anos das "paradas bruscas de fluxos de capitais" ficaram no passado. Mas isso não significa que o Brasil tenha se tornado imune às variações da economia internacional. Como ocorre com todos os exportadores de commodities, o câmbio real no Brasil varia inversamente com os preços internacionais de commodities. Há, por outro lado, uma extrema dependência da formação bruta de capital fixo com relação às importações: o barateamento das importações é, também, o barateamento das máquinas e equipamentos importados, elevando a taxa de investimentos. Significa que a inflação mundial levou à valorização do câmbio real, estimulando os investimentos e acelerando o crescimento do PIB. Este é o "presente" que o mundo nos deu nos últimos anos. A má notícia é que o mundo está prestes a nos mandar a conta.


Quando entrarmos no inevitável ciclo inverso, de queda dos preços internacionais de commodities, assistiremos este filme rodado ao contrário. A queda dos preços de commodities levará à depreciação do câmbio real, contraindo investimentos, e ao elevar a relação câmbio/salários estará também reduzindo os salários reais e o consumo das famílias. Este é o caminho através do qual os déficits nas contas correntes se reduzirão para acomodar a perda nas relações de troca.


Há duas ações que minimizam estes custos. A primeira delas é iniciar precocemente o combate à inflação, o que já vem sendo feito pelo Banco Central. A segunda é mudar a política fiscal, elevando os superávits primários, não para 4,3% do PIB, que é um nível no qual ele já vem se mantendo há mais de um ano, sem nenhum efeito sobre a inflação, mas para valores bem mais elevados. O déficit nas contas correntes é idêntico ao excesso da absorção sobre o PIB e, se o consumo do governo for cortado, as outras duas componentes da absorção - o consumo das famílias e os investimentos - podem manter-se mais elevados. Mas o governo discorda deste diagnóstico e prefere continuar gastando, na esperança de manter elevada a popularidade do presidente Lula e a probabilidade de eleger o seu sucessor. Como os tempos mudaram e a inflação atua na direção contrária, seria mais inteligente somar forças no seu combate.

Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti são economistas e escrevem mensalmente às segundas.


Escrito por SALSFI às 01h02
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   África, fronteira para emergentes
Por Javier Santiso - 16/06/2008

Do Extremo Oriente, empresas chinesas como Minmetals, Haier e Sinopec começaram a investir na região. De repente, o continente negro recobrou uma importância estratégica, política e, sobretudo, econômica inesperada para os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). À medida que empresas chinesas foram arrebatando contratos das multinacionais européias e norte-americanas, a noiva africana ficou ainda mais atraente: a prometida deixara de ser exclusiva. Pior ainda, poderia apaixonar-se por outros pretendentes.


Simbólico da irrupção espetacular da China na África foi o anúncio da agência chinesa de seguro de crédito à exportação Sinosure, no início do ano, quando ofereceu nada menos do que US$ 50 bilhões em garantias de empréstimos para a Nigéria, prova do interesse do país no continente africano e em suas imensas reservas de hidrocarbonetos e minerais. Atualmente mais de 800 empresas chinesas operam na África, em setores como indústria, finanças e de matérias-primas.


A África não se tornou uma nova fronteira apenas para a China, mas também para outros países emergentes. O motivo é, principalmente, a melhora macroeconômica pela qual passa o continente graças à (visível) influência da China, cujas importações impulsionam o preço e volumes das matérias-primas.


Dessa forma, em 2008, segundo o Panorama Econômico Africano (AEO, na sigla em inglês), divulgado conjuntamente em maio pelo Banco Africano de Desenvolvimento e o Centro de Desenvolvimento da OCDE, o continente crescerá novamente a um ritmo asiático, com expansão média do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,9%. É o quinto ano consecutivo em que a África cresce nesse patamar. Não se trata apenas dos países exportadores de matérias-primas. Em 2007, dos 35 países analisados no AEO, cerca de 30 cresceram mais do que 5%. O cenário em geral despertou o apetite de investidores privados que buscam bons retornos - e não são avessos a riscos.


O despertar do interesse chinês pela África também estimulou o apetite de outros investidores de países emergentes e reativou o dos europeus e norte-americanos. Prova disso é o recorde de investimentos externos diretos sendo direcionados à África. Em 2005, pela primeira vez, os investimentos internacionais (US$ 35 bilhões) superaram os pacotes de auxílio de países da OCDE para desenvolvimento bilateral. Em 2006, o mesmo voltou a ocorrer, com os investimentos externos diretos superando os US$ 36 bilhões.


No mundo das economias emergentes, a China não é o único novo investidor irrompendo na África. É particularmente chamativo que em 2006, pela primeira vez, as fusões e aquisições foram lideradas por empresas da Ásia e Oriente Médio e não de países desenvolvidos: no total, as primeiras levaram adiante acordos no continente africano de quase US$ 9 bilhões em 2006, superando os negócios acertados (US$ 7 bilhões) por empresas de economias desenvolvidas.



