SALSIFI INVESTMENTS
   Camargo Corrêa irá junto com Endesa na disputa pelo Madeira
Ivo Ribeiro e Mauricio Capela - 22/11/2007
 

A disputa pela concessão da hidrelétrica Santo Antônio no rio Madeira, com licitação marcada para 10 de dezembro em Brasília, promete se tornar mais acirrada com a entrada no jogo de um novo competidor internacional de peso. A espanhola Endesa, uma das maiores companhias elétricas da Europa, negociava ontem sua participação no consórcio liderado pelo grupo Camargo Corrêa. A usina de Santo Antônio, a 10 km de Porto Velho, capital de Rondônia, terá potência instalada de 3,15 mil megawatts (MW).


A outra parceira da Camargo, segundo apurou o Valor, é a CPFL Energia, empresa na qual o grupo construtor é um dos principais acionistas. Até o início da noite de ontem, as três empresas definiam suas participações no consórcio, dentro dos 51% que cabem ao setor privado. A estatal Chesf, do sistema estatal Eletrobrás, ficará com os demais 49%.


Hoje, conforme as regras do edital, seria o último dia para que os interessados apresentassem a formação dos seus respectivos consórcios. Mas, ontem no início da noite, a Aneel, agência do setor elétrico, decidiu adiar o prazo de entrega da documentação em 24 horas.


Dos três outros consórcios conhecidos com interesse na licitação - Odebrecht/Furnas, Suez/Eletrosul e Alusa-Schain/Eletronorte -, os dois últimos já estavam definidos. Os representantes de Odebrecht e Furnas encontravam-se reunidos a portas fechadas, buscando inserir novos interessados na composição de seu consórcio.


O que atrai a todos esses grupo e à Endesa, grupo que fatura ? 20,6 bilhões e que surge inesperadamente na reta final do processo, é um empreendimento cujo investimento ficará no mínimo em R$ 9 bilhões. A usina está prevista para entrar em operação no fim de 2012 (as duas primeiras turbinas) ou início de 2013.


O fato é que a entrada da Endesa deverá impulsionar em muito a disputa pela hidrelétrica, que foi alvo de polêmica envolvendo Odebrecht e Camargo, além do governo federal - que tem enorme interesse em fazer andar a obra considerada prioritária - e até entidades ambientais.


Com a aliança à companhia espanhola, a Camargo Corrêa não só constitui forças para enfrentar a Odebrecht, sua rival direta, mas também o poder de fogo da multinacional franco-belga Suez, que no Brasil controla a Tractebel, maior geradora privada de energia.


Como um dos maiores grupos do mundo na geração de energia, a Endesa tem capacidade instalada de 1 gigawatt (GW) no Brasil por meio das usinas de Cachoeira (658 MW) e Fortaleza (347 MW). Já no mundo, a companhia tem uma potência instalada de 47 GW, distribuída em operações instaladas em 11 países. A companhia tem uma forte posição na América Latina. A região, no ano passado, respondeu por 31% de seu resultado operacional (Ebtida) de ? 7,1 bilhões.


No Brasil, onde teve receita líquida de R$ 4,4 bilhões em 2006, a atuação da Endesa não se limita apenas à geração de energia. A multinacional espanhola controla a distribuidora cearense Coelce e a fluminense Ampla. Opera ainda a linha de transmissão Cien, que tem mil quilômetros de extensão e corta o Estado do Rio Grande do Sul e a Argentina.


A Endesa é o trunfo da Camargo Corrêa para equilibrar forças com o peso-pesado franco-belga, que mundialmente tem capacidade de geração de 60 GW e se posiciona como quinta maior elétrica da Europa. A subsidiária brasileira Tractebel, com uma capacidade instalada de 5,9 GW, tem demonstrado apetite para expandir-se para outras regiões do país, como Norte e Nordeste. Sua principal base é o Sul.


De acordo com informações da subsidiária da multinacional no país, a Suez entrará na disputa da hidrelétrica de Santo Antônio com a estatal Eletrosul, outra empresa do sistema Eletrobrás. E o formato da Sociedade de Propósito Específico (SPE), que deve ser depositado até amanhã na Aneel, terá uma participação de 51% da Suez. 49% ficarão com a estatal.


A presença da CPFL no consórcio é também considerada estratégica. Como maior grupo elétrico de capital nacional, a distribuidora paulista opera e tem participações em várias hidrelétricas. Sua capacidade de geração chegará a 2,2 mil MW em 2010.


