SALSIFI INVESTMENTS
   Aumento da conta de luz

Tarifas da Cemig e CPFL sobem mais de 16%

Por Claudia Facchini | De São Paulo

Os aportes adicionais do Tesouro na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), de onde vem os recursos para cobrir as despesas com as usinas térmicas, vão reduzir consideravelmente o aumento previsto para este ano nas tarifas das distribuidoras. Com os novos subsídios, anunciados ontem, o reajuste médio na conta de luz dos brasileiros deve ficar em torno de 14,45% em 2014, afirma Paulo Steele, da TR Soluções, consultoria especializada em calcular os custos da energia elétrica.

Inicialmente, as tarifas das distribuidoras iriam subir em média 19,62% neste ano, mesmo com todos os esforços do governo para postegar ao máximo os reajustes, adiando os repasses para 2015, diz o consultor.

 

Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um aumento de 16,33% nas tarifas da Cemig neste ano, que atende 805 cidades em Minas Gerais. A agência reguladora também elevou em 17,05% as tarifas cobradas pela CPFL Paulista, que fornece energia para 234 municípios no interior de São Paulo. Os reajustes das duas distribuidoras entram hoje em vigor.

O aumento foi bem menor que o previsto pela estatal mineira, que projetava um reajuste perto de 30%. Segundo o gerente de tarifas da Cemig, Ronalde Xavier Moreira Júnior, só a mudança na CDE evitou um aumento de seis pontos percentuais na conta de luz dos clientes atendidos pela companhia.

Inicialmente, uma parte dos recursos que abastecem a CDE teria de vir dos consumidores, afirma Steele. Cerca de R$ 5,6 bilhões seriam cobrados na conta de luz ainda neste ano, conforme os planos iniciais do governo. Ontem, no entanto, em uma reunião extraordinária da diretoria, a Aneel diminuiu essa quantia para R$ 1,7 bilhão, evitando assim um aumento de pelo menos três pontos percentuais nas tarifas neste ano, diz o consultor.

Antes das mudanças, a Cemig teria de repassar para as suas tarifas R$ 648 milhões de despesas com a CDE. "Mas esse valor foi rebaixado para R$ 194 milhões", diz Moreira Júnior.

Além do menor custos com a CDE, a Aneel utilizou projeções mais "conservadoras" para o comportamento dos preços no mercado de curto prazo (Preço de Liquidação das Diferenças - PLD) neste ano. Isso também explica, em parte, a grande diferença entre os 30% de reajuste previstos pela empresa e os 16,33% concedidos pela agência reguladora neste ano. Segundo Moreira Júnior, a Cemig prevê que os preços vão continuar nos próximos meses perto do teto de R$ 822 por MWh. Mas a Aneel levou em consideração um preço mais baixo, de R$ 630 por MWh, explicou o executivo da Cemig.

A empresa, segundo ele, utiliza os modelos do Operador Nacional do Sistema (ONS) para fazer suas projeções. Se os preços forem maiores de fato, a diferença vai entrar no reajuste nas tarifas das distribuidoras no ano que vem.

O aumento nas transferências do Tesouro para a CDE foi aprovado ontem em cima da hora, apenas um pouco antes da definição, pela Aneel, do reajuste das Cemig e da CPFL. As novas tarifas das duas companhias vão servir de parâmetro para as demais distribuidoras, cujas tarifas serão reajustadas ao longo do ano.

A Aneel aprovou ontem também o índice final da terceira revisão tarifária da Ampla Energia, que atende 66 cidades do Rio de Janeiro. Os consumidores residenciais da distribuidora terão uma redução de 0,74% na conta de luz. Os clientes de média e alta tensão terão um aumento de 0,48% e 8,11% respectivamente. As distribuidoras passam por revisões tarifárias a cada quatro anos. O objetivo é transferir ganhos de eficiência para os consumidores finais.

Em 2015, afirma Steele, a Aneel dará início ao quarto ciclo de revisão tarifária, processo que não poderia vir em melhor hora para o governo federal. A expectativa é que as revisões amenizem os reajustes nas contas de luz, que tendem a desacelerar para 10,07% no ano que vem, mesmo com os repasses nas contas de luz, diz Steele. Esse cenário, porém, leva em consideração uma normalização do clima. Se não chover novamente, o quadro será diferente.




Escrito por SALSFI às 06h32
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   Preço da Energia dispara

 

Impacto das Térmicas

 

O religamento das termelétricas também impactou diretamente o PDL recorde. Tais usinas garantem, hoje, a oferta de energia no país, uma vez que o Brasil tem dificuldades em aumentar sua capacidade de armazenamento nas hidrelétricas. Contudo, o custeio das térmicas requer gastos altíssimos — especialmente para as que funcionam à base de óleo diesel. “O mercado já está incorporando no PDL o uso das termelétricas mais caras”, afirmou Rego, da Excelência Energética.


Durante todo o ano passado, a geração de energia por usinas térmicas foi 75% maior que em 2012. O custo do acionamento ficou em aproximadamente 9 bilhões de reais. Com as distribuidoras em dificuldades financeiras para arcar com esse rombo – elas só repassam uma vez no ano o aumento de custos ao consumidor – o Tesouro Nacional atuou como 'caixa forte' da conta de luz e cobriu o montante com dinheiro público injetado na Conta de Desenvolvimento Energética (CDE).

Tal valor não foi dado às empresas, mas financiado. Isso significa que em 2018 o contrato vencerá e as distribuidoras terão de repassar integralmente ao consumidor seus gastos com as térmicas. Assim, na melhor das hipóteses, o desconto imposto pela presidente Dilma Rousseff será retirado aos poucos nos anos que virão. Na pior, será retirado de uma só vez, penalizando ainda mais o consumidor e impactando a inflação.