A tendência de investimentos dos países emergentes na África resulta do mais recente protagonismo de potências do Sul na globalização capitalista


As empresas indianas também apostam suas fichas na África. Em 2007/2008, o comércio bilateral entre Índia e África superou os US$ 30 bilhões, em comparação ao US$ 1 bilhão verificado em 1990/1991. Grupos gigantes como Tata, Ranbaxy Laboratories e Kirloskar Brothers, por enquanto, centraram-se na África do Sul, Nigéria, Egito e Quênia. A Tata Africa Holdings emprega 750 pessoas em cerca de 10 países do continente. A empresa estatal indiana de gás comprometeu investimentos em torno de US$ 6 bilhões na Nigéria. Mostra do crescente interesse foi a realização, pela primeira vez, de uma reunião de cúpula Índia-África, em abril deste ano.


Da América Latina, grupos brasileiros também iniciaram investimentos importantes na África. No ano passado, a construtora Odebrecht colocou US$ 200 milhões em Angola, junto com operadores locais como Sonangol e Damer, para criar uma nova empresa de bioenergia. Também começou a construir um terminal de combustíveis no porto de Djibuti e executará obras de infra-estrutura na Líbia. Por sua vez, o gigante grupo minerador Companhia Vale do Rio Doce [Vale] tem importantes planos em Moçambique, outro país africano de língua portuguesa. A mineradora também atua na Angola, Gabão, África do Sul e Guiné.


A Petrobras está presente em países como Líbia, Tanzânia, São Tomé e Príncipe, Nigéria e Guiné Equatorial. Suas principais apostas na região estão em Angola, cujas operações representam quase 5% da produção petrolífera estrangeira da empresa brasileira. A Nigéria receberá, até 2012, o terceiro maior volume de recursos destinados ao exterior. Em países como a Angola, as relações comerciais com o Brasil incrementaram-se de forma espetacular. Em 2007, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aumentou sua linha de crédito no país, para apoiar as empresas brasileiras, em até US$ 1 bilhão.


Aos investidores da China, Índia e Brasil também se somam grupos industriais e financeiros do Oriente Médio; da Rússia, como a Gazprom; e do Sudeste Asiático. A tendência de investimentos dos países emergentes na África faz parte de outra, mais geral e global: a emergência de potências do sul como protagonistas da globalização capitalista. Em 2007, de acordo com os números mais recentes da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o Brasil investiu fora de suas fronteiras US$ 28 bilhões; a Índia, mais de US$ 20 bilhões; a Rússia, outros US$ 18 bilhões; e a China, US$ 16 bilhões. No total, o fluxo de investimentos diretos procedentes dos países emergentes passou de US$ 12 bilhões, em 1991, para mais de US$ 99 bilhões em 2000, e cerca de US$ 210 bilhões em 2006.


O que estamos vivendo é um reequilíbrio das riquezas dos países do Norte para o Sul e entre os países do Sul. Mas, principalmente, o que estamos presenciando é descentralização do mundo, mais além de um suposto descolamento: a irrupção de novos investidores em um continente como a África, quintal dos europeus e americanos, é mais uma ilustração desta mudança tectônica que nossa geração presenciará.


Javier Santiso é diretor e economista-chefe de Desenvolvimento no Centro de Desenvolvimento da OCDE.


Escrito por SALSFI às 00h58
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   Antes que venha a tempestade
Por Gustavo Andrey Fernandes - 16/06/2008
 

Uma verdadeira democracia não persegue apenas crescimento econômico. O voto permite que a parcela mais carente da população expresse seus anseios, tornando inevitável o surgimento de programas sociais como o Bolsa Família. No entanto, somente o despertar do Estado para a questão social é insuficiente para promover o pleno desenvolvimento. A despeito da gradativa atenuação da miséria, uma constante desde a redemocratização do país, ainda falta muito para a sua redução a níveis aceitáveis.


É bem verdade que a entrada das grandes massas no processo decisório, por meio do escrutínio eleitoral, transformou o Estado brasileiro, alterando definitivamente seu foco de atuação. A despeito de eventuais deslizes populistas, a necessidade de conquistar votos levou à multiplicação dos programas sociais voltados, especialmente, para os segmentos mais desfavorecidos da sociedade, produzindo, com isto, uma louvável melhoria dos índices sócio-econômicos. Entretanto, os resultados colhidos nos últimos 20 anos ainda são frágeis. É preciso ainda criar as condições para que ocorra o crescimento sustentado. A teoria econômica ensina importantes lições sobre esse desafio.


Um dos estudos pioneiros foi publicado pelo economista norte-americano Robert Solow, cujas descobertas, em meados dos anos 50, já indicavam que um fator primordial para o desenvolvimento é o progresso tecnológico.


Outros artigos, mais recentes, elaborados por economistas do peso de David Romer, Robert Barro e Robert Lucas, aprofundaram esta constatação, evidenciando que, embora a acumulação de capital seja necessária - portos, fábricas, infra-estrutura em geral - ela não basta para promover desenvolvimento. Para atingir essa nobre condição, são imprescindíveis pesados investimentos em capital humano.


A história recente dos Tigres Asiáticos é prova cabal deste fato. Neste assunto, porém, a miopia dos governantes brasileiros impressiona.