O consórcio da Odebrecht, que teve de abrir mão de acordos de exclusividade com o sistema Eletrobrás e com grupos fornecedores de equipamentos elétricos, buscava na reta final nova configuração que a tradicional conhecida. Há um bom tempo, a construtora tinha como parceiros para compor os 51% os bancos Banif/Santander. Do lado de Furnas, segundo informações, a estatal mineira Cemig negociava ficar com até 12% dos 49% que foram alocados para geradora controlada pela Eletrobrás.


A distribuidora carioca Light era também cotada como potencial sócia, depois de ter namorado o consórcio da Camargo. Saiu das negociações pelo fato de ser controla pelo Rio-Minas, cujos principais acionistas são Cemig e Andrade Gutierrez. A construtora mineira deve compor o grupo que fará a obra, caso Odebrecht/Furnas vença o leilão.


Outra SPE que promete entregar a documentação ainda hoje é aquela que tem à frente a estatal Eletronorte. Dona de 49%, a geradora de energia do norte do país divide a sociedade com mais quatro grupos: as brasileiras Schahin, Alusa e UTC e a argentina Impsa. E é justamente este grupo que terá os 51% restantes do lado privado, mas a divisão de participações entre eles ainda não foi revelada.


Segundo José Reis, presidente da EuroVentures, a consultoria que ajudou a alinhavar esse consórcio, caso vença o leilão essa SPE ainda terá como sócio o banco de investimento austríaco Meinl Bank. "A fatia deles não está definida, mas é certo que entrarão depois da licitação", afirma Reis. A construtora que será responsável por tocar a obra, em caso de vitória desse consórcio, é a italiana Astaldi.



Escrito por SALSFI às 22h18
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A grande reviravolta?

 

 

Martin Wolf – Financial Times  -21/11/2007

 

 

 

Será que os EUA entrarão em recessão? Duas respostas precisam ser dadas a essa indagação: primeiro, ninguém pode ter certeza; e, segundo, isso não tem importância. Uma pergunta muito mais importante é se a economia americana continuará a experimentar uma "recessão com crescimento", ou seja, um período prolongado de crescimento abaixo da tendência. A resposta é "sim". 

 

 

A definição americana padrão para recessão é: dois trimestres de crescimento econômico negativo. Isso exige, a um só tempo, muito e pouco: muito, porque exige uma queda absoluta na produção, um evento infreqüente numa economia em crescimento; pouco, porque é coerente com desemprego crescente e queda na utilização de capacidade. Mas uma prolongada recessão de crescimento seria, provavelmente, muito mais perturbadora do que até mesmo uma recessão profunda, desde que esta termine rapidamente. 

 

 

A maioria dos analistas acredita que a tendência da taxa de crescimento da economia americana é de aproximadamente 3% por ano. Um crescimento abaixo dessa taxa, portanto, é uma recessão de crescimento. Neste ano, a expectativa é de um crescimento em torno de 2%. No ano que vem, sugere o consenso, o crescimento americano ficará um pouco acima de 2%. Isso assinalaria um descompasso acumulado em torno de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em um prazo de dois anos. Assim, os EUA já estão em uma recessão de crescimento. 

 

 

É fácil ver por que a demanda americana interna deverá continuar fraca: os preços das moradias caíram cerca de 8% de seu pico, em termos reais (mensurada pelo índice Case-Shiller), e poderá cair bem mais, após ter dobrado entre 1997 e 2006; Ben Bernanke, o presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), estimou em US$ 150 bilhões as baixas contábeis inesperadas resultantes da inadimplência dos devedores de financiamentos habitacionais, ou seja, mais do que a faixa de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões que Bernanke estimara no início do segundo semestre, embora bem abaixo dos US$ 400 bilhões calculados por alguns observadores; e à medida que o capital dos bancos encolher, o mercado de crédito provavelmente continuará apertado. 

 

 

Entretanto, por mais que esteja disposto a ajudar, o Fed está preocupado com pressões inflacionárias. As justificativas para essa preocupação são os preços recordistas do petróleo e a queda do dólar, agora mais desvalorizado em relação às importantes moedas mundiais do que em qualquer momento passado. 

 

 

O que acontecerá agora depende de duas coisas: em que medida revelar-se-á fraca a demanda interna e em que grau sua queda será contrabalançada por um estímulo das exportações líquidas. Essa é "A Grande Reversão": a reimportação, pelos EUA, do estímulo que imprimiu ao restante do mundo entre 1996 e 2004, quando suas compras domésticas cresceram mais rápido do que o Produto Interno Bruto (PIB), e o déficit em conta corrente registrou crescimento explosivo. 