Escrito por SALSFI às 17h38
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   Preço de energia dispara

FALTA DE PLANEJAMENTO do SETOR ELÉTRICO

Essa elevação inédita significa que o mercado está apostando em um quadro nada otimista para o setor elétrico em 2014 — que beira a calamidade, mesmo com os reservatórios de água das usinas hidrelétricas acima dos níveis registrados em janeiro do ano passado. O cálculo do PLD é feito com base em projeções que levam em conta o cenário atual de abastecimento. Tal alta reflete, segundo especialistas ouvidos pelo site de VEJA, fatores climáticos, o aumento da demanda e a falta de planejamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Com as altas temperaturas registradas em dezembro e janeiro, é natural que se gaste mais energia com refrigeradores, ventiladores e aparelhos de ar condicionado — o que impacta diretamente a demanda. Ao mesmo tempo, os reservatórios são penalizados devido à rápida evaporação da água e falta de chuvas. Além disso, as perspectivas climáticas para 2014 não são animadoras – previsões usadas no cálculo da PLD apostam em menos precipitações em relação a anos anteriores. Assim, as usinas terão dificuldades em conseguir preencher o déficit em seus reservatórios e, talvez, nem mesmo compensar os gastos do ano, no cenário mais pessimista. Hoje, o reservatório do Sudeste/Centro Oeste usa 40,57% de sua capacidade de armazenamento, contra 37,46% em janeiro de 2013.

Leia mais: 
Preço da energia de curto prazo atingirá recorde na próxima semana  
Residências impulsionam consumo de energia no Brasil em novembro 

Falta de planejamento - Problemas no planejamento energético do governo também tiveram papel crucial na subida dos preços — e podem fazer com que os consumidores paguem mais caro pela energia em 2015. Ocorre que as distribuidoras vêm tendo de comprar mais energia no mercado livre, justamente onde os valores estão batendo recordes. Tais empresas são abastecidas, geralmente, por leilões públicos de energia organizados pela EPE. Contudo, nas últimas licitações, a estatal fixou preços muito abaixo dos padrões de mercado, o que fez com que muitas geradoras optassem por não comercializar seus megawatts/hora, impactando a oferta energética. “Há um problema muito sério de planejamento e forma como o modelo (do sistema elétrico) está programado”, disse Mariana Amim, diretora jurídica da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace).

As distribuidoras são impedidas de negociar livremente com as geradoras, mas, se os pleitos organizados pelo governo não forem suficientes para preencher sua demanda, elas são obrigadas a compensar seu déficit comprando energia no mercado livre e pagando o preço do PDL. Erik Rego, diretor da consultoria Excelência Energética, disse ao site de VEJA que as distribuidoras precisaram contratar 7,5% de toda sua energia ofertada neste mercado neste início de ano, o equivalente a 3,5 mil MWh. Isso significa um impacto aproximado de 1 bilhão de reais em seu caixa, levando em consideração um preço médio de 393 reais/MWh em janeiro. “Elas (distribuidoras) terão de pagar até a segunda semana de fevereiro essa conta. E se o PDL se mantiver em seu preço máximo (822 reais/MWh), essa conta pode passar de 2 bilhões de reais no pagamento de março”, afirma.



Escrito por SALSFI às 17h31
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   Preço da Energia dispara

 

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Governo federal busca saída para caixa da Eletrobras  
Aneel publica aviso do leilão das linhas de Belo Monte

Ao invés de deficitárias, as distribuidoras devem acumular sobras de 3% a 5% de oferta de energia para conseguirem sustentabilidade econômica. Mas, com os últimos leilões frustrados, a conta não fechou e é possível que elas continuem precisando de ajuda do Tesouro para arcar com suas contas. Este cenário piora ao se constatar que 2014 indica dificuldade fiscal e necessidade de corte de gastos. “O Tesouro precisará cobrir o custo das térmicas ligadas e o preço alto no mercado livre. Dificilmente vai repassar para o consumidor porque é ano eleitoral. Mas, depois das eleições, um aumento da conta de luz será inevitável”, comentou Adriano Pires, consultor de energia e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE). “Tudo isto está acontecendo por um erro de política do governo, que resolveu que tinha de baixar o preço (da energia) e que controlava a lei da oferta e da demanda do setor”, acrescentou. Para ele, o governo "quebrou" a Eletrobras — empresa mais prejudicada pela promessa de desconto da conta de luz.

Impacto das térmicas - O religamento das termelétricas também impactou diretamente o PDL recorde. Tais usinas garantem, hoje, a oferta de energia no país, uma vez que o Brasil tem dificuldades em aumentar sua capacidade de armazenamento nas hidrelétricas. Contudo, o custeio das térmicas requer gastos altíssimos — especialmente para as que funcionam à base de óleo diesel. “O mercado já está incorporando no PDL o uso das termelétricas mais caras”, afirmou Rego, da Excelência Energética.

Durante todo o ano passado, a geração de energia por usinas térmicas foi 75% maior que em 2012. O custo do acionamento ficou em aproximadamente 9 bilhões de reais. Com as distribuidoras em dificuldades financeiras para arcar com esse rombo – elas só repassam uma vez no ano o aumento de custos ao consumidor – o Tesouro Nacional atuou como 'caixa forte' da conta de luz e cobriu o montante com dinheiro público injetado na Conta de Desenvolvimento Energética (CDE). Tal valor não foi dado às empresas, mas financiado. Isso significa que em 2018 o contrato vencerá e as distribuidoras terão de repassar integralmente ao consumidor seus gastos com as térmicas. Assim, na melhor das hipóteses, o desconto imposto pela presidente Dilma Rousseff será retirado aos poucos nos anos que virão. Na pior, será retirado de uma só vez, penalizando ainda mais o consumidor e impactando a inflação