Segundo estudo dos economistas Barbosa Filho e Samuel Pessoa, da FGV, as taxas médias de retorno da educação no Brasil são extremamente elevadas. Levando em conta os custos para manutenção de um aluno, o retorno no ensino médio é de 13,7%, subindo para 19,1% no fundamental. Trata-se, logo, de um excelente investimento.


Entretanto, sem o mesmo apelo eleitoral dos programas assistencialistas, as inserções em capital humano continuam tímidas. Por exemplo, durante a gestão FHC, o gasto médio com a função Educação foi de apenas 7,85% do orçamento federal, contra 46,39% em benefícios previdenciários. Estes números pioraram no primeiro mandato do presidente Lula, com os gastos na função Educação caindo para 5,95%, simultaneamente à expansão dos benefícios para 51,43%.


As implicações são trágicas.



A valorização dos ativos brasileiros relaciona-se muito mais com a redução do risco-país do que com a premiação de boas idéias


Segundo dados do IPEA, o número de desempregados, em 2007, foi de aproximadamente 9,1 milhões de indivíduos, dos quais 18,63% podiam ser considerados qualificados. No entanto, enquanto o excesso de oferta de trabalho entre os indivíduos satisfatoriamente educados rondou ínfimos 84 mil empregos, o déficit entre aqueles com baixa qualificação foi de 7,5 milhões de postos. O cenário, portanto, é claro: não basta criar empregos, é preciso também investir naqueles que irão ocupá-los, a não ser que se ampliem tão-somente as vagas cuja necessidade de qualificação seja irrelevante.


O efeito perverso da falta de preparo ecoa, inclusive, em áreas celebradas pelo bom desempenho, como o mercado financeiro e o comércio externo.


A análise da pauta de exportações brasileiras, por exemplo, não deixa dúvidas. Em 1996, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a parcela de produtos de alta tecnologia correspondia a 4,3% das vendas externas, com os bens de baixo valor agregado somando 36%. Uma década depois, apesar do incremento de 280% no valor total de exportações, não houve evolução qualitativa. Em 2007, o grupo de baixa tecnologia continuou liderando a pauta, com 27,9% do total, tendo a participação dos bens de alto valor agregado crescido para apenas 6,8%.


Naturalmente, um país que não investe em educação, não produz inovação tecnológica. Esta óbvia conclusão é também observada no mercado financeiro. Seguindo critérios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), das 476 empresas listadas na Bovespa, no final de 2007, apenas 16 podiam ser classificadas como de alta tecnologia. Ademais, das 20 ações mais negociadas, nenhuma é representante deste setor. Ou seja, a valorização dos ativos brasileiros relaciona-se muito mais com a redução do Risco Brasil do que com a premiação de boas idéias.


Uma constatação imediata é que o atual crescimento econômico do país é basicamente uma conseqüência de um raro momento de bonança global. Desde 2003 a economia mundial cresce acima de sua média histórica dos últimos 40 anos, de 3,71%. Apenas em 2006, o PIB mundial cresceu 5,4%, superando os 3,7% da economia brasileira. Em outras palavras, apesar da bonança internacional, o brasileiro continua despreparado, amparado apenas por programas assistenciais que aliviam o flagelo da pobreza, mas são incapazes de promover uma solução definitiva.


A realidade, portanto, é dura e esquecida com facilidade, na ebriedade dos últimos anos de calmaria da economia mundial. Nunca, na história da humanidade, uma nação venceu os obstáculos ao desenvolvimento sem investir maciçamente em educação, sobretudo educação básica. Resta, portanto, que nas próximas eleições a sociedade clame por verdadeiras transformações, evitando desperdiçar uma rara oportunidade para verdadeiramente modificar o Brasil.


Ainda é tempo, antes que venha a tempestade.


Gustavo Andrey Fernandes é coordenador na Escola de Contas Públicas do TCE-SP, mestre e doutorando em Teoria Econômica pela Universidade de São Paulo (USP).


Escrito por SALSFI às 00h46
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   InBev sonha com a Budweiser
Lílian Cunha e André Vieira - 13/06/2008

Se conseguir comprar a Anheuser-Busch, a empresa belgo-brasileira InBev vai tentar transformar a principal marca de cerveja americana, a Budweiser, na Coca-Cola das cervejas. Bud, como dizem os americanos, é a única cerveja incluída no ranking das cem marcas mais valiosas do mundo, avaliada em US$ 11,6 bilhões.


"O consumidor quer Bud, mas não tem a bebida a seu alcance", disse ontem o brasileiro Carlos Brito, presidente da InBev, em conferência telefônica para analistas de mercado. A InBev sempre quis ter uma marca mundial. Tentou com a Brahma, sem sucesso, quando a empresa foi formada, em 2004. Não existe uma marca mundial de cerveja tão forte quanto Coca-Cola em refrigerantes.


A InBev ofereceu US$ 46,3 bilhões pela Anheuser-Busch e a possível venda da cervejaria provocou reações nacionalistas nos EUA. "Por que estamos vendendo a América?", era a mensagem de indignação postada ontem na versão eletrônica do jornal americano "St. Louis Post".


Escrito por SALSFI às 00h17
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