 

 

Como é bem sabido, os EUA eram o principal absorvedor do superávit de poupança do resto do mundo, principalmente do Leste Asiático e dos países exportadores de petróleo. Um pouco menos compreendido é como isso funcionou internamente. No início da década de 2000, o principal absorvedor doméstico dessa enxurrada de crédito externo foi o governo americano. A partir de então, o principal absorvedor de crédito extrangeiro foi o setor privado, que incorreu em um déficit financeiro (excesso de gastos em relação à renda) que atingiu um pico de 3,4% do PIB no terceiro trimestre de 2006. 

 

 

Esse déficit foi inteiramente assumido pelas famílias, chegando a 3,8% do PIB no segundo trimestre de 2006. Um déficit de tal magnitude só pode ser financiado mediante empréstimos. No caso das famílias, esses empréstimos traduziram-se em endividamento cada vez maior, principalmente bancado pelo crescente valor das moradias. Isso, agora, acabou. 

 

 

 

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O resto do mundo deverá se ajustar, seja mediante aumento de sua demanda em relação à oferta, ou reduzindo sua oferta, em relação à demanda

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Mas a grande reversão ainda está moderada: as famílias americanas ainda registravam um déficit financeiro de 2,3% do PIB no segundo trimestre de 2007. Além disso, a taxa de poupança das famílias continuam muito baixas, em 2,5% do PIB no segundo trimestre de 2007. São prováveis correções adicionais no déficit financeiro e na taxa de poupança. 

 

 

Assim, o que poderia contrabalançar tal desaquecimento nos gastos das famílias? Normalmente, as empresas não investem mais quando a economia está desaquecida, mesmo que sua posição financeira seja saudável. É provável um déficit financeiro governamental maior, como resultado do desaquecimento da economia. Mas uma injeção fiscal agressiva é improvável. Assim, o que sobra são as exportações líquidas. 

 

 

Como ressaltam Wynne Godley, da Universidade Cambridge, e seus co-autores, uma melhoria sustentada no volume líquido de comércio americano compensará pelo menos uma parte do provável declínio na demanda interna (Wynne Godley and others, The US Economy: Is There a Way Out of the Woods? November 2007, www.levy.org). É por isso que as autoridades americanas, embora declarem-se interessadas em um dólar forte, não estão dizendo o que pensam. Querem, de fato, um dólar recuando, mas não a ponto de o recuo transformar-se em desmoralização. 

 

 

As exportações líquidas já contribuíram com 25% do crescimento americano entre os primeiros três trimestres de 2006 e os primeiros três trimestres de 2007. Sem elas, o crescimento teria sido de apenas 1,5%, em lugar de 2%. Mas as exportações são apenas cerca de 12% do PIB. Elas precisam crescer consideravelmente mais do que 10% ao ano, em termos reais, para que a contribuição das trocas comerciais líquidas para a taxa de crescimento chegue a ser de 1 ponto percentual. Provavelmente será muito menor. 

 

 

Uma visão plausível do futuro, portanto, sugere que os EUA viverão um prolongado período de crescimento lento da demanda privada interna, parcialmente contrabalançado por expansão fiscal e uma melhoria nas exportações líquidas. Além disso, é através do efeito dessas exportações que a política monetária deverá produzir seu principal impacto, pois é improvável que as famílias tomem muito mais dinheiro emprestado enquanto suas moradias vão perdendo valor. 

 

 

Essa é a grande reversão. E o que significa para o restante do mundo? Significa que o resto do mundo deverá ajustar-se, seja mediante um aumento de sua demanda, em relação à oferta potencial, ou reduzindo sua oferta, em relação à demanda. O primeiro desses ajustes alternativos é, indiscutivelmente, o mais desejável. 

 

 

Irá, esse cenário, concretizar-se? A boa notícia é que o acúmulo de reservas em moeda estrangeira e o concomitante desejo de coibir uma valorização da moeda - mantendo os juros baixos -, são, em si mesmos, expansionistas. O "superaquecimento" resultante faz parte da solução, e não do problema. Se esse superaquecimento ficar suficientemente ruim, os governos poderão permitir valorizações ainda mais rápidas de suas moedas: talvez até mesmo os chineses irão, finalmente, dar-se conta do erro de suas práticas cambiais intervencionistas. 

 

 

A grande reversão é um ponto de inflexão para a economia mundial. O resto do mundo - e os mercados emergentes em particular - precisa agora converter-se nos motores da demanda na economia mundial. Mas, fará isso? Essa é a grande incógnita macroeconômica a ser desvendada ao longo dos próximos anos. 