Escrito por SALSFI às 17h28
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   Preço de Energia dispara

Nem na época do racionamento em 2011 a energia no mercado livre estava tão cara



Escrito por SALSFI às 17h27
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Setor elétrico

Governo federal busca saída para caixa da Eletrobras

Opções na mesa são o empréstimo de R$ 2,6 bilhões da Caixa Econômica, que havia sido cancelado ano passado, e a venda das distribuidoras de energia

Eletrobras poderá vender distribuidoras à iniciativa privada

Eletrobras poderá vender distribuidoras à iniciativa privada (Adriano Machado/Bloomberg)

O governo federal pretende solucionar a situação financeira da Eletrobras no primeiro trimestre. A estratégia da equipe econômica e da direção da estatal envolve a retomada de um empréstimo de 2,6 bilhões de reais da Caixa à estatal, que será usado para sanar dívidas com o fundo setorial Reserva Global de Reversão (RGR). Outra medida em estudo é uma solução para as distribuidoras de energia ligadas ao grupo, que podem ser vendidas.

Afetada pela perda de receita com a renovação das concessões de geração e transmissão de energia em 2012, no âmbito da redução da conta de luz, a Eletrobras foi uma das empresas que mais perderam valor de mercado nos últimos meses. Recuperar parte dessa perda é um dos objetivos do governo, já que ela é responsável por boa parte dos investimentos do setor no país.

Aprovado pelos conselhos de administração da Eletrobras e da Caixa Econômica Federal no fim do ano passado, o financiamento de 2,6 bilhões de reais foi suspenso pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em dezembro depois que a operação foi avaliada pelo mercado como outra manobra na área fiscal.

No fim do ano passado, o presidente do Conselho de Administração da Eletrobras, Márcio Zimmermann, também secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, disse que o financiamento poderia ocorrer em 2014. Segundo ele, as condições da operação são vantajosas para a companhia.

Leia mais: Empréstimo da Caixa para Eletrobras pode sair em 2014​
Eletrobras contrai dívida bilionária para pagar dividendos à União  

O primeiro passo para a retomada do empréstimo foi dado nesta terça-feira. Em despacho publicado no Diário Oficial da União, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cobrou da Eletrobras o ressarcimento, nos próximos 30 dias, de uma dívida de aproximadamente 2 bilhões de reais com a RGR, acumulada entre 1998 e 2011. "A fiscalização da Aneel detectou uma diferença entre os valores financiados aos agentes do setor elétrico e devolvidos à Eletrobras e que não foram repassados à conta da RGR", explicou o órgão regulador.

A operação é vantajosa ao governo. A RGR é um dos pilares que sustentam uma das principais medidas do governo Dilma, a redução da conta de luz. Sem recursos desde maio do ano passado, o fundo tem sido abastecido pelo Tesouro Nacional, que vende papéis no mercado para levantar o dinheiro. Com o empréstimo, o volume de títulos poderia ser reduzido neste ano.

Da parte da Caixa, não haveria nenhuma dificuldade em liberar o empréstimo: não haverá entraves para o desembolso, desde que sejam preservadas as condições já aprovadas. Segundo uma fonte a par das negociações, "até o momento", o banco estatal não recebeu pedido da Eletrobras ou do Tesouro para retomar a operação. A Eletrobras não comentou o assunto.

Leia ainda: Tesouro emite R$ 1,5 bilhão em títulos para custear desconto na conta de luz  
Lobão diz que nova regra de tarifa de conta de luz foi adiada a pedido da Aneel

Distribuidoras - No governo, a visão consensual é de que a estatal deveria concentrar sua atuação em geração e transmissão de energia e reduzir sua atuação na área de distribuição, que são as empresas que vendem energia diretamente ao consumidor.

No caso da Eletrobras, essas unidades acumulam prejuízos e contam com graves problemas de gestão e pioram o balanço geral da empresa. Deveriam, por isso, ser vendidas, segundo integrantes do governo. Mas há dúvidas se há interesse do mercado nessas empresas. Por isso, outro caminho avaliado é encontrar um sócio privado e deixar o controle das empresas.


Na visão do governo, se o balanço da Eletrobras for divulgado sob a égide do plano de privatização das distribuidoras, aliado ao empréstimo com a Caixa, a reação do mercado poderá ser positiva. Questionada sobre isso, a estatal informou que a situação das distribuidoras está em análise e que nenhuma possibilidade pode ser descartada no momento.



Escrito por SALSFI às 17h21
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   Editorial de Valor 14/10/13

Alívio a Estados e municípios representa grave risco fiscal

Década sim, década não, o Tesouro Nacional era chamado a socorrer Estados e municípios atolados em dívidas. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de maio de 2000, foi um avanço institucional importante e pretendeu colocar um fim a esse ciclo danoso. O problema é que surgiu uma ameaça no horizonte. O projeto de lei complementar que muda o indexador da dívida renegociada dos governos subnacionais e os seguidos afrouxamentos de seus limites para a contratação de operações de crédito fragilizam a LRF e abrem flancos que podem levar o contribuinte a ter que pagar, novamente, a conta dos excessos cometidos pelos governos regionais.

Com a concordância do Executivo, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei complementar número 238/2013, que muda o indexador da dívida de Estados e municípios renegociada depois de 1997. No plenário, a proposta receberá uma emenda substitutiva global que autoriza o recálculo das dívidas, com juros menores, de forma retroativa à assinatura dos contratos.

A federalização dessas dívidas foi a forma encontrada para superar a grave crise fiscal que afetava os entes subnacionais na década de 1990. De forma geral, Estados e municípios estavam insolventes, resultado de gastos fora de controle e emissão de dívidas acima da capacidade de pagamento. Naquela época, permitia-se que os bancos públicos estaduais financiassem os governos, operando, na prática, como verdadeiras máquinas de imprimir dinheiro. Os desequilíbrios foram agravados pelas altas taxas de juros vigentes nos anos seguintes ao lançamento do Plano Real e foram expostos com o fim da hiperinflação.

O Tesouro tornou-se, então, credor de Estados e municípios, com condições financeiras de pai para filho: juros equivalentes à inflação medida pelo IGP-DI mais uma taxa de 6% a 9% ao ano, bem abaixo da taxa Selic então vigente, que chegou a 45% ao ano. Para evitar a repetição dos desequilíbrios, que no governo Sarney já havia ensejado outra renegociação, o Tesouro exigiu que Estados e municípios se comprometessem a realizar programas de ajuste fiscal. E, para suprimir o "risco moral" que refinanciamentos dessa natureza criam, a Lei de Responsabilidade Fiscal vedou, em seu artigo 35, novas repactuações.

Em entrevista na sexta-feira ao Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sustentou que a mudança do indexador não fere a LRF. Segundo ele, os contratos já previam que, em caso de atraso nos pagamentos, as parcelas fossem corrigidas pela taxa Selic.

A despeito das negativas, o que o projeto 238 faz é repactuar a dívida, corrigindo-a retroativamente pela Selic, em vez do reajuste pelo IGP-DI, acrescido de juros entre 6% a 9% ao ano. O projeto determina que, daqui em diante, a correção seja feita por IPCA mais 4% ao ano.

A mudança representa um alívio nas condições das dívidas não previstas no contrato original. E dissemina suspeitas de casuísmo, pois favorece sobretudo o município de São Paulo, governado pelo petista Fernando Haddad, que verá a dívida encolher R$ 24 bilhões e terá mais espaço para tomar novos empréstimos para bancar investimentos. Todo o conjunto dos Estados, somado, terá alívio de U$ 1 bilhão.

As novas condições oferecidas a Haddad se juntam a um movimento de alívio fiscal já posto em prática pelo governo federal. O Ministério da Fazenda autorizou Estados e municípios a contratarem R$ 89 bilhões em novas dívidas. O ministro Mantega disse ao Valor PRO que essas autorizações foram concedidas até o ano passado e que, neste ano, nenhum novo pleito foi aceito. Embora seja reconfortante a indicação de que a liberalidade na aplicação dos limites de endividamento acabou, as autorizações feitas até agora têm uma dimensão razoável. Seria menos preocupante se Estados e municípios estivessem tomando empréstimos de agentes privados, ficando sujeitos, portanto, à disciplina do mercado. Mas o crédito é concedido sobretudo por bancos federais.

Hoje, Estados e municípios comprometem entre 11% e 13% de sua receita corrente líquida com pagamentos da dívida refinanciada. Com os novos compromissos assumidos, muitos dos quais com prazos de carência generosos, não será surpresa se os prefeitos e governadores eleitos no futuro baterem à porta do Tesouro para refinanciar, uma vez mais, dívidas impagáveis.



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Escrito por SALSFI às 06h27
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   Artigos de Valor

Mercados tomam providências para enfrentar calote

Por Katy Burne, Andrew Ackerman e Ryan Tracy | The Wall Street Journal

O impasse sobre o teto da dívida do governo dos EUA jogou na incerteza grandes setores dos mercados, enfatizando as vulnerabilidades do sistema financeiro e o contínuo papel do governo nele, cinco anos após a crise de 2008.

Numa visão superficial, os investidores parecem não dar importância ao mais recente confronto político em Washington, semelhante a outro quase encontro com a calamidade, em 2011. Na quinta, a Média Industrial Dow Jones registrou seu maior aumento do ano. Em seguida, na sexta, subiu 111,04 pontos, para 15.237,11.

Em outros mercados, porém, os participantes vêm se preparando para uma possível moratória do governo, mesmo altamente improvável, como é consenso, enquanto reclamam que foram deixados no escuro. Alguns executivos do setor financeiro e bancário dizem que as implicações e as reações do mercado a uma moratória do governo americano são demasiado vastas e dinâmicas para serem compreendidas.

Ontem, Charles Schumer, senador democrata por Nova York, disse que os líderes do Senado que estão negociando para evitar uma crise na dívida pública e reabrir o governo federal têm grandes diferenças a superar, mas afirmou que está "cautelosamente esperançoso" quanto à possibilidade de ainda se fechar um acordo.

Schumer disse que o líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, e o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, se reuniram no sábado e falaram sobre formas para acabar com o impasse sobre os gastos públicos. Segundo Schumer, esses dois políticos estavam "muito mais próximos, digamos, do que os republicanos da Câmara e o presidente".

Embora o mais recente impasse possa ser resolvido em breve com um acerto de curto prazo, a ameaça de uma moratória pode emergir mais uma vez antes do fim do ano.

A repetição das recentes táticas de só ceder no último minuto pode desestabilizar os mercados se uma brecha legal para autorizar os empréstimos se tornar novamente possível no fim do ano. Autoridades do governo e observadores do mercado temem que essa incerteza possa ter um efeito prolongado sobre os mercados financeiros.

"O impasse em Washington pode muito bem criar uma enorme volatilidade em mercados financeiros importantes, algo que pode facilmente sair do controle", disse Jim Millstein, que supervisionou a reestruturação do American International Group junto ao Departamento do Tesouro e agora administra a firma de reestruturação e consultoria Millstein.

Alguns investidores têm esperança de que uma possível válvula de escape esteja no Federal Reserve, o banco central americano.

Os bancos vêm pressionando o Fed e o Tesouro para informarem se o BC aceitaria títulos do Tesouro vencidos e não pagos como garantia para empréstimos de emergência no caso de uma crise de liquidez, mas disseram que não receberam respostas claras.