 



Escrito por SALSFI às 08h14
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   USIMINAS

USIMINAS IRÁ DAR BONIFICAÇÃO DE 50%

 

ASSEMBLÉIA DIA 27/11 Às 15hs

 

Aumento de R$ 2.7 bi  e capital irá a R$ 8.1 bi

 

No Conselho haverá votação para substituto do Sr. Kenichi Asaka



Escrito por SALSFI às 10h56
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   USIMINAS

Lucro líquido cresce 25% e atinge R$ 2,2 bilhões nos primeiros 9 meses de 2007

Comportamento do mercado interno traz impacto positivo nos resultados; EBITDA soma R$ 3,8 bilhões e cresce 19% no acumulado do ano

O Sistema Usiminas – maior complexo siderúrgico de aços planos da América Latina e líder no mercado nacional, no qual se destacam a Usiminas e sua principal controlada, a Cosipa – registrou lucro líquido de R$ 758 milhões no 3º. trimestre de 2007, 6% superior ao montante apurado no mesmo período de 2006. No resultado acumulado até setembro, o lucro líquido atingiu R$ 2,2 bilhões, 25% acima do registrado nos nove primeiros  meses do ano passado.
O EBITDA alcançou R$ 1,4 bilhão no 3º. trimestre, 12% superior ao apurado no mesmo período de 2006, e atingiu R$ 3,8 bilhões no acumulado do ano, o que representa um crescimento de 19% em relação ao EBITDA apurado até setembro de 2006.

Já a receita líquida totalizou R$ 3,6 bilhões neste 3º trimestre, com crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2006. Nos nove primeiros meses do ano, a receita totalizou R$ 10,3 bilhões, com crescimento de 13% se comparado ao mesmo período de 2006.




Escrito por SALSFI às 10h48
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CELULOSE E PAPEL

 

Norke Skog toca expansão no Brasil e vive crise de rentabilidade na Europa

Marli Lima, de Jaguariaíva - 16/11/2007

 

Pode até parecer contraditório. A fabricante norueguesa Norske Skog, uma das maiores produtoras de papel para imprensa do mundo, decidiu reduzir a produção em 200 mil toneladas em 2008 na Europa, em função de redução no consumo. O volume é o mesmo que a empresa planeja acrescentar à produção brasileira a partir de abril de 2009, após investimentos de US$ 210 milhões na implantação de uma segunda máquina, que já operou na Noruega e está sendo transferida para Jaguariaíva, no Paraná.

 

A Norske vive diferentes situações. Na sede da companhia, a direção preocupa-se com os números do balanço do terceiro trimestre, com queda de 8% nas receitas e de 35% no resultado da atividade em comparação com igual período de 2006. Tal desempenho reforçou rumores de que poderia ser alvo de aquisição ou fusão com a concorrente sueco-finlandesa Stora Enso (que recentemente também anunciou fechamento de fábricas para reduzir custos) ou pela finlandesa UPM.

De acordo com informações internas, "são só especulações", mas os executivos admitem que é preciso fazer algo para melhorar os resultados. "Passado mais um trimestre desapontador, a necessidade de uma ampla reestruturação se torna mais evidente", disse o principal executivo (CEO) Christian Rynning-Tonnesen, em comunicado sobre o desempenho do período. Nele a companhia informa a preocupação com os rumos do mercado de papel para jornais e revistas e a necessidade de "adaptar-se à queda na demanda na América do Norte e em partes da Europa para alcançar um retorno satisfatório".

O cenário para o mercado brasileiro parece diferente. Na subsidiária brasileira o clima é de otimismo em função do avanço nas obras de ampliação. O consumo aparente de papel para imprensa no país tem crescido nos últimos quatro anos, segundo dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). Passou de 499 mil toneladas em 2005 para 545 mil toneladas em 2006. Desse total, 410 mil toneladas foram importadas e 135 mil produzidas internamente. É esse quadro que a Norske quer inverter.

Única fabricante de papel jornal do Brasil (desde que a Klabin desativou sua unidade, em 2003), a companhia norueguesa desembarcou por aqui no final de 2000, ao adquirir a Pisa, inaugurada pelo grupo editorial "O Estado de S. Paulo" em 1984. Sua capacidade de produção é de 185 mil toneladas por ano, ou um terço da demanda nacional, e ela também faz importações do Chile e da Europa. Com a ampliação, poderá mais que dobrar o volume e atender 70% do mercado.

 

Cerca de 400 pessoas já estão trabalhando no projeto, a maioria na parte civil, mas a empresa enviou profissionais que trabalharam na implantação de outras unidades no exterior (a maioria coreanos) e confiou a missão ao canadense Alain Croisetiere, que montou uma unidade na China, inaugurada no ano passado, e hoje é o diretor do projeto de expansão no Brasil.