Representantes do Fed e do Tesouro não quiseram comentar. Mas o presidente do Fed, Ben Bernanke, já procurou ressaltar que a instituição não está planejando nenhuma grande operação de resgate para os mercados financeiros. Ele tem dito várias vezes que o BC não está em situação de amenizar os choques ao sistema financeiro ou à economia.

Numa coletiva de imprensa em 18 de setembro, ele reforçou a mensagem, alertando que o Congresso e o governo do presidente Barack Obama devem tentar evitar "qualquer tipo de evento como o de 2011", quando os legisladores enfrentaram a possibilidade de uma moratória do governo americano. "Nossa capacidade de contrabalançar esses choques é muito limitada, em particular a de um choque relativo ao limite do endividamento", disse Bernanke.

Muitos empresários ressaltaram que não creem que o pior venha a acontecer. "Uma moratória da dívida não pode acontecer", disse James Dimon, presidente do conselho e diretor-presidente do banco J. P. Morgan Chase, em teleconferência com repórteres na sexta-feira.

Executivos do T. Rowe Price Group estão planejando "acumular caixa e ficar numa posição líquida", disse Joe Lynagh, que supervisiona os fundos de mercado monetário da financeira, que administra US$ 614 bilhões.

Grandes participantes de fundos monetários, como Fidelity Investments, BlackRock, Charles Schwab e Bank of America, informaram ter vendido papéis de dívida dos EUA de curto prazo ou evitado comprar dívidas com vencimento no fim deste mês ou início de novembro. Os bancos venderam mais de 64% das suas notas do Tesouro no período de duas semanas terminado em 2 de outubro, segundo dados da regional de Nova York do Federal Reserve.

Michael Macchiaroli, diretor-associado da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, a SEC, vem pedindo a grandes operadores de títulos detalhes sobre o que estão fazendo para se preparar para uma possível moratória do governo. Ele vem perguntando sobre os valores de certas notas do Tesouro que os operadores possuem e como eles estão se financiando, disse uma pessoa a par do assunto.

Um porta-voz da SEC disse que a agência está "entrando em contato com as empresas, como sempre fazemos nessas situações, para garantir que elas estejam considerando e administrando adequadamente os riscos das suas posições". O porta-voz disse que a equipe da SEC também está monitorando a situação dos fundos do mercado monetário e respondendo a perguntas do setor.

No Japão, as autoridades vêm examinando a exposição dos bancos aos títulos do governo americano e sua capacidade de comprar dólares. O Banco do Japão também vem entrando em contato com as instituições financeiras para verificar a capacidade delas de resistir a possíveis choques, segundo pessoas a par do assunto.

No fim de setembro, alguns dos principais participantes de Wall Street do mercado de títulos do Tesouro americano, de US$ 11,6 trilhões, juntamente com autoridades do Fed, se reuniram para discutir o plano de emergência do setor para o caso de uma crise da dívida, segundo a ata da reunião.

Embora o grupo, conhecido como Treasury Market Practices Group (Grupo de Práticas do Mercado de Notas do Tesouro), tenha apresentado alguns planos operacionais após o episódio de limite da dívida de 2011, reconheceu que "essas ações de contingência, caso implementadas, iriam apenas atenuar, não eliminar, as dificuldades operacionais esperadas no caso de atraso nos pagamentos da dívida do Tesouro". (Colaborou Carolyn Cui)



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Escrito por SALSFI às 06h24
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Boom do xisto pode ter vida curta

Por Asjylyn Loder | Bloomberg Businessweek

O poço Serenity 1-3H, da Chesapeake Energy, perto de Oklahoma City, jorrou petróleo em 2009, produzindo mais de 1,2 mil barris por dia e dando início a uma corrida de perfuração de poços que se estendeu até o Kansas. Agora, o poço fornece menos de 100 barris por dia, segundo registros do Estado. O rápido declínio do Serenity lança luz sobre um segredo muito bem ocultado sobre o boom do petróleo: ele pode não durar.

Os poços de xisto começam a pleno vapor, mas declinam rapidamente, e os produtores estão abrindo novos poços a um ritmo alucinante para manter a produção estável. Nos campos, a necessidade incessante de perfurar é referida como Rainha Vermelha, nome do personagem em "Alice no País dos Espelhos" que diz a Alice: "Você precisa correr o máximo que for capaz, para ficar no mesmo lugar".

Os EUA estão extraindo 7,8 milhões de barris de petróleo por dia, mais do que produziram nos últimos 25 anos. O petróleo bruto tirado de formações de xisto reduziu a dependência em relação às importações e, desde 1989, este é o momento em que o país está mais perto da autossuficiência energética.

O debate está centrado em se a produção é sustentável. David Hughes, um geocientista e presidente da Global Sustainability Research, analisou o ciclo de vida dos poços de xisto. "A síndrome da Rainha Vermelha está cada vez mais aguda", diz ele. "Quanto maior a produção, mais poços são necessários para compensar o declínio."

A Energy Information Administration dos EUA estima que cerca de 29% da produção de petróleo americana hoje vêm das chamadas "formações densas de petróleo". Essas densas camadas de rocha e xisto são rompidas por jateamento de água, areia e produtos químicos a grandes profundidades, criando fissuras que permitem ao óleo fluir em tubos horizontais, alguns deles com centenas de metros de comprimento.

A produção de poços perfurados nessas formações diminui de 60% a 70% no primeiro ano, diz Allen Gilmer, presidente e executivo-chefe da Drillinginfo, que acompanha o desempenho dos poços nos EUA. A produção nos poços tradicionais leva dois anos para minguar para entre 50% e 55%, e o bombeamento pode ser mantido por 20 ou mais anos.

No campo de xisto Bakken, em Dakota do Norte, de um poço conhecido como Robert Heuer 1-17R foram extraídos 2.358 barris em maio de 2004, quando passou a operar. A produção provou que seria lucrativo abrir poços no campo de Bakken e assim começou uma corrida ao petróleo em Dakota do Norte. A Continental Resources, operadora do poço construiu um monumento para ele. A produção caiu 69% no primeiro ano.

"Eu vejo o xisto mais como uma festa de despedida do que uma revolução", diz Art Berman, geólogo petrolífero que passou 20 anos na empresa que então era chamada Amoco e hoje tem o seu próprio empreendimento, Labyrinth Consulting Services, em Sugar Land, Texas. "É o último suspiro."

Muitos discordam. Aubrey McClendon, fundador e ex-presidente e CEO da Chesapeake, qualifica Berman de "geólogo de terceira classe". Harold Hamm, presidente e CEO da Continental, estimou em 2010 que havia 24 bilhões de barris de petróleo recuperável em Bakken e em outras formações no subsolo da bacia do Williston.

Hamm diz que uma tecnologia aperfeiçoada poderá, no futuro, aumentar esse número para 45 bilhões: "Estamos apenas começando", diz ele. Desde quando a Continental perfurou o poço Robert Heuer, a produção de petróleo em Dakota do Norte cresceu mais de dez vezes, para 874 mil barris por dia, superando o Equador e o Qatar, os dois membros de menor porte na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Hughes, da Global Sustainability, estima que os EUA precisam perfurar 6.000 novos poços por ano, a um custo de US$ 35 bilhões, para manter a produção atual. Sua pesquisa também mostra que os poços mais novos não são tão produtivos como os abertos nos primeiros anos do crescimento explosivo, um sinal de que as companhias de petróleo já esgotaram os melhores sítios, tornando muito mais difícil continuar quebrando recordes. Hughes previu que a produção atingirá o pico em 2017 e então cairá para níveis de 2012 num prazo de dois anos.

"O entusiamo exagerado quanto à independência energética dos EUA e ao uso do termo 'América Saudita' é ensurdecedor se você ouvir os meios de comunicação", diz Hughes. "Precisamos ter uma discussão mais aprofundada e inteligente sobre isso." No dia 7, Abdalla Salem el-Badri, secretário-geral da Opep, disse em uma conferência no Kuait que os produtores de xisto americanos estão "ficando sem sítios ótimos" e que a produção atingirá seu pico em 2018.

Se a expansão acelerada for seguida de um brusco colapso, isso afetará profundamente a sorte de Estados como Oklahoma, que de 1907 a 1923 foi o maior do produtor de petróleo nos EUA. Sua produção aumentou mais de 80% desde que a Chesapeake abriu o poço Serenity nas proximidades da fronteira com o Kansas, motivada pelo preço do petróleo, em média superior a US$ 85 por barril desde o início de 2009. As brocas estão penetrando o xisto de Woodford, do Mississippi Chat e do Mississippi Lime, camadas de depósitos endurecidos deixadas por um mar raso que cobria Oklahoma 350 milhões de anos atrás.

Steve Slawson, vice-presidente da Slawson Exploration, prevê mais alguns anos de crescimento na produção americana, se os preços continuarem altos. Abaixo de US$ 70 o barril, o número de plataformas de extração de petróleo cairá e a produção não ficará muito atrás, diz ele. "Como qualquer outra pessoa com mais de 50 anos e viveu um ciclo de expansão acelerada seguida de colapso brusco, estou preocupado", diz ele.

As empresas que tomaram muito dinheiro emprestado para financiar a perfuração serão particularmente afetadas se os preços caírem. Como o preço do gás natural começou a recuar, a Chesapeake foi obrigada a vender ativos para bancar a perfuração e a cortar postos de trabalho.

Os habitantes de Oklahoma sabem tudo sobre bolhas. Em Osage Nation, equipamentos para bombeamento de petróleo estão abandonados, enferrujando na pradaria que faz parte do campo petrolífero de Burbank. Descoberto em 1920, o campo teve o auge de sua produção em 1923 - uma média diária de 72 mil barris. Nasceu ali uma cidade com milhares de pessoas, inclusive 300 empresas. Os moradores a batizaram de Whizbang (chispa). Hoje, há apenas algumas fazendas e uma placa de trânsito - Whizbang sumiu na grama. (Tradução de Sergio Blum)



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Escrito por SALSFI às 06h19
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Investimentos, o vício chinês

 

Por Yu Yongding

Inesperadamente, a economia chinesa desacelerou no segundo trimestre deste ano. Também inesperadamente, a maioria dos dados divulgados desde julho sugerem que o crescimento da China estabilizou. Não é de surpreender que os mercados já tenham dado um suspiro coletivo de alívio. Mas deveriam os investidores continuar nervosos?

Atualmente, o mais grave problema com que se defrontam as autoridades chinesas é o excesso de capacidade. Por exemplo, a capacidade chinesa de produção anual de aço bruto é de 1 bilhão de toneladas, mas sua produção total em 2012 foi de 720 milhões de toneladas - uma taxa de utilização de capacidade de 72%. Mais notavelmente, a rentabilidade da indústria do aço foi de apenas 0,04 % em 2012. Até agora, neste ano, a rentabilidade média das 500 maiores empresas na China foi de 4,34%, uma queda de 33 pontos base em comparação com 2012.

Alguns dizem que o excesso de capacidade atual é resultado de investimento excessivo no passado na China. Outros atribuem à inexistência de uma demanda efetiva. A opinião do governo parece ser intermediária.

A economia da China é mantida refém pelos investimentos imobiliários. Embora os investimentos em habitação social devam ser bem recebidos, o investimento imobiliário, atualmente em torno de 10% a 13% do PIB, já é elevado demais.