Croisetiere acreditava que na China faria seu último projeto, mas aceitou o desafio de vir para cá. Ele diz que ainda não está pensando no que fará depois, mas não acredita em novos investimentos em ampliação de capacidade no Brasil, para não desequilibrar o mercado. Nos anos 80 o projeto da Pisa previa quatro máquinas, uma a cada quatro anos. A segunda só está sendo montada agora, com 20 anos de atraso, e as outras podem ficar apenas no papel. Na opinião do executivo, nos próximos anos não deve haver projetos que resultem em aumento de oferta de papel para imprensa, e a tendência é de deslocamento de fábricas, uma opção mais barata - para o Brasil foi previsto inicialmente investimento de US$ 500 milhões numa nova máquina, e o custo ficará em menos da metade.

"Não construir máquinas é determinação do mercado, que está maduro e tem baixa rentabilidade", afirmou o vice-presidente de relações externas da Norske Skog Pisa, Afonso Noronha. Ele contou que cerca de 500 contêineres trarão a máquina usada, que será reformada pela Voith Paper. Também será construída uma nova linha de TMP (pasta termo-mecânica), usada na produção do papel, que custará US$ 60 milhões, do total de US$ 210 milhões previsto.

Noronha explicou que a Norske não podia adiar por mais tempo a ampliação da capacidade. Quando comprou a Pisa, a empresa vendeu 60 mil hectares de florestas para a Vale do Corisco e fez contrato de fornecimento de 50 anos para 80% da madeira necessária para a produção de seu papel. Esse contrato previa a entrada em operação da segunda máquina até janeiro de 2010. "Ou fazíamos agora ou teríamos dificuldade para conseguir madeira", disse. A empresa voltou a comprar áreas e plantar e hoje tem 16 mil hectares de florestas próprias, mas que ainda não estão prontas para o corte.

Mais do que madeira, a empresa precisava também de energia para iniciar o projeto. Segundo o executivo, a energia representa 40% do custo de produção e madeira, 25%. Atualmente a empresa recebe energia produzida pela Copel, estatal paranaense que não teria como atender a nova máquina. "Chegamos a ir ao governo federal para dizer que não tínhamos energia", lembrou. De acordo com ele, o problema foi resolvido por meio de contratos feitos com empresas de São Paulo e do Rio Grande do Sul. A auto-geração está entre os planos do futuro. A Norske é a segunda maior consumidora individual de energia do Paraná, atrás da Petrobras.

Embora o projeto de expansão da unidade brasileira seja o maior em andamento na empresa, Noronha afirma que enfrenta três problemas no país. Observa que o custo da energia triplicou em cinco anos. O câmbio também prejudica a rentabilidade, mas a maior reclamação está na impossibilidade de transferir créditos acumulados de ICMS, porque o papel de imprensa é imune. "Temos direito a esse crédito, mas não temos como usá-lo; há um erro tributário." Por conta disso, ele adiantou que o resultado de 2007 ainda deverá ser positivo, mas disse ter dúvidas sobre 2008.

A Norske tem 18 fábricas em 14 países e cerca de 8 mil empregados. No Brasil são 300, e outras 110 vagas serão abertas com a ampliação. Os empregos indiretos podem chegar a 15 mil, sendo cinco mil em Jaguariaíva, município de 37 mil habitantes que, por ter solo pobre, foi cercado por áreas de reflorestamento.

A expectativa é de que a cidade fortaleça sua vocação no segmento, com a expansão de indústrias da área moveleira, de molduras para construção civil e transporte de madeira. Para a fabricação de celulose só é usada a parte de cima da árvore, mais fina, e as partes do meio e de baixo podem ser destinadas a outros fins, como serraria e laminação.

 

Atualmente, a Norske Skog Pisa é a segunda geradora de ICMS de Jaguariaíva e, com a ampliação, pode ocupar a primeira posição. "Temos problemas de qualificação e precisamos treinar as pessoas para as oportunidades que surgirão", afirma o diretor de planejamento da prefeitura, João Carlos Leite.

Ele contou que a família Matarazzo construiu a primeira indústria do município, e ela foi modernizada com a chegada da Pisa. Agora, a empresa está dando novo impulso. "Estou reformulando o orçamento do ano que vem em função do ISS que será gerado em 2008 por conta da obra em andamento. Vamos melhorar nossa infra-estrutura", assegurou.

A repórter viajou a convite da Norske Pisa

Escrito por SALSFI às 10h40
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