Por um lado, as autoridades ordenaram que milhares de empresas reduzissem sua capacidade. Por outro lado, o governo introduziu medidas de "miniestímulo": da concessão de isenções tributárias sobre as empresas e sobre seu faturamento em benefício de "microempresas" a pressões para que os bancos ampliem o crédito aos exportadores.

A linha oficial das autoridades é que o modelo de crescimento chinês necessita menos investimento e mais consumo. Mas nem todos os economistas chineses concordam. Eles argumentam que capital social é o fator chave para o crescimento, e que o capital social per capita na China ainda é baixo em relação aos países desenvolvidos, o que implica uma margem considerável para mais investimentos.

Certamente, a acumulação de capital é uma força motriz do crescimento econômico, e para aproximar-se dos níveis de renda dos países desenvolvidos, a China precisa aumentar seu capital social no longo prazo. Mas o que está em questão não é a dimensão do capital social, ou até mesmo o nível de investimentos; o problema é a taxa de crescimento do investimento, que há décadas é significativamente maior do que a do PIB.

De acordo com estatísticas oficiais, a taxa de investimento na China está se aproximando de 50% do PIB. Dadas as limitações à absorção de capital, sua eficiência vem caindo em meio ao crescente peso morto.

O capital humano e o progresso tecnológico são tão importantes para o crescimento econômico quanto o capital físico e a mão de obra, se não ainda mais. Se a alocação de recursos privilegiar o capital físico à custa da acumulação de capital humano - para o que é indispensável um consumo adequado - seria mais provável que o crescimento econômico diminuísse, em vez de crescer.

Sem dúvida, não é inteiramente falso que o excesso de capacidade na China reflete um déficit de demanda efetiva.

http://www.valor.com.br/sites/default/files/crop/imagecache/media_library_small_horizontal/4/7/745/487/sites/default/files/gn/13/10/arte10opin-201-col_op3-a15.jpg

De novo, a indústria siderúrgica chinesa fornece um bom exemplo. Apesar da inexistência de vantagens comparativas na fabricação de aço na China, o país construiu cerca de mil usinas, com uma produção equivalente a cerca de metade do total mundial. Em 2004, o governo tentou conter o investimento excessivo, e apesar disso a produção aumentou - de 300 milhões de toneladas naquele ano para um bilhão de toneladas em 2012 - devido à forte demanda gerada pelos investimentos em infraestrutura e construção civil.

O investimento chinês consiste principalmente de três grandes categorias: indústria de transformação, infraestrutura e construção civil. No fim de 2008 e 2009, no auge da crise financeira mundial, os investimentos em infraestrutura fomentados por estímulo econômico sustentaram o crescimento da produção. Em 2010, o investimento em construção civil substituiu o investimento em infraestrutura como principal motor de crescimento.

A China não necessita mais investimento em infraestrutura - principalmente em usinas de eletricidade e estações de tratamento de água, transportes e comunicações. Mas o ritmo do investimento precisa levar plenamente em consideração as limitações financeiras. Mais importante, a China pode e deveria investir mais em infraestrutura social, como escolas, hospitais, retiros para aposentados e assim por diante.

Mas a questão do investimento no setor imobiliário é uma outra história. É difícil avaliar o grau de gravidade da bolha imobiliária chinesa e quando ela poderá estourar. Mas uma coisa é certa: a China investiu demais na construção civil.

Com renda per capita inferior a US$ 6 mil, cerca de 90% dos chineses têm casa própria, em comparação com menos de 70% nos EUA. A área mínima média per capita é de 32,9 metros quadrados, enquanto a área média por família em Hong Kong é apenas 48 metros quadrados. A China tem 696 hotéis cinco estrelas e outros 500 estão a caminho. Cinco dos dez maiores arranha-céus em construção em todo o mundo estão na China. Em minha opinião, isso é uma loucura.

A economia da China está sendo mantida refém por investimentos imobiliários. Por um lado, a China não deveria tentar eliminar o excesso de capacidade mantendo sua elevada taxa de crescimento dos investimentos imobiliários. Embora os investimentos em habitação social devam ser bem recebidos, o investimento imobiliário, atualmente em torno de 10% a 13% do PIB, já é elevado demais. Por outro lado, se o crescimento do investimento imobiliário cair, será difícil eliminar o excesso de capacidade. Esse dilema evidencia o problema de ajuste estrutural com que a China se defronta - e deveria dar aos investidores motivo para prender a respiração.

Dito isso, duas ressalvas devem ser feitas. Em primeiro lugar, ao contrário de outras categorias de investimento, o investimento no setor imobiliário não aumenta o capital produtivo. Não há diferença fundamental entre uma casa e um bem de consumo durável caro. Em segundo lugar, nas estatísticas chinesas, o crescimento da taxa de investimento bruto em capital fixo é muito maior do que a formação bruta de capital. Assim, embora o governo chinês precise ser firme na redução da dependência do crescimento em relação ao investimento, precisa exercer o máximo de cuidado ao fazê-lo. (Tradução de Sergio Blum)

Yu Yongding, ex-presidente da Sociedade Chinesa de Economia Mundial e ex-diretor do Instituto de Economia e Política Mundial da Academia Chinesa de Ciências. Também foi membro do comitê de política monetária do Banco do Povo da China e membro da Comissão Nacional de Assessoria do 11º Plano Quinquenal da China. Copyright: Project Syndicate, 2013.

www.project-syndicate.org

 

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Escrito por SALSFI às 02h30
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   Há um ano atrás

CHOQUE ELÉTRICO OU TERRORISMO CONTRA AS BOLSAS

Sobre o estupro do sistema elétrico pelo desgoverno dilmista

 

Com a inteligência e perspicácia de sempre Elena Landau em alentado artigo para Valor descreveu as incongruências da MP 579 do Setor Elétrico. Mas não há como ter o delicado e polido teor quando o desmonte é feito com ares terroristas. As perdas de grandes fundações estrangeiras e de pequenos acionistas brasileiras e as bolsas aqui e no exterior que negociam os papeis da empresas são incomensuráveis. E o mercado implacavelmente acossado se esboroa devido a medidas açodadas engendradas por mentores esgarçados de visão míope. Levam-se anos para construir uma imagem e numa canetada põem-se tudo a perder.

 

Verdadeiramente absurdo o que os despreparados deste governo vêm fazendo com princípios basilares de um mercado acionário que poderia nesta quadra difícil da economia mundial ser o captador de recursos de várias origens.

Ao destruir a confiança dos agentes e partícipes do mercado o governo errou. Despejou uma monumental corrida junto aos portões de saída do país de aplicações de longo prazo.

A Eletrobrás era sem uma dúvida uma das mais bem aquinhoadas empresas em matéria de investidores institucionais estrangeiros. 

E estes investidores, não mais do que de repente, são surpreendidos por medidas arbitrárias e tomadas por decreto. Mina-se a confiança no já escasso universo econômico contaminado de dramáticos percalços. Inveja de Cristina Kirchner cuja aura se esvai, ou ímpetos chavianos?  

Aliás, ao contrário do que pregam alguns laureados dirigentes empresariais como o presidente da CNI e o conselheiro presidencial - o Barão do Aço - estas medidas, ao invés de propiciar injeção de incentivos na nossa combalida produção industrial, irão  gerar uma séria e  profunda desorganização na cadeia de fornecimento e de preços relativos de energia. Tolhendo e retardando investimentos.  Penalizando sobretudo o selo de energia limpa das grandes hidrelétricas, o governo se esquece se detalhes.

O componente vivo do mercado livre constituído por fontes alternativas  e caras irá minguar a redução de tarifas afoitamente pretendida e da forma que só a estultícia característica do governo de aúlicos  privilegia: a arbitrariedade e a demagogia. 

Ou por que foi tomada às vésperas das eleições? Justo quando todos os grandes grupos nacionais estão em fase de grandes investimentos em geração, distribuição e transmissão.

As energias renováveis vêm tendo um expressivo incremento. E a estiagem extraordinária obriga ao uso da energia cara das térmicas.  O assunto é sério e mereceria estudo de quem é do ramo e não simples especulações de especialistas em análises de valores mobiliários, ou ministros políticos emplacados para amordaçar escândalos.

 A presidente, que como ministra não emplacou uma única hidrelétrica em seu letárgico mandato, eis que os três grandes investimentos de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte só ao final do triste governo anterior iniciaram os seus primeiros passos, readquiriu o hábito de impor a fórceps suas ideias.

Mesmo as mais insensatas.

Uma medida desta ordem e repercussão não pode ser tomada numa canetada estrábica com impactos terroristas sobre um setor que sempre foi modelar e dotado de grandes empreendedores de Engenharia.

 

A simplicidade opaca das regras duras impostas por medida provisória para implante imediato e sem prazo hábil para acuradas análises esconde mais que uma grande incompetência dos seus articuladores. Faz pensar em novas negociatas para favorecer parceiros amigos do rei.

É a eterna mania de resolver no grito e no peito a situações complexas, mas em que a falta de inteligência ou interesses inconfessáveis conduzem ao arbítrio.

A Eletrobrás vinha sendo negociada há tempos com desconto de 70% sobre seu valor patrimonial.  Inchada e com parca governança vinha acenando aos seus acionistas com uma reestruturação geral. Veio a medida espúria e sua direção mantém-se calada. De setembro para cá o desconto em bases atuais veio a atingir 90%.

Serve para lembrarmos o estupro cometido contra mais de 400 mil noviços que pagaram quase R$ 30,00 por ação da Petrobrás há dois anos sob o discurso ufanista do anterior presidente.  

Enquanto a produção de petróleo cai insistentemente a cada mês, vemos claramente como enquanto seguimos jogando palavras ao vento em excursões presidenciais à Europa em crise, e querendo dar lições de administração e grandeza a governantes em apuros vamos criando e adotando os mesmos artifícios que sufocaram USA e Europa: crédito fácil para compradores enganados de casas e moradias e, requinte brasileiro, automóvel financiado para que não tem dinheiro sequer para pagar o combustível do carro.

E olha que o preço do combustível está congelado para dinamitar a Petrobras enquanto ilude milhões de satisfeitos novos motoristas que infestam e espremem a nossa produtividade engarrafada.

E ainda há gente que bate palmas para esses novos deslumbrados que se dizem governantes.

Estamos semeando minas que explodirão brevemente em mais uma proeza de terror. Especialistas experientes para isto não faltam.

Por enquanto vamos somente de choque elétrico e na destruição da confiabilidade do sistema.

Recomenda-se que o presidente da Eletrobrás ou exerça a defesa da empresa e dos acionistas ou então peça para sair.

Não dá para contemporizar com a inépcia.

Não é a economia, estúpido.


É a arrogância própria dos despreparados.



Escrito por SALSFI às 02h21
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   Vale Brasil - o maior navio de minério

Vale faz o 1º carregamento do Vale Brasil, maior navio mineraleiro do mundo, no terminal portuário

de Ponta da Madeira, em São Luís (mai.2011)



Escrito por SALSFI às 19h44
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   Navio Vale Minas Gerais atracado em Mindanao, Filipinas (17.out.2012)



Escrito por SALSFI às 19h42
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   Navio Vale Minas Gerais atracado em Mindanao, Filipinas (17.out.2012)

Navio Vale Minas Gerais atracado em Mindanao, Filipinas (17.out.2012)



Escrito por SALSFI às 19h40
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   Navio Vale Rio de Janeiro

Navio Vale Rio de Janeiro no porto de Sohar, Omã (mai.2012



Escrito por SALSFI às 19h38
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